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Century CR7: protótipo da Fifi Rally registra dados da prova

Century CR7: protótipo da Fifi Rally registra dados da prova
Century CR7: protótipo da Fifi Rally registra dados da prova

Construído na África do Sul para provas de rally raid, o Century CR7 é equipado com um sistema de aquisição e gestão de dados que registra informações durante cada especial e auxilia engenheiros, piloto e navegador na análise da corrida off-road. O protótipo é comandado por Lélio Carneiro Jr. e Weberth Moreira, dupla que compete pela Fifi Rally Team.

Ao final de cada etapa, enquanto o piloto e o navegador chegam ao acampamento, engenheiros conectam um computador ao carro de rally. Em segundos, surgem na tela dados de temperatura, pressão do turbo, funcionamento do motor, aceleração, trocas de marcha e velocidade, entre outros parâmetros.

Desenvolvido exclusivamente para o rally raid, o Century CR7 integra a categoria Ultimate, principal classe do automobilismo off-road mundial. Segundo Cadu Sachs, engenheiro-chefe da equipe BajaTek e responsável pela preparação técnica da Fifi Rally Team, o modelo reúne as mais modernas soluções disponíveis na modalidade.

O protótipo é equipado com motor Audi V6 biturbo de aproximadamente 500 cavalos de potência, pesa cerca de 2.200 quilos e tem a carroceria construída em fibra de carbono, material usado por sua resistência estrutural aliada ao baixo peso.

No cockpit, o navegador Weberth Moreira acompanha o painel responsável pelo gerenciamento dos sistemas do veículo, com informações como temperatura do motor, pressão do óleo e pressão do combustível. O piloto Lélio Vieira Carneiro Júnior tem um dashboard voltado à pilotagem, com indicação de marchas e alertas do sistema.

O carro tem tanque com capacidade superior a 500 litros de combustível, o que permite rodar especiais acima de 500 quilômetros sem reabastecer, autonomia exigida pelo regulamento de provas como o Rally Dakar e o Rally dos Sertões. Um fato interessante é o que o CR7 consume, em média, escandalosos 1,2 quilômetros por litro.

Ao final de cada etapa, os sensores do carro passam por análise. O engenheiro Arthur Ranzini, há três anos na equipe, é responsável por interpretar os dados registrados durante a competição off-road, que incluem rotação do motor, pressão do turbo, pressão de combustível, temperatura do óleo, funcionamento da ventoinha, posição do acelerador, velocidade, marchas utilizadas e mistura ar-combustível.

A análise permite identificar falhas e suas causas, além de indicar ajustes para as próximas etapas do calendário de rally. Se a temperatura do motor sobe além do esperado durante a prova, por exemplo, a equipe cruza a percepção do piloto de rally com os dados registrados para verificar se o aumento decorre do esforço da especial ou de algum componente com funcionamento fora do padrão.

Os dados também mostram como o carro foi conduzido, com informações sobre média de aceleração, regime de funcionamento do motor, marchas mais utilizadas e velocidade média.

O Century CR7 tem câmbio sequencial, que permite a Lélio Júnior trocar de marcha sem tirar o pé do acelerador. Um sensor na alavanca identifica o movimento da mão do piloto e envia um comando eletrônico que interrompe a ignição por milésimos de segundo, permitindo o engate da marcha seguinte. Se o piloto alivia o acelerador durante o processo, o sistema também registra esse comportamento.

A calibração eletrônica do motor é outro ponto de trabalho da equipe. Segundo Arthur Ranzini "fatores como avanço de ignição, pressão do turbo e tipo de combustível influenciam a potência disponível. Cada alteração é testada e validada antes de ser usada em competição, com o objetivo de manter desempenho e confiabilidade nas provas de rally."

O processo de análise se repete após cada prova e orienta a preparação do carro para a etapa seguinte, seja no campeonato brasileiro de rally, no Rally dos Sertões ou em outras competições do calendário sul-americano.

Além do modelo da Fifi Rally Team, existem pouco mais de vinte exemplares do Century CR7 produzidos pela fabricante sul-africana, incluindo os que já disputaram e venceram etapas do Rally Dakar, considerado o maior rally do planeta. A experiência acumulada nessas competições contribuiu para o desenvolvimento do projeto, que hoje está entre os protótipos mais avançados da categoria Ultimate, a mais importante do rally raid mundial.

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