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Sobre duas rodas: cicloturismo nas estâncias paulistas

Sobre duas rodas: cicloturismo nas estâncias paulistas
Sobre duas rodas: cicloturismo nas estâncias paulistas

A bicicleta é um meio de transporte silencioso e não poluente. Como atividade turística, o cicloturismo permite contemplar a paisagem e o ambiente ao ar livre. Diversos países adotaram o segmento como ferramenta de desenvolvimento do meio rural. No exterior, o cicloturismo se consolidou em rotas como o Caminho de Santiago, na Espanha, e a rede EuroVelo, que cruza a Europa.

Um segmento em expansão

No Brasil, o cicloturismo ganhou força após a pandemia. O cicloturista conhece novas cidades e movimenta a economia local, sobretudo em municípios de pequeno e médio porte que têm no turismo uma fonte de renda. O segmento ainda carece de indicadores próprios: o estudo "A Economia da Bicicleta no Brasil", conduzido pelo Laboratório de Mobilidade Sustentável da UFRJ (LABMOB) em parceria com a Aliança Bike, registra que o cicloturismo demanda maiores investigações e um sistema específico de dados.

São Paulo reconhece o pedal

No Estado de São Paulo, a Secretaria de Turismo e Viagens (Setur-SP) reconhece o segmento. Em junho de 2026, no Dia Mundial da Bicicleta, a pasta destacou quatro rotas de cicloturismo paulistas: o Caminho da Fé, a Rota da Luz, a Rota Interparques, na capital, e a Ciclorrota da Mata Atlântica, esta com mais de 500 quilômetros e passagem por 12 municípios.

Rota da Luz

A Rota da Luz liga Mogi das Cruzes a Aparecida. Criada em 2015, tem 202 quilômetros e atravessa nove municípios do Alto Tietê e do Vale do Paraíba, entre eles as estâncias de Guararema, Paraibuna e Aparecida. O percurso usa estradas secundárias e caminhos rurais, como alternativa à Rodovia Presidente Dutra. De caráter peregrino, associa cicloturismo, turismo religioso e contato com comunidades locais, com destino ao Santuário Nacional de Aparecida.

Circuito Lagamar

O Circuito Lagamar de Cicloturismo fica no Vale do Ribeira e no litoral sul paulista, na região do Lagamar, reconhecida como Reserva da Biosfera pela Unesco. Com cerca de 180 quilômetros, envolve as estâncias de Cananéia, Ilha Comprida e Iguape. O trajeto passa por manguezais, comunidades tradicionais e unidades de conservação, integrando cicloturismo, ecoturismo e cultura caiçara.

Rota Trapista

A Rota Trapista de Cicloturismo foi desenvolvida na Estância Turística de Tremembé, no Vale do Paraíba. Tem como referência o Mosteiro Trapista Nossa Senhora do Novo Mundo. O percurso combina estradas rurais, paisagens agrícolas e elementos culturais e religiosos. A rota é referência em sinalização, por seguir as normas da ABNT.

Caminho da Fé

O Caminho da Fé, criado em 2003 e inspirado no Caminho de Santiago de Compostela, é uma das principais rotas de peregrinação e cicloturismo do país. Reúne ramais entre Minas Gerais e São Paulo, com destino ao Santuário Nacional de Aparecida, e alcança cerca de 700 quilômetros somados às sub-rotas. Os ciclistas que o percorrem são chamados de "bicigrinos", junção de bicicleta e peregrino.

O Caminho da Fé passa por oito estâncias turísticas paulistas. Águas da Prata é o berço da rota e ponto inicial do ramal principal, além de local de encontro dos ramais. Caconde tem um dos acessos ao caminho. Campos do Jordão e São Bento do Sapucaí integram o trecho da Serra da Mantiqueira. Guaratinguetá compõe a parte final, no Vale do Paraíba, e Aparecida é o destino. Ibitinga e Sertãozinho, este pelo Ramal Noroeste, completam a rede atual.

Roteiros dentro das estâncias

A Setur-SP também reúne roteiros municipais em estâncias paulistas. A Estância Hidromineral de Serra Negra oferece seis rotas de mountain bike e quatro de speed, por áreas rurais, fazendas, lagos e morros, ligados ao café, ao queijo e ao vinho. A Estância Turística de Socorro soma mais de 1.300 quilômetros de caminhos rurais, trilhas e estradas de terra, além de quatro rotas turísticas, do Colina Bike Park e do Centro Cultural Movimento – Museu 2 Rodas. Ainda no Vale do Ribeira, a Estância Turística de Barra do Turvo tem a Rota Pedal da Barra, por áreas da APA dos Rios Vermelho e Pardinho e do Parque Estadual Rio do Turvo.

Na Estância Turística de Guararema, além da passagem da Rota da Luz, há caminhos próprios para mountain bike e cicloturismo, incluindo trechos pelo antigo traçado da Estrada de Ferro Central do Brasil e a Rota Verde, entre a Vila de Luís Carlos e o Parque Municipal da Pedra Montada. Na Estância Balneária de Itanhaém, os roteiros passam por praias, enseadas e costões rochosos, com caminhos históricos, a Cachoeira Três Quedas e passeios ligados à história de Anchieta.

Itu e Paraibuna

Na Estância Turística de Itu, a Rota Almeida Junior percorre fazendas que remetem às telas do pintor paulista. A Rota dos Romeiros e Bandeirantes sai de Barueri em direção a Itu, com extensão a Salto, margeando o Rio Tietê. O Caminho do Sol avança pela área rural até a Estância Hidromineral de Águas de São Pedro. A Estância Turística de Paraibuna, com a Represa de Paraibuna e o Mirante dos Remédios, conecta-se à Natividade da Serra e à Estância Turística de Salesópolis.

Novos caminhos no litoral

A Rota de Cicloturismo da Costa da Mata Atlântica foi instituída pelo Governo do Estado em 2024, pelo Decreto 17.945/24. Com 180 quilômetros, abrange as estâncias balneárias de Bertioga, Guarujá, Santos, São Vicente, Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe, e inclui Cubatão, Município de Interesse Turístico. A proposta nasceu na Câmara Temática de Turismo da Agência Metropolitana da Baixada Santista (Agem), com concepção do turismólogo Almir Douglas de Oliveira Marcellino e de secretárias e secretários municipais de turismo.

Outra ligação com o mar é a Rota Cicloturística Márcia Prado, que conecta a Grande São Paulo a Estância Balneária de Santos e as outras sete estâncias balneárias da Região Turística da Costa da Mata Atlântica. São cerca de 100 quilômetros por trechos urbanos e de terra, com a descida da serra em meio à Mata Atlântica, no Parque Estadual da Serra do Mar.

"As estâncias paulistas reúnem natureza, cultura e hospitalidade para atrair o cicloturista, um público que valoriza cada trecho e movimenta a economia local", afirma Almir Douglas de Oliveira Marcellino, turismólogo e especialista em cicloturismo. A APRECESP/Turismo Paulista trabalha para fortalecer o turismo nas 78 estâncias associadas, divulgando os destinos e apoiando novos roteiros, como os de cicloturismo.

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