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Facilitação cresce no país ante complexidade dos negócios

Facilitação cresce no país ante complexidade dos negócios
Facilitação cresce no país ante complexidade dos negócios

Reuniões improdutivas, excesso de desalinhamentos, baixa escuta e dificuldade para transformar discussões em decisões concretas têm levado empresas brasileiras a buscar novas formas de colaboração. Nesse contexto, a facilitação vem ganhando espaço como uma prática estratégica para melhorar a qualidade das conversas, apoiar processos de mudança e ajudar grupos diversos a construir soluções de forma mais objetiva e participativa.

Segundo Marcelo Egéa, presidente da IAF Brasil (International Association of Facilitators), o crescimento do interesse pelo tema está diretamente relacionado ao aumento da complexidade nas organizações. Para ele, já não basta reunir pessoas em uma sala " física ou virtual " e esperar que boas decisões aconteçam naturalmente.

"As empresas precisam criar condições para que grupos diversos consigam dialogar, pensar juntos e construir soluções de forma produtiva. A facilitação não existe para tornar reuniões mais agradáveis. Ela existe para ajudar grupos a tomar decisões melhores em um mundo cada vez mais complexo", afirma Egéa.

A facilitação tem raízes na psicologia social, na dinâmica de grupos e no desenvolvimento organizacional. Um dos principais marcos históricos está nos estudos de Kurt Lewin, nas décadas de 1930 e 1940, sobre comportamento em grupos, participação e mudança organizacional. A partir dos anos 1950 e 1960, essas ideias influenciaram o movimento de Desenvolvimento Organizacional. Já entre as décadas de 1970 e 1980, surgiram metodologias mais estruturadas voltadas a planejamento estratégico, resolução de problemas, inovação e tomada de decisão coletiva.

Como campo profissional reconhecido, a facilitação se consolidou internacionalmente a partir dos anos 1990, com o surgimento de metodologias contemporâneas, programas de formação, certificações e associações dedicadas ao tema, como a International Association of Facilitators (IAF).

Qualidade dos resultados

No ambiente corporativo atual, a prática aparece em processos de planejamento estratégico, gestão da mudança, inovação, desenvolvimento de lideranças, governança e construção de cultura organizacional. Para Egéa, esse movimento mostra que as organizações começam a compreender que a qualidade das interações influencia diretamente a qualidade dos resultados.

"Produtividade não depende apenas de esforço individual. Ela depende da capacidade das pessoas trabalharem juntas de forma eficaz. Muitas organizações ainda perdem tempo e energia em reuniões improdutivas, conflitos não resolvidos, desalinhamentos e retrabalho", explica.

Nesse contexto, a facilitação contribui para estruturar conversas, garantir equilíbrio de participação, tornar objetivos explícitos, organizar a tomada de decisão e transformar opiniões dispersas em encaminhamentos concretos. O resultado, segundo Egéa, é uma combinação difícil de alcançar sem método: mais participação e mais objetividade ao mesmo tempo.

A prática também ganha importância diante da diversidade social, regional e geracional do Brasil, somada a um ambiente de maior polarização. Para o presidente da IAF Brasil, a facilitação não tem como objetivo eliminar divergências, mas criar condições para que diferentes pontos de vista possam ser ouvidos, compreendidos e utilizados de forma produtiva.

"A polarização tende a reduzir a capacidade de escuta e aumentar a tendência de defender posições antes mesmo de compreender perspectivas diferentes. A facilitação ajuda grupos a sair da lógica do confronto e migrar para uma lógica de compreensão, colaboração e construção conjunta", detalha.

O avanço da tecnologia também reforça o papel estratégico dos facilitadores. Embora ferramentas digitais e sistemas baseados em inteligência artificial acelerem o acesso à informação, elas não substituem a construção de significado, confiança e compromisso coletivo entre pessoas.

"O trabalho híbrido cria desafios de alinhamento, pertencimento e colaboração. A inteligência artificial acelera a produção de informação, mas não substitui a construção de entendimento compartilhado. Quanto mais tecnologia temos, mais importante se torna a qualidade das interações humanas", diz Egéa.

Para a IAF Brasil, a facilitação tende a ganhar ainda mais espaço nas organizações que buscam aprender, inovar e se adaptar continuamente. Em vez de uma habilidade restrita a eventos ou reuniões específicas, ela passa a integrar a forma como lideranças e equipes constroem decisões, enfrentam mudanças e transformam conhecimento disperso em ação coordenada.

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