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O resultado das urnas chegou direto ao mercado financeiro. Na manhã desta segunda-feira (26), a Bolsa brasileira acionou o circuit breaker e o dólar disparou mais de 12%, chegando perto de R$ 5,60, horas depois da reeleição de Lula no segundo turno.

Os números abaixo são do início do pregão e mudam ao longo do dia. Este texto traz o que as fontes consultadas informavam até o momento da redação.

O que o resultado mostrou

Segundo o BPMoney, que cita dados do TSE, Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL). O NeoFeed aponta uma diferença de mais de 4,4 milhões de votos.

O ponto central para o mercado foi a surpresa. Depois do primeiro turno, em 5 de outubro, os investidores passaram a apostar em alternância de poder: o Ibovespa teve a maior alta diária desde 2020 e o dólar caiu mais de 4%, de acordo com a Forbes Brasil. O dólar chegou a fechar a R$ 4,99 na sexta-feira (23). O NeoFeed lembra que Flávio sinalizava uma política fiscal mais restritiva, e foi essa aposta que o mercado desmontou na abertura de hoje.

O que é o circuit breaker e por que ele disparou

O circuit breaker é um freio de segurança da B3: quando o Ibovespa cai demais em um único dia, as negociações param por um tempo para o mercado “respirar”. As regras citadas pelo BPMoney são:

  • Queda de 10%: negociações suspensas por 30 minutos;
  • Nova queda de 15% depois da volta: suspensão de 1 hora;
  • Queda de 20% depois disso: a B3 pode parar o mercado pelo tempo que considerar necessário.

O primeiro acionamento ocorreu às 9h57, com o Ibovespa caindo 10%, segundo a B3. O contrato futuro do índice chegou a recuar entre 17% e 19% nos primeiros negócios, de acordo com CNN Brasil e BPMoney. Para controlar o movimento, a B3 ampliou o limite de queda do Ibovespa futuro de 15% para 20% e o limite de oscilação do dólar futuro de 6% para 8,4% apenas neste pregão.

Segundo a Ric, é a primeira vez que a Bolsa aciona esse mecanismo desde 2020, no auge da pandemia de Covid-19.

Dólar a R$ 5,60 e juros em alta

O dólar comercial abriu com alta de 12,52%, a R$ 5,60. Por volta das 10h30, estava em R$ 5,597 (+12,12%), e a primeira parcial da PTAX do Banco Central registrou venda a R$ 5,6052. Os juros futuros também subiram em toda a curva, com altas de até 182 pontos-base (1,82 ponto percentual) nos vencimentos mais longos.

Isso mostra que o mercado passou a cobrar mais caro para financiar o governo e a embutir mais risco nas contas públicas.

O que os analistas diziam antes e depois

Vários especialistas já esperavam uma correção, mas o tamanho foi maior do que a maioria projetava:

  • Gabriel Uarian (Cultura Capital) esperava queda forte na abertura, com varejo, construção civil e bancos de varejo entre os mais afetados, e exportadoras sofrendo menos;
  • Sidney Lima (Ouro Preto Investimentos) citava o receio de a dívida pública continuar crescendo sem medidas para controlá-la e lembrava que o presidente não tem maioria própria no Congresso;
  • Gustavo Trotta (Valor Investimentos) avaliava que a correção dependerá dos primeiros sinais do novo governo, como a escolha do ministro da Fazenda e o compromisso com o arcabouço fiscal;
  • Na Exame, as projeções iam de R$ 5,20 a R$ 5,65. Menezes (Armor Capital) trabalhava com a faixa de R$ 5,60 a R$ 5,65, a que mais se aproximou do que aconteceu na abertura.

O que pode mudar no seu bolso

Em geral, o dólar mais alto pressiona o preço de produtos importados ou com componentes importados, como eletrônicos e celulares, e pode encarecer combustíveis. Já juros futuros mais altos tendem a deixar o crédito mais caro. Nada disso é automático nem imediato, e o efeito depende de por quanto tempo o dólar e os juros ficarem nesse patamar.

E o futuro? O que o mercado vai olhar

  • Equipe econômica: quem será o ministro da Fazenda e como será a estratégia fiscal são os primeiros sinais acompanhados;
  • Contas públicas: Luis Otavio Leal (G5), ouvido pelo NeoFeed, avalia que o mercado vê 2027 como ano de ajuste e que o mundo será mais seletivo com países endividados;
  • Congresso: Castro Alves (Avenue), na Exame, vê o Legislativo como possível contrapeso aos gastos, o que poderia limitar a reação;
  • Selic: Sung (Suno Research) afirma que o Banco Central teria menos espaço para reduzir os juros, e o BPMoney cita projeção de Selic a 11,75% ao ano em 2027;
  • Cenário externo: a decisão de juros do Federal Reserve (EUA) sai na quarta-feira (28), e os contratos indicavam cerca de 90% de chance de manutenção da taxa;
  • Primeiros dias: Matos (MA7 Capital) lembra que movimentos exagerados no início podem refletir ajuste de posições e não uma tendência duradoura.

Até a redação deste texto, as matérias consultadas não traziam posicionamento oficial do governo ou do Banco Central sobre a reação do mercado. Vale acompanhar os fechamentos dos próximos dias para ver se o cenário se acalma ou se piora.

Este conteúdo é informativo e não é recomendação de investimento.

E você, sentiu ou teme sentir o efeito do dólar no bolso? Conta nos comentários!

Com informações também de: BPMoney, Ric, Forbes Brasil, Exame e NeoFeed.

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