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Um dos concursos de imagens científicas mais respeitados do mundo acaba de tirar o prêmio do vencedor por causa de inteligência artificial. A Nikon desclassificou o vídeo que tinha ganhado o Small World in Motion 2026, competição de vídeos feitos no microscópio, depois que cientistas apontaram sinais de IA generativa nas imagens. Com isso, o primeiro lugar passou para outro participante.

O que é o Small World in Motion

O Nikon Small World existe há décadas e premia fotos tiradas no microscópio: células, insetos, cristais, micro-organismos, aquele mundo minúsculo que a gente não enxerga a olho nu. O Small World in Motion é a versão do concurso para vídeos. Para entrar, a imagem precisa ser real, captada com equipamento de microscopia, e o regulamento proíbe o uso de IA generativa.

O vídeo vencedor e a polêmica

O resultado de 2026 saiu em meados de setembro. O vencedor era Ning Xu, pesquisador de óptica da Universidade Nacional de Singapura, com um vídeo de cílios (os “pelinhos” que limpam as vias respiratórias) em tecido pulmonar de uma criança com uma doença rara.

Pouco depois, especialistas começaram a desconfiar. Segundo o Gizmodo, que repercutiu uma reportagem da revista Nature:

  • Um pesquisador da Universidade da Flórida disse que estruturas roxas do vídeo pareciam mitocôndrias, mas num arranjo e tamanho que não existem na biologia;
  • Outras estruturas, azuis e vermelhas, não se comportavam como nada conhecido;
  • Um doutorando dos EUA encontrou nas imagens uma marca d’água SynthID, usada para identificar conteúdo gerado por IA do Google.

O pesquisador defendeu que o vídeo original era real e que a IA foi usada só para colorir estruturas. A Nikon chegou a dizer que estava revisando o caso com cuidado, mas, segundo o DIY Photography, acabou desclassificando o vídeo por violar as regras sobre IA generativa.

Quem ficou com o primeiro lugar

Na galeria oficial do concurso, o primeiro lugar agora aparece com Nguyen Nam Nhat, com um vídeo que mostra um pequeno verme e um micro-organismo unicelular (um Dileptus) explorando o seu mundo microscópico. Em segundo vem Benedikt Pleyer, com larvas de água-viva em gotas d’água, e em terceiro Andrew Moore, com células vizinhas se dividindo ao mesmo tempo.

Por que isso importa para todo mundo

O caso mostra como está ficando difícil separar imagem real de imagem criada por IA, até para especialistas. E também mostra que as ferramentas de detecção já fazem diferença: foi a marca d’água invisível que ajudou a levantar a suspeita. Aqui no site, a gente já explicou como usar o SynthID Detector, do Google, para saber se uma imagem foi feita com IA, ferramenta que o Google liberou para todo mundo.

Para concursos de fotografia e para a ciência, a lição é clara: a regra precisa dizer exatamente o que pode e o que não pode, porque “só colori com IA” e “criei com IA” podem dar resultados bem diferentes.

E você, acha que a Nikon acertou ao tirar o prêmio? Conta pra gente nos comentários!

Com informações de: Gizmodo, DIY Photography e Ars Technica.

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