De acordo com a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), 2026 já pode ser considerado um dos marcos do avanço da eletromobilidade no país. As estimativas para o ano foram revisadas para cima ao longo dos meses.
Em março, a ABVE calculava cerca de 280 mil unidades eletrificadas vendidas em 2026. Posteriormente, a projeção foi elevada para 300 mil e, atualmente, a associação estima que o mercado possa superar 400 mil unidades. Mantido o ritmo observado até julho, o segmento pode ultrapassar 450 mil unidades no ano.
Ainda segundo a associação, a ampliação da oferta de modelos, especialmente de veículos 100% elétricos e híbridos plug-in, tem contribuído para diversificar as opções e acelerar a adesão dos consumidores brasileiros.
O crescimento do interesse por veículos eletrificados também foi identificado pelo levantamento semestral da Webmotors Autoinsights. A pesquisa, realizada em junho de 2026 com 1.100 brasileiros, mostra que os modelos híbridos representam 13% das intenções de compra, enquanto os elétricos correspondem a 5%, totalizando 18% do total. O resultado representa um avanço de quatro pontos percentuais em relação à primeira edição do estudo, realizada no início do ano.
O avanço dos veículos elétricos também coloca em discussão o impacto que o aumento das recargas poderá ter sobre a demanda por eletricidade no país. Segundo Filipe Ferraz, diretor da Solare Energie, a geração solar pode contribuir para atender parte dessa nova demanda.
Desafios para o sistema elétrico brasileiro
Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, a demanda por eletricidade associada à eletromobilidade deve aumentar de 627 GWh em 2025 para 7,8 TWh em 2035, reforçando a importância de considerar essa nova carga no planejamento e no desenho tarifário do setor elétrico.
O estudo da EPE também aborda desafios globais relacionados ao crescimento da eletromobilidade, como a disponibilidade de minerais estratégicos utilizados na fabricação de baterias, em razão da forte concentração geográfica da produção.
Energia solar ganha espaço na expansão da oferta
Em junho de 2026, o Governo Federal aprovou o Plano Decenal de Expansão de Energia 2035, elaborado pela EPE sob a coordenação do Ministério de Minas e Energia. O documento apresenta projeções para a evolução da oferta e da demanda de energia no Brasil entre 2026 e 2035. O plano prevê a manutenção de uma matriz elétrica majoritariamente renovável e considera a expansão da oferta de energia para atender ao crescimento da demanda no período.
Para Filipe, o aumento da demanda por eletricidade faz com que a geração solar ganhe espaço como uma das alternativas para contribuir para o atendimento deste consumo adicional.
"A geração distribuída, modelo que utilizamos para oferecer economia na conta de luz aos consumidores, pode contribuir para atender parte dessa nova demanda por eletricidade", explica.
O diretor da Solare Energie também afirma observar um aumento de clientes interessados em alternativas para reduzir o impacto do consumo adicional provocado pela recarga de veículos elétricos em suas residências.
"O nosso serviço se tornou uma alternativa interessante para essas pessoas. Elas já percebem mudanças nos gastos relacionados ao uso do veículo elétrico e nos procuram para buscar economia na conta de luz, que pode aumentar com o consumo adicional provocado pelas recargas", afirma Filipe.















