O avanço da inadimplência entre empresas no Brasil em 2025 apresentou concentração em setores específicos da economia. Dados da Serasa Experian indicam que serviços e comércio responderam pela maior parte das empresas com contas em atraso no período.
Segundo o levantamento, o setor de Serviços concentrou 55,2% das empresas inadimplentes, enquanto o Comércio representou 32,7% do total. Os demais segmentos, como Indústria e setor Primário, apresentaram participação menor no volume de empresas negativadas.
Ao todo, o país encerrou 2025 com 8,9 milhões de empresas inadimplentes, somando R$ 213 bilhões em dívidas. Na comparação com 2024, houve aumento de aproximadamente 2 milhões de empresas com restrições de crédito, mantendo o indicador no maior nível da série histórica.
Ainda de acordo com a Serasa Experian, mais de 90% das empresas inadimplentes são micro e pequenos negócios, que possuem menor acesso a linhas de crédito estruturadas e maior dependência de recursos de curto prazo.
O Relatório de Estabilidade Financeira, do Banco Central do Brasil, indica que o ambiente recente foi marcado por deterioração das condições de oferta de crédito e menor tolerância ao risco por parte das instituições financeiras. A autoridade monetária também aponta que os ciclos de elevação da taxa de juros afetam a capacidade de pagamento das empresas, com impacto mais rápido sobre negócios de menor porte, devido à rolagem mais curta de suas dívidas.
Em março de 2026, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic para 14,75% ao ano. Apesar do movimento, o Banco Central alerta que os efeitos da política monetária sobre o crédito ocorrem de forma gradual, em um ambiente ainda caracterizado por condições financeiras mais restritivas.
Nesse cenário, a forma de utilização do crédito passa a ser um fator relevante na gestão financeira das empresas. "O desafio está em alinhar o uso do crédito ao ciclo financeiro da empresa", afirma Lucas Rocha, CRO da PayPay.
A PayPay, plataforma de tecnologia financeira, permite que as empresas realizem pagamentos, como boletos, impostos e transferências via Pix, utilizando o limite do cartão de crédito, com possibilidade de parcelamento.
De acordo com a empresa, o modelo possibilita que fornecedores e credores recebam os valores à vista, enquanto a empresa organiza o pagamento de forma parcelada. A alternativa pode ser utilizada em situações em que há necessidade de cumprir obrigações financeiras sem recorrer ao atraso, que envolve a incidência de encargos.
Os dados da Serasa Experian também mostram aumento no valor médio das dívidas por empresa ao longo de 2025, refletindo o acúmulo de compromissos financeiros no período.
O Banco Central do Brasil aponta que o ambiente econômico segue marcado por incertezas e condições financeiras mais apertadas, sinalizando que o comportamento do crédito e da inadimplência tende a continuar sendo influenciado pelo cenário macroeconômico.










