A pouco menos de um mês do início da Copa do Mundo, um estudo com base em mais de 20 milhões de menções diretas ao torneio em todos os idiomas, coletadas entre 1º de janeiro e 5 de maio de 2026, revela que a conversa ao redor do evento vai muito além dos 104 jogos previstos em campo — e que os territórios mais estratégicos para marcas brasileiras ainda não foram ocupados por ninguém.
O levantamento é da Content CO, agência de conteúdo fundada por brasileiros, que atua nos três países-sede da Copa do Mundo de 2026, servindo a Major League Soccer (Estados Unidos e Canadá) e a Liga MX (México). A Content CO tem sedes em Orlando, nos Estados Unidos, e em São Paulo, no Brasil.
"Fizemos esse estudo global porque queríamos entender a conversa real, não a oficial. O que os fãs estão dizendo, o que estão sentindo, onde estão os espaços ainda em aberto. Essa inteligência é valiosa para qualquer marca que queira participar do maior evento do planeta, independentemente do seu vínculo com o torneio", diz Leonardo Stamillo, CEO e fundador da Content CO.
A seguir, 10 insights para marcas a partir do levantamento:
- 1. A "marca Brasil" é imbatível Nenhum outro país é mais relacionado ao futebol do que o Brasil. Mesmo sem vencer uma Copa há 24 anos, a Seleção é a mais mencionada no mundo inteiro. De todos os posts sobre os 48 times da competição, 12,9% falam da equipe brasileira, bem mais do que a França, segunda colocada, com 7,5% — atual campeã, a Argentina representa apenas 6,6% do total. Em comparação com as 20 seleções mais fortes do planeta, de acordo com o ranking da Fifa, o Brasil é o que tem a maior proporção de menções positivas: 22,7%. Entre as campeãs do mundo, as que mais se aproximam são Inglaterra (13,3%), Espanha (12,6%) e Argentina (10%). "Ser brasileiro já é um diferencial competitivo nessa Copa. Os dados mostram que a Seleção carrega em si uma plataforma que pode — e deveria — ser usada por todos nós", analisa Stamillo.
- 2. Os fãs estão (muito) ansiosos Termos relacionados à convocação da Seleção e ao início da Copa estão entre os mais usados na conversa sobre o torneio no Brasil. O maior debate é se Neymar deve ou não ser chamado pelo técnico Carlo Ancelotti. Os dois lideram a lista de nomes mais mencionados nas redes sociais. O atacante do Santos é citado 2,5 vezes mais do que Vinícius Jr., principal jogador brasileiro da atualidade e eleito melhor do mundo em 2024. Endrick, outro que ainda não garantiu presença na lista definitiva do treinador, é o quarto mais lembrado. Além de discutir os escolhidos de Ancelotti, os torcedores estão falando bastante sobre a estreia do Brasil, no dia 11 de junho, contra Marrocos, e as chances da equipe de conquistar o hexa. "O Brasil já ligou o modo Copa, e a tendência é que isso se intensifique ainda mais daqui até junho. Estamos falando de quatro semanas-chave para quem quiser fazer parte dessa conversa de forma genuína e relevante", diz Leandro Mota, Chief Content Officer e cofundador da Content CO.
- 3. Os clubes são elementos centrais na conversa Todos os grandes clubes de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul aparecem na conversa sobre a Copa e, somados, superam as menções à própria Seleção. Além disso, o sentimento relacionado a eles é consistentemente positivo. O motivo: os fãs de futebol acompanham o Mundial com a lente do seu clube de coração, defendendo seus jogadores, cobrando convocações e assistindo a jogos de outras Seleções pelas quais seus ídolos atuam. "Marcas que já têm vínculo com clubes brasileiros ou possuem forte presença regional não precisam começar do zero na Copa. Elas já têm audiência, contexto, e credibilidade. O trabalho é conectar os pontos", explica Marcos Peres, presidente da Divisão de Esportes da Content CO.
- 4. Pelé está mais vivo do que nunca O Rei do Futebol é o quarto brasileiro mais mencionado nas conversas sobre Copa do Mundo em todo o planeta, atrás apenas de Neymar, Vini Jr. e Endrick. Ele é constantemente citado em debates sobre quem foi o melhor jogador da história, lembranças de sua passagem pelo futebol dos Estados Unidos e posts relacionados à conquista do tricampeonato mundial no México, em 1970. E o que os dados revelam vai além do volume: as citações a Pelé nos três maiores mercados do continente — Estados Unidos, México e Brasil — carregam um sentimento altamente positivo. No México, seu índice supera o de Messi e é três vezes maior que o de Cristiano Ronaldo.
