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Gestão estruturada do TEA ganha novas estratégias

Gestão estruturada do TEA ganha novas estratégias
Gestão estruturada do TEA ganha novas estratégias

Com 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil, segundo dados do Censo 2022 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2025, hospitais e operadoras de saúde podem estar diante do desafio de estruturar modelos de acompanhamento capazes de oferecer maior previsibilidade assistencial e operacional para uma demanda que cresce em volume e complexidade.

Segundo Mariana Gaspers, CEO e cofundadora da level, empresa de infraestrutura de maturidade financeira baseada em dados na saúde, a busca por maior visibilidade sobre a jornada desses pacientes e por modelos mais estruturados de coordenação do cuidado acompanha uma tendência mais ampla da saúde suplementar.

A percepção da executiva está ancorada em uma análise ampla de mercado. De acordo com levantamento da MarketsandMarkets, o mercado global de healthcare analytics movimentou mais de US$ 55,5 bilhões em 2025, impulsionado principalmente pela demanda de hospitais e operadoras por ferramentas capazes de apoiar decisões clínicas, ampliar a coordenação do cuidado e aumentar a eficiência na gestão dos recursos de saúde.

É nesse contexto que tecnologias voltadas à integração e análise de dados clínicos podem ganhar espaço como instrumentos de apoio à tomada de decisão e à organização de linhas de cuidado para condições que exigem acompanhamento contínuo e multidisciplinar. A level, por exemplo, vem aplicando uma abordagem baseada em inteligência analítica para apoiar a identificação, estratificação e acompanhamento de pacientes com TEA, contribuindo para ampliar a visibilidade sobre a jornada assistencial e apoiar a organização do cuidado.

O trabalho se concentra em um desafio ainda pouco estruturado no sistema de saúde, conforme aponta a empresa: a dificuldade de consolidar informações sobre a jornada dos pacientes com TEA e transformar esses dados em ações coordenadas de acompanhamento e cuidado.

"O desafio do TEA hoje não é o custo em si, mas a falta de estrutura para acompanhar esses pacientes ao longo da jornada", diz Mariana.

A executiva conta que, atualmente, grande parte desses pacientes já está registrada em prontuários, laudos ou históricos de atendimento, mas sem uma leitura consolidada que permita identificar o nível de suporte necessário e organizar o cuidado ao longo do tempo. Na prática, isso dificulta o acompanhamento contínuo e a atuação preventiva das equipes, limitando o potencial de intervenções precoces e coordenadas e refletindo tanto na qualidade do atendimento clínico quanto na gestão financeira do sistema como um todo.

"Quando você não consegue enxergar quem são esses pacientes e qual o nível de suporte de cada um, o sistema acaba reagindo apenas quando a demanda já chegou a um estágio mais complexo, acarretando consequências que extrapolam a capacidade de conduta adequada para cada caso, tanto do ponto de vista operacional quanto assistencial", explica.

Na prática, a abordagem adotada pela empresa integra-se aos sistemas já utilizados por hospitais e operadoras para analisar dados estruturados e não estruturados, permitindo identificar pacientes com TEA e apoiar sua classificação conforme o nível de suporte necessário. A partir dessa estratificação, ferramentas analíticas podem apoiar a organização de fluxos de acompanhamento, a identificação de riscos de descontinuidade do cuidado e a priorização de casos pelas equipes assistenciais, com o objetivo de promover maior consistência ao longo da jornada do paciente.

Mariana avalia que modelos estruturados de gestão tendem a contribuir para maior previsibilidade assistencial e melhor utilização dos recursos disponíveis, especialmente em condições que demandam acompanhamento contínuo e articulação entre diferentes profissionais de saúde. "Quando você organiza o cuidado com base em dados, consegue melhorar o desfecho clínico e, ao mesmo tempo, usar melhor os recursos do sistema", reforça Gaspers.

Segundo estimativas internas da level, baseadas em análises realizadas pela companhia, modelos estruturados de acompanhamento e coordenação do cuidado para pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) podem representar oportunidades de otimização assistencial e financeira para operadoras de saúde.

"Em organizações de médio porte, a adoção desse tipo de abordagem tem potencial para reduzir em até 30% custos associados a eventos assistenciais evitáveis, além de contribuir para a organização da jornada de cuidado. As análises da companhia indicam que ganhos relacionados à redução de ocorrências assistenciais e à diminuição de demandas judiciais podem alcançar cifras entre R$ 5 milhões e R$ 7 milhões por ano, com potencial adicional de R$ 1,5 milhão a R$ 4 milhões vinculado à redução da judicialização, dependendo das características da carteira de beneficiários e do modelo assistencial adotado", afirma Mariana.

A executiva acrescenta que o debate sobre modelos estruturados de gestão do TEA tem ganhado relevância à medida que hospitais e operadoras buscam equilibrar sustentabilidade financeira, qualidade assistencial e previsibilidade operacional.

"O uso de dados e inteligência analítica tende a ocupar papel cada vez mais relevante nesse processo, especialmente em linhas de cuidado que exigem acompanhamento contínuo e multidisciplinar. Acompanhando o dia a dia do time de saúde, percebemos que a organização das informações clínicas pode apoiar intervenções mais tempestivas e contribuir para jornadas assistenciais mais consistentes", ressalta.

Na avaliação de Mariana, o desafio é transformar dados dispersos em informações que possam apoiar decisões mais coordenadas ao longo da jornada assistencial, contribuindo para um cuidado mais organizado e contínuo.

"Trata-se de uma discussão que envolve não apenas tecnologia, mas também gestão, coordenação do cuidado e organização dos fluxos assistenciais", conclui.

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