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O Brasil tem cerca de 17,3 milhões de cidadãos com algum tipo de deficiência, o que equivale a 8,4% da população em geral, segundo a PNS (Pesquisa Nacional de Saúde) elaborada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Mais da metade (67%) dessas pessoas não têm instrução ou não concluíram o ensino fundamental.

Dados do Censo da Educação Básica 2021, elaborado pela Deed (Diretoria de Estatísticas Educacionais), pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) e pelo Ministério da Educação, expõe um déficit de infraestrutura e equipamentos tecnológicos que poderiam ser úteis para pessoas com necessidades especiais.

A título de exemplo, na educação infantil, a infraestrutura tecnológica é abrangente na rede privada de ensino, com a presença de internet em 97,8% das escolas. Na rede municipal, por outro lado, o percentual é de 71,5%. Com relação à infraestrutura, apenas 43,7% das escolas municipais de educação infantil têm banheiro adequado a essa etapa, enquanto nas escolas particulares o percentual chega a 85%. 

Neste cenário, o especialista em tecnologia da inovação Andre Aziby Camilo Maffra chama a atenção para a necessidade de investimento em tecnologias, uma vez que o sistema educacional e as pessoas com deficiências físicas podem ser beneficiadas pela evolução tecnológica aplicada à aprendizagem.

“O desenvolvimento de aplicativos, softwares e websites de ensino on-line dá liberdade ao aluno com restrições físicas e promove a inclusão socioeducativa, permitindo que tanto o estudante como o professor flexibilizem o ensino e tenham maiores resultados através da tecnologia assistiva”, diz ele. 

Por conseguinte, prossegue, surgem novas ferramentas, que variam de dispositivos mecânicos simples a software e hardware sofisticados, como gravadores de áudio, dispositivo de escuta pessoal, programas com sistema de voz, teclados especiais, apps de jogos, software de conversão de texto e fala. Essas são apenas algumas das soluções interessantes para alunos com limitações físicas, professores e família”, explica.

Tecnologia pode auxiliar pessoas com deficiência

Maffra destaca que os dispositivos tecnológicos podem assistir pessoas com deficiências cognitivas, auditivas, visuais, físicas, motoras e mentais na construção do conhecimento e desenvolvimento social. “Uma série de plataformas e softwares auxiliam no aprendizado intuitivo. Já os hardwares de laptops e dispositivos são ferramentas que oferecem suporte remoto e facilitam a produção e criação”.

O especialista em tecnologia da inovação acrescenta que vêm sendo desenvolvidos sistemas avançados de inteligência artificial e visão computacional, que são ferramentas para pessoas com deficiência auditiva e de fala.

“Os softwares e apps são responsáveis por traduzir a palavra, ou decodificar, de qualquer língua para a linguagem de sinais, dando autonomia e liberdade para a pessoa com esse tipo de limitação se desenvolver e participar ativamente de qualquer ambiente, seja educacional ou de trabalho”, conclui Maffra.

No dia 27 de junho foi celebrado o Dia Internacional da Pessoa Surdocega, data que homenageia o nascimento de Helen Keller (1880-1968). Keller foi escritora, ativista social norte-americana e a primeira pessoa surdocega a entrar para o ensino superior. O Brasil tem 578 surdocegos matriculados nas escolas de ensino regular, de acordo com o Censo Escolar de 2021.