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Se você recebeu no WhatsApp, no TikTok ou no X o vídeo de contêineres abertos no mar, iPhones espalhados na água e gente em barquinhos “pescando” celular depois de um navio bater numa mina no Estreito de Ormuz, pode apagar. É fake. : as imagens foram feitas com inteligência artificial.

A BBC também desmentiu o caso, com um vídeo cujo título já entrega tudo: não existem iPhones de graça no Estreito de Ormuz, são falsificações criadas por IA. O que deixa a mentira mais convincente é que ela pegou carona numa notícia real. A gente explica.

O que o vídeo falso mostra

As versões que mais circulam mostram milhares de iPhones boiando ao redor de contêineres, ou um rapaz tirando aparelhos de um contêiner furado no meio do mar. A legenda diz que era um carregamento de iPhone 18 e que o navio afundou depois de bater numa mina.

Não há nenhuma fonte oficial que confirme isso. Pior: pelo menos um desses vídeos nem é novo. A cena do rapaz tirando iPhones do contêiner já tinha viralizado há quase um ano, e o próprio criador avisou no Instagram que era tudo IA, feito só para mostrar até onde a tecnologia chegou. Agora ela voltou com uma “explicação” nova.

O navio afundou mesmo? Sim, e é aí que mora a pegadinha

O naufrágio existe. O porta-contêineres GFS Pride, com bandeira de Singapura e administrado por uma empresa de Dubai, foi atingido enquanto atravessava o Estreito de Ormuz no dia 13 de outubro. Segundo a Autoridade Marítima e Portuária de Singapura (MPA), o navio pegou fogo e afundou, e os 21 tripulantes foram retirados em segurança, sem feridos. Um segundo navio da mesma empresa, o GFS Giselle, também foi atingido no dia seguinte, mas conseguiu seguir viagem.

Sobre a causa, as versões não batem. A autoridade de Singapura fala em um projétil não identificado. Já o Irã diz que o navio entrou numa rota não autorizada e bateu em uma mina. Uma empresa de risco marítimo citada pelo jornal The National afirmou não ter encontrado prova independente da versão da mina.

Tinha iPhone 18 no navio?

Ninguém sabe. Até agora não foi publicada a lista de carga do GFS Pride, então não dá para confirmar se havia iPhone a bordo, quantos seriam ou de qual modelo. A história do “carregamento de iPhone 18” saiu de posts nas redes, não de uma fonte oficial.

Também circularam clipes de barquinhos recolhendo caixas e perfumes no mar, mas nenhum veículo conseguiu confirmar onde e quando foram gravados, nem se têm relação com o navio.

Ou seja: pegaram uma notícia real (o navio afundou) e colaram nela imagens falsas. É uma das receitas mais comuns de fake news.

Como perceber que o vídeo é IA

Os sites de checagem que analisaram vídeos parecidos apontaram sinais que você mesmo consegue notar:

  • Logo da Apple borrado ou deformado nas caixas e nos aparelhos.
  • Mãos estranhas: dedos que mudam de forma ou se fundem com o objeto.
  • Física esquisita: celulares que boiam “achatados”, parecem não ter volume ou se mexem de um jeito que não combina com a água.
  • Pessoa parada demais em cima de um barco que deveria estar balançando.
  • Nenhum veículo sério confirmando a cena, só perfis de rede social.

Uma dica prática: tire um print de um trecho do vídeo e faça uma busca reversa de imagem (no Google Lens, por exemplo). Muitas vezes aparece o post original, às vezes com o avisozinho “feito com IA” que sumiu nos compartilhamentos.

Cuidado com o “iPhone de graça”

Vídeo de iPhone “achado no mar” é o tipo de assunto que golpista adora usar. Se aparecer link prometendo iPhone resgatado do naufrágio, leilão de carga perdida ou celular “quase de graça”, desconfie. Não clique, não passe seus dados e não faça Pix para ninguém. Na dúvida, procure a notícia em agências de checagem brasileiras, como Lupa, Aos Fatos e Comprova.

Resumindo

  • Fake: os vídeos com milhares de iPhones boiando ou saindo de contêineres foram feitos com IA, e pelo menos um é reciclado de quase um ano atrás.
  • Sem confirmação: não há prova oficial de que o navio levava iPhones, muito menos iPhone 18.
  • Verdade: o navio GFS Pride afundou no Estreito de Ormuz, e a tripulação foi resgatada.

E você, chegou a receber esse vídeo no grupo da família? Conta nos comentários!

Com informações de: BC, The National, gCaptain e NewsMobile.B

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