O mercado de medicamentos análogos ao GLP-1, conhecidos como canetas emagrecedoras, consolidou-se como um dos principais vetores de transformação do consumo no Brasil. Em 2025, o segmento movimentou R$ 10 bilhões, o equivalente a 4% de todo o mercado farmacêutico nacional, conforme dados do Itaú BBA publicados pela ISTOÉ Dinheiro. Esse fenômeno é acompanhado por um salto de 78,3% nas vendas de remédios para emagrecer entre 2021 e 2025, totalizando mais de 7,3 milhões de unidades comercializadas, segundo levantamento divulgado pelo jornal O Globo.
A rápida disseminação dessas terapias farmacológicas tem gerado mudanças estruturais nos hábitos de 91% dos usuários. A perda de peso acelerada, característica do tratamento, resulta em alterações corporais específicas, com destaque para a flacidez cutânea em áreas como o busto. De acordo com projeções do UBS BB publicadas pelo ICTQ, o mercado pode atingir R$ 20 bilhões em 2026 com a chegada de versões genéricas, o que deve ampliar o contingente de consumidoras que buscam vestuário adaptado a essa nova realidade física.
Crescimento do e-commerce de moda e novas demandas
O cenário de transformação corporal ocorre paralelamente à expansão do comércio eletrônico. O setor de moda faturou R$ 2,9 bilhões em 2025, registrando uma alta de 35% em relação ao período anterior, com mais de 10 milhões de produtos vendidos, segundo dados da NuvemCommerce via eCommerceBrasil. Como principal vertical do e-commerce nacional, o segmento enfrenta o desafio de adaptar grades e modelagens para atender perfis de consumidoras que não se enquadram nos padrões tradicionais da indústria têxtil.
A demanda por sustentação diferenciada no busto evidenciou uma lacuna no mercado. A flacidez decorrente do emagrecimento rápido ou de processos como a amamentação exige soluções de engenharia têxtil que divergem das aplicadas a bustos volumosos. Enquanto a indústria convencional foca em redução ou contenção, o novo perfil consumidor demanda estruturação interna e tecidos de alta gramatura que ofereçam suporte sem comprometer a estética da peça.
Adaptação técnica e desenvolvimento de produto
A identificação dessa necessidade específica permitiu que empresas como a Mari Gelinski Store desenvolvessem métodos de produção focados na funcionalidade anatômica. O processo de criação passou a integrar relatos de consumidoras em transição corporal, resultando em peças com recortes estratégicos e reforços estruturais. A utilização de matérias-primas com maior densidade e elasticidade controlada visa suprir a ausência de firmeza natural dos tecidos corporais relatada pelas clientes.
"Parte das consumidoras não tem necessariamente um busto grande, mas relata dificuldade de sustentação após mudanças no corpo. Essa diferença precisa ser considerada durante o desenvolvimento da peça", destaca a fundadora Mari Gelinski.
Desempenho operacional e perspectivas para 2026
A especialização no atendimento a esse nicho reflete-se nos indicadores operacionais da marca. Entre 2021 e 2025, o faturamento da empresa saltou de R$ 92 mil para R$ 4,2 milhões, representando um crescimento de 45 vezes em quatro anos. Com mais de 16 mil pedidos realizados no último ano, a projeção para 2026 é atingir a marca de R$ 8 milhões em faturamento, impulsionada pela expansão do portfólio e pela consolidação do canal de vendas digital por meio do site www.marigelinskistore.com.br.
A expiração de patentes e a consequente popularização dos medicamentos emagrecedores em 2026 devem intensificar a transformação do varejo de moda feminina. O avanço da ciência farmacêutica impõe à indústria têxtil a necessidade de evolução técnica constante. Marcas que anteciparam a análise do comportamento de consumo pós-tratamento medicamentoso encontram-se posicionadas para absorver a demanda de um mercado em acelerada transição corporal.
