Para proteger pais e avós de golpes digitais, o segredo não é transformar ninguém em especialista em tecnologia. O que funciona de verdade é criar um hábito simples: desconfiar de pedidos urgentes, parar a conversa e confirmar por outro canal antes de clicar, pagar ou passar qualquer dado.
Essa é a principal recomendação de especialistas ouvidos em uma pauta enviada pela Lucky Assessoria, que reúne dicas práticas de cibersegurança e direito digital para as famílias.
Por que os idosos viram alvo fácil
Os golpes de hoje são feitos para parecer reais. Eles copiam a identidade visual de bancos, lojas e órgãos públicos e até imitam o jeito de escrever de parentes. Por isso, o problema nem sempre é “não saber usar o celular”, e sim a confiança que a gente deposita no que parece familiar.
Para Luís Mauro Sá Martino, professor da Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação (FAPCOM), os criminosos exploram justamente essa confiança nas relações mediadas pela tecnologia. Segundo ele, mais importante do que dominar todas as ferramentas é aprender a questionar e verificar o que chega pelo celular.
Os sinais de alerta que merecem atenção
O sinal mais comum é a pressa. Mensagens com frases como “responda agora”, “sua conta será bloqueada” ou “preciso que faça um Pix imediatamente” querem que a pessoa aja antes de pensar. Fique de olho também em:
- Mensagens de número desconhecido dizendo ser um filho ou neto que “trocou de celular” e pedindo dinheiro.
- Links enviados por SMS, WhatsApp ou e-mail falando de compra não reconhecida, entrega ou conta bloqueada.
- Ligações que dizem ser do banco e pedem senha, código recebido por SMS ou instalação de aplicativo.
- Qualquer pedido de código de verificação, mesmo vindo de alguém conhecido.
Na dúvida, a regra é não usar o link recebido: abra você mesmo o app ou o site oficial do banco ou da loja e confira a informação por lá.
Como a família pode ajudar sem dar bronca
Aqui está um ponto que muita gente esquece. Para o advogado Lucas Paglia, especialista em direito digital e proteção de dados, a melhor proteção vem de hábitos simples de verificação, e não de exigir que o idoso domine a tecnologia. Ele reforça que é preciso desconfiar de pedidos inesperados que envolvam dinheiro, senhas, códigos ou dados pessoais.
Também não adianta só dizer “não clica em nada”. O ideal é ensinar o que fazer diante da dúvida: interromper a conversa, não passar dados, não fazer pagamentos e chamar alguém de confiança. E, principalmente, criar um clima em que a pessoa se sinta à vontade para perguntar. Se ela tiver medo de levar bronca, pode esconder o problema justamente quando uma ajuda rápida evitaria o prejuízo.
Configurações que reduzem o risco
Além da conversa, vale aproveitar a próxima visita para deixar o celular mais protegido:
- Ative a verificação em duas etapas no WhatsApp e nas contas principais.
- Mantenha o sistema e os aplicativos sempre atualizados.
- Use senhas diferentes e fortes, de preferência com um gerenciador de senhas.
- Configure limites de Pix e outras proteções disponíveis no app do banco.
- Combine uma “palavra-código” da família para confirmar pedidos de dinheiro.
Um teste rápido ajuda: essa pessoa sabe reconhecer uma mensagem suspeita? Sabe que não deve compartilhar códigos? Tem alguém para consultar quando receber um pedido urgente? Se alguma resposta for “não”, já dá para começar por aí.
E na sua família, alguém já recebeu uma tentativa de golpe? Que dica funcionou melhor com seus pais ou avós? Conta pra gente nos comentários!
















