Os “buracos” que fazem Bird Box ser um sucesso.

Assim como a caixa dos pássaros estava cheio de furos para respirar, o filme Bird Box possui alguns furos, algumas falhas na produção, veja alguns deles.

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Já vamos falar que este post tem muitos spoilers do filme “Bird Box”, da Netflix.

Que o filme se tornou um sucesso mundial, isso todos sabem, o filme mais assistido na Netflix em todos os tempos, mais de 45.000.000 de pessoas o assistiram em uma semana.

Este filme foi inspirado em um romance pós-apocalíptico escrito por Josh Malerman, publicado em março de 2014. E desde que estreou na Netflix, em Dezembro de 2018, quatro anos depois e está dando o que falar no Whatsapp, Facebook, Twitter, canais no Youtube, e etc.

Livro Bird Box de Josh Malerman
Livro Bird Box de Josh Malerman

Para alguns fãs a diversão é “caçar” as falhas que o filme possui, afinal de contas o filme aponta para algumas lacunas lógicas.

As regras em “Bird Box” não são totalmente articuladas nem compreendidas, deixando um espaço muito grande para discussões, debater os seus mistérios e, se houver, seu alegórico significado.

Por exemplo, uma das perguntas que não quer calar: O que houve com os personagens Felix e Lucy, depois que roubaram o carro e fugiram da casa onde estavam?

Por estas e outras que levantamos algumas semelhanças, algumas lacunas, alguns erros, enfim.

Muitas pessoas compararam o “Bird Box” com um outro grande filme de terror chamado “A Quiet Place” ou “Um Lugar Silencioso“, um filme americano, também lançado em 2018, também com gênero pós-apocalíptico, escrito e dirigido por Jonh Krasinski, que conta a história de uma família que devem viver a vida em silêncio enquanto se escondem de criaturas que caçam suas vítimas pelo som.

Em “Bird Box”, algumas lacunas têm explicações, desde que você saiba procurar, algumas escondidas no próprio filme e outras no livro que deu origem ao filme.

Por quê fugir das criaturas, se elas não são sólidas?

Pessoas correndo em Bird Box
Pessoas correndo em Bird Box

A razão mais compreensível seria…Pânico! Caso contrário não tem outro motivo, ninguém pode dizer ao certo o que eram estas entidades – são demônios? Artefato de guerra biológica? Espírito Maligno? Seja lá o que for não era sólida.

Eles afetavam o cérebro, imitando vozes conhecidas, sombras assustadoras e até mesmo “chicotear” o vento, mas não parecem ser capazes, por exemplo, de derrubar portas, janelas, muito menos chegar perto da vítima e tirar a venda dos olhos. Então, não tem necessidade de correr das criaturas.

Ah, e apenas uma curiosidade, uma das cenas que foi deletada do filme era justamente a parte que seria exibida a forma da criatura de “Bird Box” e, durante as gravações Sandra Bullock não simplesmente conseguia gravar, pois a criatura, ao ver dela (e mais tarde a equipe de produção concordou com ela) era muito engraçada.

Era um homem verde com um rosto horrível de bebê. Tinha uma forma de cobra e eu não quis ver até gravarmos a cena. Então me virei e a criatura está rosnando pra mim, me fazendo rir. Era apenas um bebê longo e gordo“, completou Sandra. E, o que era pra ser aterrorizante se tornou engraçado.

Criatura de Bird Box, que você achou?
Criatura de Bird Box, que você achou?

E as pessoas que têm visão embaçada, ou algum outro tipo de deficiência visual, que não fosse cegueira?

BD Wong em uma cena de Bird Box
BD Wong em uma cena de Bird Box

A marca registrada do filme foram as famosas vendas que os personagens usavam para se protegerem das criaturas, mas estas vendas não tapavam 100%, era possível ver alguns feixes de luz e sombras, portanto, uma pessoa que usa lente corretiva era só tirar a lente para se proteger. Em algum ponto entre a cegueira e a visão perfeita, existe um limiar crítico e de proteção.

Que supermercado é este que vende walkies-talkies e pássaros???

Personagem de Sandra Buulok e os pássaros no mercado
Personagem de Sandra Buulok e os pássaros no mercado

Na vida real, provavelmente, nenhum ?!? Depois que os personagens decidem sair da casa que estavam para pegar mantimentos, eles saem com uma SUV com sensores de proximidade em todos os cantos, com os vidros pintados guiando-se apenas pelo GPS, passando por “lombadas” de cadáveres, chegam um supermercado, que faz jus ao nome “Super”.

