Após encerrar 2025 com recorde histórico na comercialização de veículos usados e seminovos, o mercado brasileiro segue aquecido em 2026. O cenário positivo para as negociações amplia as oportunidades para compradores e vendedores, mas também exige atenção diante de fraudes como clonagem de veículos, adulteração de sinais identificadores e outras irregularidades que podem gerar prejuízos financeiros e problemas legais.
Dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto) mostram que mais de 18,5 milhões de veículos trocaram de proprietário em 2025, alta de 17,3% em relação ao ano anterior e o melhor resultado da série histórica da entidade. O volume expressivo de negociações reflete o bom momento do setor, mas também aumenta a necessidade de cuidados durante a aquisição de automóveis usados.
Profissionais do setor apontam que mercados aquecidos costumam ampliar o número de negociações realizadas entre particulares e por meio de plataformas digitais, cenário que pode favorecer a atuação de criminosos que tentam comercializar veículos com documentação irregular, adulterações ou origem ilícita.
Crescimento do mercado reforça os cuidados na compra
Entre as fraudes mais recorrentes está a clonagem de veículos, prática em que automóveis roubados ou furtados recebem a identidade de outro veículo regularizado para dificultar sua identificação pelas autoridades e pelos consumidores.
Além da troca de placas, criminosos podem adulterar o número do chassi, a numeração do motor, etiquetas de identificação e outros sinais individualizadores do veículo. Em muitos casos, essas irregularidades só são descobertas durante uma vistoria especializada ou após a transferência de propriedade, o que pode resultar na apreensão do automóvel e em prejuízos para consumidores que realizaram a aquisição de boa-fé.
Reportagem publicada pela revista Quatro Rodas alerta que o aumento das vendas de usados também vem acompanhado de golpes envolvendo veículos clonados, anúncios falsos, intermediações fraudulentas e ofertas com valores muito abaixo da média de mercado, utilizadas para atrair compradores.
Verificação prévia reduz os riscos da negociação
Diante desse cenário, especialistas recomendam que a avaliação do veículo vá além da análise visual e da conferência da documentação apresentada pelo vendedor. Antes de concluir a negociação, é importante verificar a procedência do automóvel, conferir seus sinais identificadores e consultar informações sobre seu histórico.
A consulta ao histórico veicular reúne registros que ajudam a identificar possíveis inconsistências antes da aquisição, incluindo informações sobre sinistros, passagem por leilão, restrições administrativas, histórico de roubo ou furto e outros apontamentos relacionados ao veículo.
Esse levantamento também permite comparar os dados oficiais com as características físicas do automóvel, facilitando a identificação de divergências que possam indicar adulterações ou outros problemas.
Conferência dos sinais identificadores é etapa essencial
Embora muitos compradores concentrem a atenção no estado de conservação e na documentação do veículo, consultores do mercado automotivo destacam que a conferência dos sinais identificadores é um dos procedimentos mais importantes para verificar a autenticidade do automóvel.
O número do chassi, a numeração do motor, as etiquetas de fabricação e outros elementos de identificação funcionam como uma espécie de “impressão digital” do veículo. Quando apresentam sinais de adulteração, remarcação ou incompatibilidade com os registros oficiais, podem indicar a existência de fraude.
Além da conferência desses elementos, também é recomendável desconfiar de ofertas com preços muito abaixo da média de mercado, evitar pagamentos antecipados sem a devida verificação do veículo e, sempre que possível, realizar uma vistoria cautelar antes da conclusão da negociação.
Esses cuidados são especialmente importantes em negociações realizadas entre particulares, nas quais normalmente não há uma avaliação técnica prévia do automóvel.
Prevenção continua sendo a principal estratégia
Especialistas avaliam que nenhuma medida isolada elimina completamente o risco de fraudes na aquisição de veículos usados. No entanto, a combinação entre análise documental, conferência dos sinais identificadores, vistoria técnica e consulta ao histórico veicular amplia significativamente a segurança da negociação.
Segundo o CEO do Placaí, Emerson Teles, essa etapa funciona como uma medida complementar de segurança durante a negociação.
"As fraudes estão cada vez mais sofisticadas e, muitas vezes, não são perceptíveis durante uma avaliação visual do veículo. Conferir informações como chassi, motor e o histórico do automóvel permite identificar inconsistências antes da compra e reduz significativamente o risco de prejuízos ao consumidor."
De acordo com o Placaí, o acesso antecipado ao histórico do automóvel permite que o consumidor identifique possíveis inconsistências, avalie os riscos da negociação e tome uma decisão mais consciente antes de concluir a compra.
Em um mercado que movimenta milhões de negociações todos os anos, especialistas avaliam que a prevenção continua sendo a principal aliada do consumidor. A adoção de procedimentos simples, como a conferência dos documentos, dos sinais identificadores, da procedência e do histórico do veículo, pode reduzir bastante os riscos e proporcionar maior segurança na aquisição de um automóvel usado.














