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A evasão escolar não acontece, necessariamente, de uma hora para outra. Antes de uma matrícula ser encerrada, podem surgir sinais de afastamento que passam despercebidos pela instituição. Queda na frequência, menor participação da família, dificuldades financeiras e perda de interesse pelas atividades são alguns dos fatores que podem anteceder a saída do aluno.

Dados da PNAD Contínua 2025 ajudam a dimensionar o problema: entre os jovens de 14 a 29 anos que abandonaram ou nunca frequentaram a escola, 43% apontaram a necessidade de trabalhar como principal motivo, enquanto 25,6% citaram a falta de interesse em estudar.

Para Thales Sedenho, especialista em marketing educacional, enfrentar a evasão exige que as instituições olhem para além da captação de novas matrículas. A permanência também precisa fazer parte da estratégia de relacionamento com alunos e famílias. No conteúdo "Evasão e permanência: a metade da conta que quase ninguém otimiza", o especialista aborda justamente como dados e comunicação podem ajudar as instituições a identificar sinais de afastamento.

"Uma instituição não deve esperar o pedido de transferência para descobrir que havia um problema. Existem sinais anteriores e muitos deles estão nos próprios dados que a escola já possui", explica.

Frequência, desempenho, participação em atividades, comunicação com responsáveis e até informações financeiras podem, quando analisados em conjunto, ajudar a identificar mudanças no comportamento do aluno. Entre os sinais que podem ser acompanhados estão a queda de frequência, o silêncio da família, o primeiro atraso de pagamento e até pedidos de documentos para transferência.

Da captação à permanência

No guia de marketing educacional, Thales destaca que o ciclo de relacionamento com o aluno não termina no momento da matrícula. A decisão de permanecer também faz parte da experiência da família e precisa ser considerada na estratégia das instituições.

Segundo o especialista, os primeiros meses são especialmente importantes para confirmar se a realidade encontrada pelo aluno corresponde às expectativas criadas durante o processo de escolha. Uma comunicação próxima, acompanhamento da adaptação e a abertura para ouvir a família podem ajudar a construir esse vínculo.

A estratégia também pode ser aplicada à rematrícula. Em vez de concentrar o relacionamento apenas no período em que a renovação precisa ser formalizada, a instituição pode acompanhar a satisfação das famílias ao longo de todo o ano e identificar possíveis problemas com antecedência.

O próprio conteúdo de rematrícula escolar publicado pelo especialista apresenta essa etapa como algo a ser trabalhado antes do momento em que a família precisa tomar a decisão.

"Marketing educacional não é apenas convencer uma família a escolher determinada escola. É também construir uma experiência que faça sentido depois que ela entrou", afirma.

Evasão como indicador de experiência

Além do impacto pedagógico e social, a evasão representa um desafio financeiro para instituições privadas. A perda de um aluno significa não apenas uma matrícula a menos, mas também a interrupção de uma receita que estava prevista para aquele ciclo.

Por isso, acompanhar indicadores de permanência pode contribuir para decisões de gestão. Taxas de renovação, evasão por turma ou série, frequência e nível de interação das famílias são exemplos de informações que podem ser acompanhadas ao longo do ano.

A lógica também se conecta à captação de alunos. Para Thales, não basta acompanhar quantos novos estudantes entram: é preciso observar o que acontece depois da matrícula e entender se a instituição está conseguindo manter essa base.

Nesse cenário, entender por que um aluno permanece pode ser tão importante quanto descobrir por que outro decidiu sair. Para as instituições de ensino, a combinação entre dados, escuta e relacionamento pode transformar a prevenção da evasão em uma estratégia contínua, e não apenas em uma ação realizada quando o problema já está instalado.

Comunicação como parte da estratégia

A tecnologia também pode contribuir para esse acompanhamento. Sistemas de CRM e ferramentas de relacionamento permitem organizar informações de diferentes etapas da jornada do aluno e criar ações de comunicação mais direcionadas.

Mais do que enviar mensagens em massa, a proposta é utilizar os dados disponíveis para entender em que momento cada família está e qual tipo de contato pode ser mais adequado. Essa abordagem faz parte de uma visão de marketing educacional que integra captação, relacionamento, conversão e permanência.

Para Thales, quando a instituição acompanha a jornada completa, o marketing deixa de atuar apenas para atrair e matricular novos alunos e passa a contribuir também para a construção de relacionamentos de longo prazo.

Confira também: Evasão e permanência: a metade da conta que quase ninguém otimiza | www.thalessedenho.com.br/evasao-e-permanencia

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