Normalmente em mercados reais até é possível encontra alimentos para os animais ou baterias para os walkie-talkies, mas sem Os animais vivos ou O aparelho, nos EUA chegaram a ligar nos mercados para perguntar se possuíam estes itens, mas os atendentes riam da pergunta. Por quê será né?
E se no mercado vende comida para animais, vem a próxima pergunta.

Onde estão os animais de estimação?

De acordo com a AVMA – American Veterinary Medical Association, a maioria dos lares americanos possuem pelo menos um animal doméstico, sendo assim, o que houve? Onde estão? Como vivem? (Essa nem o Sergio Chapelin responde no Globo Repórter)

Bom, continuando … Apenas um único cavalo aparece nos noticiários e claro, os famosos pássaros. Seria então, que os animais são vulneráveis as criaturas?

No livro existem algumas respostas. As aves não são totalmente imunes, no livro parece que existe relato sobre um bando de migratórios que se matam em pleno ar. Mas no livro há relatos de pessoas que usam cães-guia, e um deles é infectado. Inclusive no final da história alguns cães surgem no local onde as pessoas estão refugiadas o que dá a entender que estes animais foram protegidos.

Como o personagem “Dedo de Peixe”, estava vivo?

Personagem Dedo de Peixe lutando para sair.
Personagem Dedo de Peixe lutando para sair.

O Dedo de Peixe ou “Fish Finger” (Matt Leonard) era o personagem que o grupo encontrou preso na doca de carga por pelo menos quatro dias. O ser humano consegue sobreviver, no máximo 4 dias sem água, e com certeza no 4º dia você já não estaria com forças para ficar em pé, ao contrário do Dedo de Peixe que além de ficar este tempo todo preso sem comer e beber teve forças suficiente para empurrar uma porta com mais 3 pessoas fazendo força contrária para mantê-la fechada.

Depois de tanto tempo, como Malorie (Bullock) e Tom (Rhodes) conseguiram manter uma aparência tão saudável?

Malorie (Bullock) e Tom (Rhodes)
Malorie (Bullock) e Tom (Rhodes)

Após cinco anos de alimentação um tanto deficiente, subnutrida, vamos assim dizer e como observaram no Twitter, Tom estava tonificado e até com o cabelo cortado.

E sem contar na beleza, na saúde e até os cabelos muito bem cuidados de Malorie.

O que pode justifica-se é, observando no filme, que eles realmente sobreviveram a base de comida enlatada, incluindo atum que é rico em proteínas, feijões, nozes e adquirem isso entrando em casas e supermercados abandonados, e aprenderam a sobreviver com alimentos plantados no grande jardim que aparece no filme na casa em que moravam.

De acordo com o livro, preocupada com o esgotamento de alimentos, Malorie também aprendeu a pescar enquanto estava com os olhos vendados usando uma vara de pescar enferrujada feita a partir de um guarda-chuva.

Apesar do aspecto saudável que a Malorie apresenta no filme, no livro ela é magra, com pele tensa e pálida devido a desnutrição, então em resumo, Hollywood faz muito bem para o casal.

Como aqueles pássaros sobreviveram dentro de uma caixa?

Pássaros na caixa em "Bird Box"
Pássaros na caixa em “Bird Box” 🙂

Aparentemente a espécie dos pássaros em “Bird Box” é de origem australiana conhecido como Periquito-Esplêndido (Neophema splendida) e em cativeiro ele é uma espécie pacífica e que passa muito tempo em silêncio (lembra que o alerta dos personagens foi justamente a forma agitada que os pássaros ficavam ao sentirem a presença da criatura), ela resiste ao frio, porém é muito sensível a nevoeiro, umidade, e corrente de ar. (observe a foto abaixo)

Da esquerda, Julian Edwards, Bullock e Vivien Lyra Blair em "Bird Box".
Da esquerda, Julian Edwards, Bullock e Vivien Lyra Blair em “Bird Box”. 

Lembrando do tempo, clima, a falta de alimentos no barco, o tempo que eles ficaram descendo rio, ou seja, era para ter só “a Box” porquê “os Birds”…

Não teria a mínima possibilidade dos pássaros sobreviverem a estas condições.

Fonte: The New York Times

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