Sabia que, de tempos em tempos, o relógio oficial do planeta ganha um segundo a mais? Pois essa tradição está com os dias contados. Na quinta-feira (15), a Conferência Geral de Pesos e Medidas (CGPM), reunida em Versalhes, na França, decidiu acabar com o segundo bissexto. A partir de 20 de maio de 2027, o Tempo Universal Coordenado (UTC), que serve de base para a hora do mundo inteiro, vai correr sem interrupções.
Calma: ninguém vai acordar atrasado por causa disso. Mas a mudança é um alívio enorme para a internet, os bancos e tudo que depende de computador.
O que é o segundo bissexto
A hora oficial é medida por relógios atômicos, que são precisos demais. Só que a Terra não gira com a mesma regularidade: a rotação oscila e varia com o tempo. Para que a hora dos relógios não se distanciasse da posição do Sol, os cientistas passaram a inserir um segundo extra no UTC sempre que a diferença ficava grande.
Desde 1972, isso aconteceu 27 vezes. O último segundo bissexto foi adicionado no fim de 2016, quando o relógio marcou 23h59min60s antes da virada do ano.
Por que acabar com ele
O problema é que computadores odeiam esse segundo “fantasma”. Muitos sistemas não sabem lidar com um minuto de 61 segundos. Segundo a Al Jazeera, em 2012 a inserção de um segundo extra derrubou sites como Reddit e LinkedIn e travou o sistema de reservas da companhia aérea australiana Qantas. Engenheiros da Meta chegaram a dizer que cada segundo bissexto é “uma grande fonte de dor” para quem cuida de servidores.
E tinha uma ameaça nova no horizonte. Nos últimos anos a Terra tem girado um pouquinho mais rápido, o que abriu a possibilidade de um segundo bissexto negativo, ou seja, tirar um segundo do relógio. Isso nunca foi feito, e ninguém sabe direito como os sistemas reagiriam.
O que muda na prática
Pelo que foi aprovado, a diferença entre a hora dos relógios e a hora “astronômica” poderá crescer até 3.600 segundos, ou uma hora, antes de qualquer correção. Como essa diferença cresce muito devagar, especialistas dizem que um ajuste desse tamanho não deve ser necessário tão cedo. Pelas contas citadas pela Al Jazeera, sem os segundos extras, os relógios estariam cerca de 54 segundos adiantados em relação à Terra em 2100.
Para você, nada muda: o celular, o computador e a smart TV continuam acertando a hora sozinhos pela internet. Quem vai precisar se adaptar são áreas como astronomia, geodésia e alguns serviços de satélite, que terão de acompanhar essa diferença por conta própria. A Al Jazeera lembra que a Rússia pedia mais prazo porque o sistema de navegação GLONASS usa os segundos bissextos.
Curiosidade: a hora lunar também está na pauta
A reunião em Versalhes também discutiu outros temas do futuro do tempo, como a possibilidade de redefinir o segundo usando relógios ópticos, ainda mais precisos que os atômicos, e o alinhamento com um padrão de tempo para a Lua, que a NASA está desenvolvendo.
E você, sabia que existia o segundo bissexto? Conta nos comentários se já tinha ouvido falar!
















