Uma das coisas que mais ouvi durante a quarentena foi: “Imagina passar a quarentena sem internet, sem computador, sem smartphone ?” Pois é, para quase metade da população mundial isso é realidade, a exclusão digital ou o abismo digital ainda existe.

Com o número de pessoas se isolando por conta da pandemia nos últimos meses, bilhões de pessoas assistiam à crise do coronavírus através de uma janela aparentemente universal: a internet. Mas, bilhões de outras pessoas não têm acesso à internet.

Segundo estimativas das Nações Unidas, quase metade da população mundial (46%) ainda não está conectada à internet.

Para essas pessoas, o confinamento significa perder acesso imediato a informações de saúde pública vitais, oportunidades de trabalho remoto, cursos online, consultas de telemedicina, entregas de compras digitais, lives, cerimônias religiosas ao vivo por streaming, além de outras outras inúmeras formas de viver nossas vidas cada vez mais online.

Os governos em todo o mundo se comprometeram a fornecer acesso universal até 2020, mas o abismo digital ainda é muito profundo e também está aumentando as desigualdades offline.

As pessoas em regiões mais pobres têm menos probabilidade de se conectarem, assim como mulheres, idosos e pessoas que vivem em zonas remotas ou rurais.

E, em muitos casos, a conectividade pode ser frágil: o fechamento de escritórios, escolas e espaços públicos, como bibliotecas e cafés, cortou o acesso para muitos.

O Abismo Digital

Sempre dissemos que há cerca de 3,5 bilhões de pessoas que não estão conectadas, mas sabemos que esse número é maior agora, porque uma série de pessoas que costumavam estar conectadas em seus locais de trabalho e outros espaços públicos não têm mais esse acesso“, afirmou Eleanor Sarpong, vice-diretora da Aliança para uma Internet Acessível (A4AI), para CNN.

A Covid-19 mostrou que existe um grande abismo, e na verdade isso foi um choque para alguns governos. Quando eles pediram para seus funcionários trabalharem de casa, muitos deles não podiam.”

Sarpong tem esperança que a crise rompa as barreiras, há muito existentes, ao acesso à internet — da falta de vontade política a obstáculos regulamentares e acessibilidade de dados — para termos um mundo mais conectado.

A A4AI, uma iniciativa da World Wide Web Foundation, fundada por Tim Berners-Lee, recentemente compartilhou uma série de recomendações políticas pedindo que governos, empresas e a sociedade civil tomem medidas urgentes para colocar o maior número possível de pessoas online durante a pandemia.

Entre suas recomendações imediatas estão:

  • Supressão dos impostos sobre os serviços de internet para os consumidores
  • Redução das taxas de dados para os sites públicos
  • Fornecimento de pacotes de dados a preços acessíveis
  • Expansão das licenças de banda larga
  • Implantação de infraestruturas de wi-fi públicas e gratuitas.

Alguns já estão dando esses passos. “Os governos têm de olhar para o acesso à internet não como um luxo, mas como um facilitador que pode transformar suas economias… Acho que é um chamado para eles”, opinou Sarpong.

As tecnologias digitais revolucionaram rapidamente a vida diária. Mas, nem todos estão se beneficiando igualmente, e muitos estão ficando para trás por falta de infraestrutura, alfabetização e formação.

Distribuição da Internet em países desenvolvidos e subdesenvolvidos

No Brasil, segundo o site Agência Brasil diz que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que uma em cada quatro pessoas no Brasil não tem acesso à internet. Em números totais, isso representa cerca de 46 milhões de brasileiros que não acessam a rede.

Nos países menos desenvolvidos do mundo, apenas 19% das pessoas estão online. Os homens têm 21% mais probabilidade de se conectarem do que as mulheres — e essa lacuna de gênero só está aumentando.

O abismo digital há muito tempo tem sido considerado um problema de desenvolvimento. Mas a pandemia destacou que países ricos também estão sofrendo de privação digital.

A cada 10 famílias de baixa renda nos Estados Unidos, 04 destas não têm acesso a serviços de banda larga, de acordo com pesquisas do Pew Research Center.

E, no Reino Unido, 1,9 milhão de famílias não têm acesso à internet, enquanto outros milhões dependem de serviços pré-pagos para se conectar.

Às vezes as pessoas falam da Covid-19 como um grande nivelador. Mas, na verdade, a forma como as pessoas estão vivendo o confinamento não é nada igual“, comentou Helen Milner, a executiva-chefe da Good Things Foundation, uma instituição de caridade britânica que trabalha com o governo para colocar mais pessoas online.

A exclusão digital é, para muitas pessoas, apenas uma extensão de exclusão social que elas enfrentam, e a pobreza definitivamente faz parte disso“.

O governo britânico lançou recentemente várias iniciativas para ajudar a tentar combater a exclusão digital.

Entre elas está uma nova campanha chamada DevicesDotNow (DispositivosPontoAgora, em tradução livre), que pede para as empresas doarem aparelhos, chips e hotspots móveis.

A Good Things Foundation está ajudando a entregar os dispositivos para os necessitados e ajudando com o treinamento. Até agora eles doaram cerca de 2.000 tablets.

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