- 5. O contexto sobre cada jogador importa Não basta escolher um jogador famoso para se associar — o sentimento em torno de cada nome varia significativamente dependendo do mercado. As conversas sobre Vinicius Jr., por exemplo, são positivas no Brasil e nos Estados Unidos, mas negativas no México. Neymar faz o caminho inverso, com menções majoritariamente negativas "em casa" e positivas nos países-sede da Copa. O jogador mais citado em todo o planeta é Messi, seguido de perto por Cristiano Ronaldo. Nos EUA, porém, o volume de menções ao argentino é 52% superior ao do português, reflexo, claro, das conquistas dele no Inter Miami, atual campeão da MLS.
- 6. A Copa do Mundo é MUITO feminina As mulheres representam um quarto de toda conversa sobre a Copa do Mundo. No Brasil, esse índice é de 27%, segundo maior share entre os dez países que mais falam sobre o torneio, atrás apenas dos Estados Unidos, com 29%. Mas o dado mais revelador não é o volume, é o comportamento. Enquanto o público masculino usa um vocabulário mais tático e competitivo ("classificação", "duelo", "elenco"), o feminino amplia a conversa e se refere ao torneio como um evento grandioso que vai além do campo. Uma análise qualitativa revela ainda que as mulheres brasileiras estão mais confiantes no hexa. "Em 2027, o Brasil recebe a Copa do Mundo Feminina. A marca que começar essa conversa agora vai chegar nesse momento com uma relação já construída", lembra Peres.
- 7. Não é só futebol: é música, games e televisão As pessoas que estão falando sobre Copa do Mundo no Brasil também participam ativamente de outras conversas — e os três tópicos mais presentes são música, games e televisão, incluindo filmes, novelas e streaming. "Nosso estudo mostra que a Copa não existe em um vácuo, ela se junta a outros universos que o torcedor já habita", diz Mota. "A chegada do torneio aproxima esses territórios ainda mais e abre espaço para marcas que nunca exploraram o futebol encontrarem um ponto de entrada autêntico, sem competir com quem já está estabelecido". O cenário no Brasil é diferente do encontrado nos Estados Unidos, onde os interesses secundários mais fortes são vida em família (viagens, estudos, maternidade, rotina), política e literatura.
- 8. Os fãs brasileiros são protagonistas O Brasil é o segundo país que mais fala sobre Copa do Mundo em todo o planeta, sendo responsável por 9% de todos os posts. Os Estados Unidos, onde vão acontecer a maior parte dos jogos do torneio, lideram o ranking, com 14%. Dentro do território americano, o português é o terceiro idioma usado nas conversas relacionadas à competição, atrás apenas de inglês e espanhol. Por trás desse número está uma comunidade brasileira que fala da Copa com muito mais entusiasmo do que o público local. O sentimento positivo entre eles é quatro vezes maior do que na conversa em inglês, e a saudade é o fio condutor: referências ao Rio de Janeiro, a Copacabana e à cultura do Brasil aparecem com frequência muito superior à de qualquer cidade do país-sede.
- 9. O maior mercado do mundo é multilíngue Nos Estados Unidos, a conversa sobre a Seleção Brasileira acontece simultaneamente em quatro idiomas: português, inglês, espanhol e árabe, com registros também em japonês. Não se trata de bolhas separadas: latinos, brasileiros, americanos e comunidades asiáticas acompanham o torneio em paralelo, e suas conversas se cruzam em torno dos mesmos jogadores e narrativas. "Para marcas brasileiras que desejam se comunicar nesse mercado, isso significa que uma estratégia construída em torno de um único idioma deixa audiências inteiras de fora, e que conteúdo visual e cultural atravessa essas fronteiras com muito mais eficiência do que texto", analisa Peres.
- 10. Política e guerra são os maiores riscos A Copa do Mundo acontece em um momento de tensão geopolítica elevada, e isso se reflete diretamente na conversa sobre o torneio. Uma em cada quatro menções à Seleção dos EUA é negativa. Esse é o maior índice de rejeição entre os 48 times participantes. Os temas mais recorrentes nesses posts são a guerra contra o Irã, política migratória e tarifaço. O presidente Donald Trump tem mais menções do que Messi ou Cristiano Ronaldo. Campanhas de boicote ao torneio e preocupações com a segurança do evento são outros temas negativos que aparecem na conversa. "Estratégia de conteúdo não é apenas sobre o que dizer, é também sobre o que evitar. Uma marca que entra sem conhecer o terreno pode se ver associada a narrativas que não escolheu e das quais dificilmente vai conseguir se dissociar", diz Stamillo.
Sobre a Content CO
A Content CO é uma agência que desenvolve estratégias de conteúdo com mentalidade de produto, combinando dados, criatividade e storytelling para ajudar clientes a construir conexões mais sólidas, expandir suas audiências e descobrir novas oportunidades de negócio. Fundada por brasileiros, a Content CO é baseada em Orlando, Estados Unidos, e São Paulo, Brasil. Entre seus clientes estão Major League Soccer (MLS), Liga MX, Amazon Web Services (AWS), EBANX e Unico Skill.














