O empresário Thyago Borges de Lima assumiu em janeiro de 2026 o cargo de diretor de Desenvolvimento Institucional do Comitê Tributário Brasileiro (CTB). A organização, sediada em Brasília, reúne especialistas das áreas jurídica, econômica, contábil e empresarial e atua como fórum de debate técnico sobre a Reforma Tributária.
O CTB é presidido por Adriano Subirá, ex-auditor da Receita Federal com mais de 32 anos de atuação. Subirá participou ativamente da elaboração dos projetos de lei complementar (PLPs) 68/2024 e 108/2024, que regulamentam pontos centrais da reforma, e já atuou como consultor do Fundo Monetário Internacional (FMI) em missões técnicas internacionais. Sob sua liderança, o comitê busca consolidar-se como referência técnica no debate fiscal.
Reforma tributária e novos desafios
A nomeação de Borges ocorre em meio à implementação da maior reforma tributária da história. A Emenda Constitucional 132/2023 prevê a substituição gradual de cinco tributos (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) por dois novos: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de competência estadual e municipal. A transição deve se estender até 2033.
A complexidade do processo tem gerado demanda crescente por orientação técnica. De acordo com o levantamento Panorama do Contas a Pagar 2026, conduzido pela Qive com apoio da Opinion Box, aproximadamente 60% das pequenas e médias empresas ainda não iniciaram qualquer ação preparatória em relação à reforma tributária, evidenciando baixo nível de maturidade em diagnóstico de impacto e planejamento de transição. Estas empresas precisam avaliar impactos sobre precificação, créditos tributários e fluxo de caixa, enquanto profissionais da contabilidade e do direito buscam atualização para orientar clientes durante o período de convivência entre sistemas.
Nesse contexto, o CTB vem ampliando sua atuação. A entidade publica notas técnicas e estudos de impacto, organiza eventos, painéis e audiências temáticas, além de manter cooperação com universidades e órgãos públicos. Nos três primeiros meses de presença no LinkedIn, o perfil do CTB já contabilizou mais de 3 mil assinantes, publicando análises sobre CBS, IBS, split payment e impactos nas demonstrações financeiras das empresas.
Entre as iniciativas em curso está a criação de câmaras setoriais, voltadas a analisar efeitos da reforma em segmentos como indústria, varejo, agronegócio, serviços e tecnologia. A proposta é reunir especialistas para produzir análises aplicáveis à realidade de cada setor.
Na nova função, segundo informações públicas disponíveis, Borges terá como missão ampliar a presença institucional do CTB junto a entidades empresariais e fóruns de governança. Para ele, "estar no centro da maior reforma tributária da história do Brasil é, antes de tudo, uma responsabilidade", destaca. O trabalho envolve articulação de parcerias estratégicas e representação da entidade em debates sobre o ambiente fiscal brasileiro.
A importância do CTB no cenário tributário nacional
A existência de organismos apartidários dedicados ao estudo e à disseminação de informações qualificadas sobre a Reforma Tributária é considerada relevante por setores da academia e do mercado. Esses órgãos buscam contribuir para ampliar a transparência e o acesso à informação entre contribuintes e autoridades fiscais, ao oferecer análises técnicas e estudos de impacto sobre a transição do sistema tributário.
O CTB mantém site institucional disponível em comitetributario.com.br, onde publica seu blog com análises sobre temas tributários em pauta. Entre os artigos recentes estão textos sobre como contabilizar CBS e IBS, sobre o impacto do split payment no reconhecimento de receita e sobre as formas de extinção de débitos previstas na LCP 214/2025.
Ao promover debates e reunir especialistas, o CTB busca fortalecer o diálogo técnico entre sociedade civil, empresas e governo, apoiando a adaptação de diferentes setores às novas regras tributárias e contribuindo para maior transparência no processo de implementação da Reforma Tributária.











