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Para conscientizar a população sobre o transtorno bipolar, a psicopatologia é lembrada no dia 30 de março, através da campanha “Dia Mundial do Transtorno Bipolar”. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), até 2019, estimava-se que 140 milhões de pessoas no mundo tinham sido diagnosticadas com o transtorno, o que representava 1% a 2% da população, podendo chegar a 5%. Com predominância entre os jovens entre 15 e 25 anos, a doença também apresenta picos tardios entre adultos de 45 a 55 anos, aponta o Ministério da Saúde. 

A estudante de biomedicina Mariana Praxedes, 26, faz parte dessa estatística. Antes de ser diagnosticada com transtorno bipolar, em 2018, ela já travava uma luta contra sintomas depressivos desde os 9 anos, após a morte do avô materno. Aos 13 anos, os sintomas depressivos pioraram e Mariana passou a ter o auxílio da psicoterapia por iniciativa dos pais. Aos 16 anos, quando passou a ter sintomas de ansiedade, foi consultada por um psiquiatra pela primeira vez e aos 22, após ser consultada por outro psiquiatra, recebeu o diagnóstico de bipolaridade. 

“Antes do tratamento, no meu caso, predominou a depressão, ideação suicida, tristeza, choro excessivo, solidão e sonolência. Os maiores prejuízos para mim foram (e ainda são) sociais e cognitivos, como o isolamento social, esquecimento e dificuldade de concentração. O primeiro ano após o diagnóstico foi caótico, mas após a estabilização dos medicamentos e com o suporte da terapia, eu consegui me reinserir na sociedade e continuar meus estudos”, conta.

Ela também relata que ainda convive com recaídas da doença, mas que não são graves como eram antes do tratamento e que, além dos medicamentos e da psicoterapia, busca ter uma rotina que favoreça o seu bem-estar, como a definição de horários para cumprir atividades e a regulação do sono. Ela ainda cita que uma rede de apoio satisfatória e a aceitação da doença contribuíram com a sua melhora.

Tratamento de imediato

De acordo com a psicóloga e professora do Centro Universitário Tiradentes (Unit/AL), Raquel Lima Pedrosa de Almeida, o transtorno bipolar se caracteriza pela alternância de sintomas depressivos com os sintomas de mania. Entre os sintomas psíquicos estão desânimo, tristeza, perda de interesse nas atividades diárias, fadiga, baixa autoestima. E entre os sintomas comportamentais estão compulsão alimentar, hiperatividade, gastos excessivos e outros.

“O diagnóstico de transtorno bipolar é mais difícil de ser dado porque ele tem sintomas característicos de outras doenças, como a depressão. Então, temos que ter certa parcimônia na hora de diagnosticar, para ver se há uma alternância entre a depressão e a mania, que caracteriza o transtorno bipolar”, informa.

A professora ainda explica que em meio a etapa de mapeamento dos sintomas, o paciente deve ter auxílio a psicoterapia e a medicação, ministrada por um profissional, para que ele possa ter uma melhor qualidade de vida através da minimização dos sintomas. Por isso, ela alerta: o sujeito com sintomas da psicopatologia deve procurar por um profissional da área da saúde mental assim que os sintomas começarem a aparecer. 

“A questão é que muitos pacientes têm dificuldades de reconhecer aquilo ali como um problema e procurar ajuda, só que é fundamental [procurar] porque quanto mais cedo você procurar ajuda, mais cedo consegue um diagnóstico, tratar e melhorar alguns sintomas já apresentados”, ressalta.

Ações para o bem-estar

Para além do tratamento prioritário, que é a psicoterapia e a medicação, a psicóloga também informa que ações alternativas podem ser feitas pelo paciente em prol da qualidade de vida, a exemplo de atividades físicas, caso o paciente sinta prazer em fazer alguma. Ela diz que a indicação de ações também depende dos sintomas de cada paciente e afirma que, independentemente da atividade buscada, o sujeito deve optar por atividades prazerosas.

Ainda segundo Raquel, o transtorno bipolar não tem uma causa específica por ser uma psicopatologia que pode acometer por múltiplos fatores, como a disfunção de neurotransmissores, hereditariedade e os fatores ambientais, como o meio onde o paciente vive e os traumas adquiridos durante a vida. Mas que, independentemente das causas, o transtorno possui tratamento capaz de melhorar a qualidade de vida do paciente.