Um assunto um tanto delicado a se falar principalmente em um site de notícias em tecnologia como o Dica App do Dia, mas acima de tudo queremos sempre o seu bem estar. A Nomofobia vem crescendo gradativamente e atingindo todas as faixas etárias.

Segundo o site da Academia Nacional de Medicina, ANM, “O termo “Nomofobia” se originou na Inglaterra a partir da expressão “No-mobile” que significa sem telefone celular (TC). Essa expressão uniu-se à palavra “fobos” do grego que significa fobia, medo. A associação das palavras resultou no nome Nomofobia – a fobia de ficar sem o TC.

Por exemplo, pessoas ficam transtornadas, quando seu smartphone começa a emitir alertas de cargas baixa de bateria e a ansiedade sobre a morte de baterias é o principal gatilho para a “nomofobia”

Quando os smartphones começam a “morrer”, as pessoas ficam esquisitas: voltam para casa imediatamente, roubam cabos das mesas dos colegas de trabalho, exigem carregadores de estranhos aleatórios ou locais de trabalho e geralmente agem tão impensadamente que uma fake news sobre uma garota desligando o aparelho respiratório de seu avô para carregar o telefone dela parecia plausível o suficiente para se tornar viral . 

Em apenas algumas décadas, os dispositivos movidos a bateria tornaram-se os principais impulsionadores da vida das pessoas. Sem eles, nos sentimos tão presos quanto um Tesla morto.

Die With Me (morra comigo)

Nada resume melhor o relacionamento da nossa cultura com as baterias do que o Die With Me , um aplicativo de bate-papo que você só pode usar quando tiver menos de 5% de bateria. 

Seus criadores, artista Dries Depoorter e desenvolvedor de aplicações David Surprenant, têm certamente notado quão bizarro as pessoas agem quando suas baterias estão prestes a acabar. A ideia para o aplicativo chegou ao Depoorter enquanto ele estava vagando perdida em Copenhague durante a noite, incapaz de encontrar seu hotel com bateria baixa.

Mas eles também observaram que deixar seu telefone morrer se tornar um ato transgressor próprio. “Nós vimos muitas discussões sobre as pessoas recebendo menos de 5 por cento de bateria pela primeira vez em suas vidas!” Surprenant diz. Eles tiveram dificuldade em convencer a Apple a permitir o Die With Me na App Store, já que a empresa achou sua utilidade “limitada”.

Depoorter e Surprenant obviamente não concordam. “Queríamos contornar a ansiedade“, diz Surprenant. “Achamos que essa era uma maneira legal de fazer as pessoas que vivenciam aquele sorriso de estresse.” Die With Me é um bate-papo notavelmente saudável, com muitos usuários parecendo se divertir com a morte iminente de seu telefone. 

Deixar o seu telefone morrer, nesse contexto, é um tipo atrevido de molestamento niilista – estou dançando no limite, fadado a cair a qualquer momento, e não dou a mínima. “Morem juntos em uma sala de bate-papo“, diz o slogan do aplicativo. “No seu caminho para a paz off-line.

O aplicativo Die With Me está disponível para iOs e Android.

Segundo Şengül Uysal, que estudou a nomofobia entre estudantes universitários da Universidade Erciyes, na Turquia, o medo tem raízes profundas. Uysal descobriu que, quanto maior a ansiedade social que um estudante demonstrava, maior a probabilidade de temer a perda de seus smartphones.

Pessoas ansiosas, descobriu Uysal, confiavam mais em seus celulares para manter seus relacionamentos pessoais.

O objetivo básico do celular é permitir que as pessoas estejam em dois lugares diferentes para se comunicar instantaneamente, eliminando a ansiedade humana sobre a solidão“, diz ela.

Mas se você usa seu telefone celular para evitar relacionamentos pessoais, você cria dependência de comunicação.” Por isso, é extremamente traumático quando o telefone morre – lá estão seus relacionamentos. Claro, não é apenas o socialmente ansioso que sofre.

A maioria das pessoas descarrega várias partes de suas vidas em seus telefones, desde reuniões importantes até fotos de família e entrega de comida, e baterias mortas também cortam essas amarras.

É um ciclo vicioso: quando a bateria morre, você se sente ainda mais decepado com as coisas das quais você já se sente isolado.

Segundo o site Psicologia Viva, os “nomofóbicos” tentam explicar o receio de ficar incomunicável é explicado pelos pacientes que acodem aos serviços para tratar a disfunção.

