A EcoPay passa a oferecer cashback também a pessoas físicas que comprovem, por meio de nota fiscal, a compra de produtos recicláveis de marcas com certificação ambiental reconhecida ou que atendam aos critérios de reciclabilidade definidos pela plataforma. O consumidor envia o documento pelo aplicativo, e a plataforma faz a leitura automática, identifica os itens e cruza cada um deles com um banco de dados interno de marcas e produtos considerados recicláveis.
Havendo correspondência, o valor é convertido em crédito disponível na EcoPay Shop, a loja online da companhia. O mecanismo de cashback, que já atende pessoas jurídicas, passa agora a contemplar também pessoas físicas, ampliando a operação para os dois públicos.
A chegada ao consumo de varejo também muda a leitura que a companhia faz do mercado, na avaliação de Breno Moutinho, founder e CEO da EcoPay. Até agora, conforme relata, a operação enxergava o mercado pelo lado da oferta, formado por empresas que geram e comprovam a destinação de seus resíduos.
"O contato direto com o consumo final passa a expor o lado da demanda e permite identificar quais categorias e decisões de compra têm potencial de pressionar marcas a buscar certificação ou a melhorar a reciclabilidade das embalagens", assinala Moutinho. Ele ainda descreve o movimento como o fechamento de um ciclo que a empresa operava apenas pela metade.
Transparência pode ter peso competitivo
O lançamento chega a um mercado em que a informação ambiental raramente é comparável no ponto de venda. Greenwashing, ou maquiagem verde, é o uso de apelo ambiental em rótulos e campanhas sem comprovação que sustente a alegação. A terceira edição da pesquisa Greenwashing no Brasil, conduzida pela Market Analysis Brasil com apoio do Instituto Akatu, avaliou 2.098 produtos e identificou 4.509 alegações ambientais. Em 2024, 81% dos produtos analisados apresentaram informações enganosas relacionadas ao meio ambiente, e 50% deles acumulavam dois ou mais tipos de greenwashing.
No campo regulatório, a comprovação de resultados de reciclagem já se apoia em documento fiscal: o Decreto 11.413, de 13 de fevereiro de 2023, instituiu os certificados de crédito de reciclagem e estabeleceu regras para sua comprovação, incluindo o uso de notas fiscais eletrônicas. Em 21 de outubro de 2025, o Decreto Federal nº 12.688 instituiu o Sistema de Logística Reversa de Embalagens de Plástico e estabeleceu metas para a coleta e reciclagem desses materiais.
Da nota fiscal ao crédito
De acordo com o fundador, a identificação dos produtos é feita pela inteligência artificial da plataforma, que cruza os itens presentes na nota fiscal com um banco de dados interno de marcas e tipos de produtos. A base reúne referências de produtos com certificação ambiental reconhecida, como o eureciclo, mas também contempla itens considerados recicláveis pela própria composição e categoria, mesmo sem selo formal. Quando a nota está ilegível ou o produto não pode ser identificado com segurança, o caso passa por uma etapa adicional de conferência antes da liberação do crédito, segundo o executivo.
"Não trabalhamos com exclusividade junto a nenhuma certificadora. O eureciclo aparece como referência por ser o indicador mais conhecido de comprovação de reciclagem no país, mas quem resolve a identificação é a nossa inteligência artificial, que cruza cada item da nota com o banco de dados interno — uma base que mapeia marcas e tipos de produto pela capacidade de reciclagem, com ou sem selo formal associado", revela.
Segundo Moutinho, o selo funciona como comprovação adicional quando está presente, mas não é requisito para a identificação. Na ausência de certificação formal, o produto é avaliado pela composição e pela categoria a que pertence. "O critério central é rastreabilidade, e nada entra na base sem sustentação verificável", detalha.
A inclusão de cada produto na base combina mecanismos de inteligência artificial com pesquisa própria, segundo o executivo, e a decisão fica registrada junto à fonte que embasou a análise. Dessa forma, cada entrada pode ser conferida individualmente, sem depender exclusivamente da confiança no sistema.
"Os prazos são: até 2 dias úteis para marcas e produtos já presentes na base, que é o caminho da maior parte das notas; e até 30 dias para itens ainda não mapeados, período em que verificamos se o produto é de fato reciclável antes de qualquer decisão. Em ambos os casos, o consumidor recebe retorno dentro do prazo", compartilha o executivo.
Produtos ausentes desse mapeamento não ficam automaticamente fora do programa. "Esses casos passam por verificação humana, que apura se o item é de fato sustentável, sem se limitar à existência de um selo formal. "Confirmada a análise, a informação é incorporada à base e passa a valer para as compras seguintes, inclusive de outros usuários", informa.
Quando a apuração não confirma o atributo ambiental, o crédito não é gerado para aquela nota. O founder e CEO da EcoPay reconhece que a decisão pode gerar frustração pontual, mas a descreve como deliberada.
Certificação presente no consumo cotidiano
O fundador observa que boa parte das marcas identificadas nas notas analisadas já integra o consumo diário no país, sem que o comprador associe esses itens à certificação ambiental. Ele cita categorias como bebidas, alimentos, higiene e beleza, além de varejo e moda. Dados de impacto da eureciclo apontam mais de 2,18 milhões de toneladas de resíduos compensados desde o início da operação da certificadora.
Para Moutinho, a certificação está mais presente na rotina de compra do que o consumidor percebe. "O gargalo nunca foi a existência da certificação, foi a visibilidade dela no momento da compra, que é exatamente o que a EcoPay resolve ao ler a nota fiscal", acentua o executivo.
Ao vincular o crédito à leitura de um documento fiscal, o programa desloca a escolha sustentável do terreno da intenção declarada para a do registro verificável. O desenho também posiciona a companhia como camada de dados e comprovação ambiental em uma cadeia que, pela regulação vigente, já opera a partir de rastreabilidade documental.
Para mais informações, basta acessar: https://ecopay.digital
