Segundo dados do painel interativo do Ministério da Saúde sobre obesidade, 59,6% das mulheres brasileiras estavam com excesso de peso e 24,8% eram obesas, em 2023. Além disso, projeções do Atlas Mundial da Obesidade 2025, publicadas pela Agência Brasil, indicam crescimento da obesidade no país nos cinco anos seguintes. Entre as mulheres, o percentual pode subir 46,2%.
O relatório do Comitê de Práticas da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva aponta o ganho de peso na idade adulta como importante fator de risco para doenças crônicas e redução da fecundidade. Segundo o documento, a obesidade pode comprometer a reprodução de mulheres e homens, afetando a função ovulatória e menstrual, as taxas naturais de fertilidade e fecundidade, os tratamentos de infertilidade e os desfechos obstétricos.
A Dra. Laiza Tabisz, médica endocrinologista com atuação voltada à saúde metabólica, emagrecimento, lipedema e qualidade de vida feminina, e fundadora do Instituto Merakhi, explica que a obesidade pode ser vista como uma patologia multifatorial e uma doença inflamatória crônica, que, na maioria das vezes, apresenta uma perspectiva genética relevante.
"Hoje sabe-se que o que leva ao ganho de peso progressivo são fatores que vão desde inflamação crônica até desequilíbrios hormonais e de neurotransmissores. O corpo passa a se defender ativamente contra a redução do peso e do percentual de gordura, armazenando, em vez de gastar energia. Não se trata de falta de vontade e preguiça, mas sim de um conjunto de modificações químicas do corpo", comenta a especialista.
A endocrinologista esclarece que a quantidade de calorias que o corpo em repouso usa para realizar funções como respirar, bombear sangue pelo corpo, manter os níveis hormonais estáveis, desenvolver e reparar as células é conhecida como taxa metabólica basal. Essa taxa varia com fatores como sexo, idade, genética e comorbidades associadas.
"O metabolismo influencia a quantidade de energia que o corpo precisa, mas o peso depende diretamente da quantidade de comida e bebida que uma pessoa ingere, combinada com a atividade física, inflamação e alterações genéticas, hormonais e químicas. Até mesmo o percentual de massa muscular pode modificar significativamente o gasto metabólico basal, inclusive, é um fator chave", afirma a médica.
Como exemplifica a Dra. Laiza Tabisz, homens geralmente têm menos gordura corporal e mais músculos do que mulheres da mesma idade e peso e, por isso, queimam mais calorias. Com o avançar da idade, há um declínio progressivo da massa muscular e um aumento do percentual de massa gorda, o que faz com que o corpo guarde mais gordura e gaste menos energia, reduzindo o metabolismo basal, especialmente nas mulheres.
De acordo com a endocrinologista, os desequilíbrios hormonais são responsáveis por uma parcela considerável do ganho de peso. Ela cita os hormônios que mais interferem nesse processo:
- Grelina: responsável pela sensação de fome;
- Leptina: responsável pela sensação de saciedade;
- Insulina: responsável por controlar o açúcar no sangue e o armazenamento de gordura;
- Cortisol: conhecido como hormônio do estresse, sobe em condições que alertam o cérebro para fuga ou medo;
- Hormônios sexuais: como estrogênio e testosterona.
"Na resistência à insulina, o corpo passa a armazenar mais gordura, especialmente na região abdominal, e a gerar fome, principalmente de doce e carboidrato, à tarde e à noite. Quando o cortisol fica alto cronicamente, causa a famosa ‘fome emocional’ e leva à redução progressiva do metabolismo. A queda de estrogênio (na menopausa) e da testosterona (em homens e mulheres com o avanço da idade) é o que reduz o metabolismo basal", acrescenta a médica.
Endocrinologia personalizada
Segundo a especialista, a endocrinologia personalizada ajuda a desenvolver estratégias mais eficazes para cada paciente. Para a Dra. Laiza Tabisz, não existe um protocolo de emagrecimento padrão e é preciso entender a realidade de cada indivíduo.
Além da avaliação completa dos exames, a médica analisa o estilo de vida, o funcionamento do dia a dia, o trabalho, o relacionamento familiar, a distribuição do tempo, os níveis de energia e disposição durante o dia, riscos genéticos e outras doenças que possam estar presentes, mesmo que não estejam diretamente relacionadas com o peso.
"Somente com a avaliação de todo esse conjunto é possível montar um tratamento que se adapte à rotina da paciente, com ações reais, capazes de serem praticadas no dia a dia. O objetivo de um tratamento personalizado é gerar mudanças duradouras e, acima de tudo, sempre em conjunto com a paciente", revela a especialista.
De acordo com artigo publicado na PubMed Central, perdas de peso inferiores a 5% ou superiores a 10% podem ser suficientes para melhorar a saúde, conforme a meta estabelecida para cada paciente. A publicação destaca que os objetivos do tratamento devem considerar as condições clínicas e as necessidades individuais de cada paciente, e não apenas o alcance de um Índice de Massa Corporal (IMC) considerado ideal.
A médica alerta que sentir-se extremamente cansada sem motivo, com ganho de peso progressivo mesmo com dedicação a exercícios e alimentação adequada, dores e inchaços nas pernas podem ser sinais que indicam a necessidade de procurar uma avaliação especializada.
"Um endocrinologista integrativo pode oferecer um acompanhamento especializado e individualizado de longo prazo, que enxergue a paciente como um todo. Além disso, é o profissional capacitado para entender o que está acontecendo por dentro: genética, hormônios, metabolismo, composição corporal, padrões de saciedade, e direcionar o tratamento", conclui a Dra. Laiza Tabisz.
Para saber mais sobre os tratamentos da Dra. Laiza Tabis, basta acessar: https://laizatabisz.com/