A principal alegação deles para não ficarem momento algum sem o aparelho celular, por exemplo, é dizer que podem passar mal na rua e, sem contato, ficariam sem socorro.

Nesses casos podemos fazer um paralelo: imagine um usuário de drogas na hora em que ele pensa em ficar sem a droga.

Ainda segundo site, ele apresentará sintomas tais como: taquicardia, sudorese, irritabilidade, impaciência, pânico. Segundo os médicos e outros especialistas da área, ocorre o mesmo com quem possui o vício do celular.

Como Enfrentar a Nomofobia?

Um estudo feito na Universidade Técnica de Ambato – Equador, concluiu que a nomofobia afeta significantemente o processo de ensino-aprendizagem da população pesquisada.

O trabalho concluiu que os estudantes sentem ansiedade e medo quando não estão com seus celulares e observam frequentemente seus aparelhos durante a aula, ansiosos por mensagens.

No fim do estudo são sugeridas ações para lidar com esse problema, mas quem quiser ver o estudo na íntegra, clique aqui.

Constatou também que o apego ao celular chega a ser maior do que o apego pelos familiares, tornando assim mais comuns os problemas com a família e de comunicação, já que os pais passam muito tempo trabalhando enquanto os filhos ficam sós dedicando o tempo à tecnologia e não ao estudo.

Ambos os trabalhos sugerem ações de enfrentamento a essa dependência. A segunda pesquisa, citada acima, pode ser conferida na íntegra aqui.

Há uma estimativa que atualmente no Brasil 10% dos brasileiros sofrem com esse mal e com a velocidade com que a internet chega aos lares esse número tende a aumentar ainda mais.

Os usuários vão se distraindo pelas facilidades que os aparelhos celulares têm e vão esquecendo como controlar o tempo gasto nas redes sociais.

A gravidade do problema está levando a uma mobilização mundial em busca de soluções.

Uma das frentes foi recentemente em 18 de junho deste ano o reconhecimento do distúrbio de jogo no Código Internacional de Doenças, o chamado CID que está em sua décima primeira versão.

Esse distúrbio é caracterizado por um padrão de comportamento persistente ou recorrente de jogos (‘jogos digitais’ ou ‘videogames’), que pode ser online (ou seja, pela Internet) ou off-line.

Há vários critérios para identificar este problema. Mas o foco para a psiquiatria neste momento é que através desta frente os especialistas estão cada vez mais empenhados em dar foco ao problema mais geral que é a chamada Nomofobia. Pois o distúrbio de jogo é apenas uma faceta da questão.

Como saber se tenho Nomofobia?

Para você saber se está exagerando ou não no uso do celular preste atenção nos seguintes sinais:

  1. Checar o celular CONSTANTEMENTE, de forma obsessiva;
  2. Ter a impressão de que a toda hora o celular está tocando ou vibrando;
  3. Em casos mais extremos, sintomas de abstinência na falta do aparelho, como taquicardia e sudorese;
  4. Mentir sobre o tempo que gasta no celular;
  5. Ficar com o humor alterado e apresentar irritação sempre quando o sinal da internet desaparece;
  6. Ter o trabalho e as relações familiares ou com amigos em risco pelo uso excessivo do celular;
  7. Tentar diminuir o tempo na internet sem qualquer êxito.

Apesar de ser um assunto relativamente novo, comparando com a Dependência Química podemos encontrar conceitos já conhecidos há mais tempo. Seria a Nomofobia um tipo de abstinência?

Pode ocorrer que a dependência virtual esteja associada ainda a outros transtornos psiquiátricos como depressão, fobia social, transtorno bipolar do humor e déficit de atenção e hiperatividade.

Por isso é importante que a pessoa que se identifica com muitos desses sinais procure ajuda ou, ainda, que os familiares e amigos possam auxiliar na identificação do problema para que ele seja sanado. Nos casos mais graves já é previsto, inclusive, a necessidade de internação voluntária.

Além dos problemas que envolvem o distanciamento dos laços afetivos reais, as interações presenciais, o comprometimento da produtividade e atenção no trabalho, ainda podemos somar os problemas ortopédicos que o excesso de tempo ao celular provocam.

Vão de dores musculares na coluna lombar e no pescoço, dores nas mãos e nos polegares, também desenvolvem desgaste e artrose.

Tudo isso associado ao estilo de vida sedentário da maioria das pessoas que desenvolve vício da tecnologia pode ser um combo bastante prejudicial à saúde.

Via Wired, Psicologia Viva, Academia Nacional de Medicina

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