Gelo que aguenta quase tanto quanto concreto? Pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel, criaram um “supergelo” cerca de 10 vezes mais resistente à compressão que o gelo comum. O material, batizado de BioPykrete, mistura água congelada com fibras de plantas e uma proteína criada em laboratório, e pode um dia virar matéria-prima para construções no Ártico e na Antártida.
Do que é feito o supergelo
A receita tem três ingredientes:
- gelo, a base de tudo;
- nanocristais de celulose, partículas minúsculas tiradas de plantas;
- uma proteína projetada em laboratório, que funciona como uma “cola” molecular.
Durante o congelamento, a celulose forma uma espécie de rede tridimensional em volta de pequenos bolsões de gelo. A proteína entra para amarrar tudo: uma ponta dela se prende ao gelo e a outra, à celulose. O resultado é um material bem mais firme que um cubo de gelo comum.
Os números que chamam atenção
Segundo o estudo, liderado pelo professor Ido Braslavsky e publicado no ScienceDirect, o BioPykrete:
- é cerca de 10 vezes mais resistente à compressão que o gelo comum, chegando perto do concreto;
- absorve cerca de 70 vezes mais energia antes de quebrar;
- dobrou a resistência só com a adição da proteína, em comparação com a mistura de gelo e celulose sem ela.
Outro ponto curioso: o gelo comum costuma estourar de uma vez. Já o supergelo vai cedendo aos poucos, porque a rede de celulose ajuda a segurar e desviar as rachaduras antes que elas atravessem o bloco inteiro.
A ideia veio da Segunda Guerra
O nome não é por acaso. Durante a Segunda Guerra Mundial, o Reino Unido estudou o Pykrete, uma mistura de gelo com polpa de madeira, e chegou a pensar em usar o material para construir um porta-aviões gigante. O projeto foi abandonado, mas a ideia de reforçar o gelo nunca morreu. O BioPykrete é a versão moderna, com nanotecnologia e biologia no lugar da serragem.
Para que serve (e o que falta)
A principal aplicação imaginada pelos pesquisadores é a construção em regiões polares, onde levar concreto e aço custa caro e gera muita emissão de carbono. Como o material é feito basicamente de água e celulose de plantas, ele também seria biodegradável.
O Brasil, por exemplo, mantém a Estação Antártica Comandante Ferraz, e qualquer obra por lá depende de levar material de navio. Mas é bom segurar a empolgação: o próprio estudo trata o BioPykrete como uma prova de conceito. Antes de virar tijolo de verdade, ele ainda precisa passar por testes de durabilidade, de ciclos de congelar e descongelar e de desempenho a longo prazo. Por enquanto, não existe nenhum produto à venda nem previsão de uso prático.
Com informações de: Ynet e TechSpot.
E aí, você moraria numa casa de supergelo? Ou acha que a ideia não passa do laboratório? Conta nos comentários!
















