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Consórcio cresce com novo perfil do investidor brasileiro

Consórcio cresce com novo perfil do investidor brasileiro
Consórcio cresce com novo perfil do investidor brasileiro

Expansão do setor acompanha consumidores mais atentos ao planejamento, à segurança e à construção patrimonial de longo prazo. O crescimento do consórcio no Brasil vem acompanhado por uma mudança no perfil de quem procura a modalidade.

Além de consumidores interessados na aquisição de veículos ou imóveis, empresários, investidores e profissionais de maior renda passaram a considerar o consórcio em estratégias de organização patrimonial.

Setor mantém trajetória de expansão

Em 2025, o Sistema de Consórcios registrou 5,16 milhões de cotas vendidas, crescimento de 15% em relação ao ano anterior, segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios. No mesmo período, o volume de créditos comercializados chegou a R$ 500,27 bilhões, alta de 32,1%.

O avanço continuou em 2026. Em abril, o setor alcançou 12,94 milhões de participantes ativos, novo recorde e crescimento de 11,6% sobre o mesmo mês do ano anterior. Entre janeiro e abril, foram vendidas 1,87 milhão de cotas, movimentando R$ 179,41 bilhões em créditos, conforme o balanço da ABAC.

Para Emerson Almeida, especialista em alavancagem patrimonial e CEO da Mestre do Consórcio, os números revelam mais do que aumento nas vendas. "O crescimento mostra que o consumidor passou a olhar para o consórcio de forma mais ampla. Ele não quer apenas saber o valor da parcela. Também procura entender como o crédito pode participar de uma estratégia de aquisição e construção de patrimônio", afirma.

Investidor busca retorno e segurança

A transformação ocorre em um ambiente no qual mais brasileiros passaram a investir e acompanhar as próprias decisões financeiras. A 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, realizada pela ANBIMA em parceria com o Datafolha, aponta que 36% da população possui algum investimento financeiro.

O levantamento estima a existência de 60,6 milhões de investidores no país. Entre os principais motivos para investir, 37% citaram a busca por retorno e 26% apontaram a segurança. A pesquisa também mostra que a média de idade do investidor brasileiro é de 43 anos e que o interesse por investimentos está distribuído entre diferentes gerações.

Segundo Emerson, esse investidor tende a analisar o patrimônio como um conjunto de decisões, e não apenas como uma coleção de produtos. "Quem já pensa em retorno e segurança também começa a avaliar liquidez, prazo e custo de oportunidade. O consórcio entra nesse debate como uma ferramenta possível, especialmente quando existe um objetivo de médio ou longo prazo", explica.

Imóveis ganham espaço no planejamento

A mudança de perfil aparece com mais força no segmento imobiliário. Nos quatro primeiros meses de 2026, foram vendidas 557,49 mil cotas de imóveis, crescimento de 48,4% em comparação com o mesmo período do ano anterior. O segmento atingiu 3 milhões de participantes ativos, segundo os dados econômicos da ABAC.

Além da casa própria, os imóveis podem integrar estratégias de geração de renda, diversificação e proteção patrimonial. A utilização da carta pode incluir compra, construção ou reforma, conforme a categoria e as condições previstas no contrato.

"O imóvel continua sendo uma referência para quem busca transformar renda em patrimônio. A mudança está na forma de aquisição: o consumidor passou a comparar alternativas e analisar como preservar recursos para outras oportunidades", pontua Emerson.

O especialista ressalta que o consórcio não deve ser tratado como investimento financeiro. A modalidade não oferece rendimento periódico ou liquidez imediata.

O eventual resultado patrimonial depende do uso do crédito, das características do imóvel e das decisões tomadas ao longo da estratégia.

Planejamento substitui escolha isolada

O novo perfil do investidor também reduz o espaço para decisões baseadas apenas na menor parcela. Prazo do grupo, taxa de administração, índice de reajuste, regras de lance e necessidade de acesso ao crédito precisam ser avaliados antes da contratação.

Como a contemplação ocorre por sorteio ou lance, não há garantia de que a carta será liberada em uma data previamente definida. Isso torna a modalidade mais compatível com consumidores que possuem flexibilidade de prazo e capacidade de planejamento.

"Uma estratégia responsável precisa considerar diferentes cenários. O cliente deve saber o que pretende fazer com a carta, quanto consegue comprometer mensalmente e quais alternativas possui caso a contemplação ocorra antes ou depois do esperado", diz Emerson.

A personalização é especialmente importante porque consumidores com renda semelhante podem possuir objetivos diferentes. Um empresário pode priorizar a preservação do caixa. Um profissional pode buscar renda futura para a aposentadoria. Outro investidor pode querer ampliar o patrimônio imobiliário.

Estratégia ganha importância

O crescimento do mercado sugere que o consórcio deixou de ser analisado apenas como uma alternativa ao financiamento. A modalidade passou a integrar decisões que envolvem aquisição de ativos, preservação de liquidez e planejamento de longo prazo. Essa mudança aumenta a necessidade de orientação, já que o produto isolado não define o resultado.

"O consórcio é um meio de acesso ao ativo, não o objetivo final. O planejamento deve começar pelo patrimônio que a pessoa deseja construir e pela renda que pretende gerar no futuro. Depois disso, é possível avaliar se a modalidade é adequada e como deve ser utilizada", conclui Emerson Almeida.