Crianças expostas a dois idiomas desde a infância desenvolvem habilidades cognitivas superiores às de estudantes monolíngues, e essas vantagens se refletem diretamente no desempenho em vestibulares como o Enem, a Fuvest e a Unicamp. É o que indicam pesquisas de neurociência e linguística aplicada, entre elas os estudos da pesquisadora Ellen Bialystok, da Universidade de York (Canadá), que identificou em crianças bilíngues maior capacidade de controle inibitório e flexibilidade cognitiva — competências diretamente relacionadas ao desempenho em exames de acesso ao ensino superior. Diante de um cenário em que o Enem 2023 reuniu cerca de 3,9 milhões de inscritos e a disputa por vagas nas melhores universidades do país se torna cada vez mais acirrada, a educação bilíngue tem sido apontada como uma das estratégias mais consistentes para garantir alta performance ao longo da trajetória escolar.
Revisões científicas publicadas na Enciclopédia sobre o Desenvolvimento na Primeira Infância apontam que crianças bilíngues apresentam vantagens significativas em tarefas não verbais de resolução de problemas, flexibilidade mental e capacidade de selecionar variáveis relevantes para a tomada de decisão. Para a doutora em Linguística Aplicada Ana Cláudia Kfouri Lázaro, professora da PUC-SP, esses fatores se traduzem em vantagens concretas quando o estudante precisa lidar com as diferentes demandas de vestibulares como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
O inglês como ferramenta de aprendizado — não apenas como disciplina
Ainda segundo a Enciclopédia sobre o Desenvolvimento na Primeira Infância, na abordagem bilíngue, o segundo idioma deixa de ser uma disciplina isolada e passa a ser utilizado como veículo de acesso ao conhecimento em diferentes áreas do currículo — alunos aprendem conteúdos de ciências, história ou matemática também em inglês, ampliando o vocabulário acadêmico e desenvolvendo fluência em contextos reais de uso. Análises reunidas pela mesma publicação indicam que crianças bilíngues entre 4 e 8 anos evidenciam vantagens na resolução de problemas que requerem controle da atenção, bem como em habilidades metalinguísticas, ou seja, a capacidade de refletir sobre o funcionamento da própria linguagem. Essas competências favorecem a compreensão de enunciados complexos e a interpretação de diferentes formatos de texto, habilidades centrais nos principais vestibulares brasileiros.
Vestibulares exigem mais do que memorização
Segundo a Matriz de Referência do Enem, publicada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o exame estrutura suas avaliações em torno de cinco competências e 30 habilidades, com ênfase em leitura crítica, argumentação e resolução de situações-problema. Esse cenário evidencia a necessidade de uma formação que vá além da memorização e desenvolva competências interpretativas e analíticas desde os anos iniciais. A preparação progressiva — que inclui o contato com diferentes formatos de prova, a prática constante de exercícios e o desenvolvimento da escrita dissertativa — contribui para que os estudantes cheguem ao período de avaliações com maior confiança e estratégia.
Currículo integrado como estratégia de formação
Instituições de ensino têm adotado a combinação entre currículo bilíngue e preparação estruturada para avaliações de acesso ao ensino superior como parte de uma proposta pedagógica mais abrangente. Quando essas duas dimensões são trabalhadas de forma integrada, os estudantes desenvolvem simultaneamente repertório cultural e linguístico, capacidade analítica e base acadêmica consistente.
"Quando o inglês deixa de ser apenas uma disciplina e passa a ser uma ferramenta de aprendizagem, o aluno ganha não só fluência, mas também mais repertório, autonomia e capacidade de resolver problemas complexos — competências essenciais para um bom desempenho nos principais vestibulares do país", afirma Rogério Scarparo, diretor comercial do AZ Bilingual.














