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Psicóloga cria kits terapêuticos para suporte ao autismo

Psicóloga cria kits terapêuticos para suporte ao autismo
Psicóloga cria kits terapêuticos para suporte ao autismo

O aumento nos diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem ampliado a demanda por abordagens mais estruturadas no tratamento infantil — e também exposto lacunas no acesso a recursos terapêuticos adequados. Segundo dados divulgados em 2025 pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC), nos Estados Unidos, a prevalência do autismo chegou a uma em cada 31 crianças de 8 anos. No Brasil, o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta cerca de 2,4 milhões de pessoas com TEA, com maior incidência entre crianças de 5 a 9 anos.

Esse cenário evidencia não apenas a necessidade de diagnóstico precoce, mas também de ferramentas que auxiliem profissionais e famílias no desenvolvimento dessas crianças. Foi a partir dessa realidade que a psicóloga paulista Angela Rodrigues desenvolveu uma linha de kits terapêuticos estruturados, voltados ao estímulo cognitivo, sensorial e comportamental.

Com mais de uma década de experiência clínica e atuação direta com pacientes com autismo e síndromes do neurodesenvolvimento, a profissional construiu sua trajetória liderando equipes multidisciplinares e atendendo milhares de pacientes ao longo dos anos. Durante esse período, identificou uma dificuldade recorrente entre terapeutas: a ausência de materiais específicos que acompanhassem a complexidade dos atendimentos.

“Mesmo com terapeutas capacitados e metodologias baseadas em evidência, como a Análise do Comportamento Aplicada (ABA), faltavam recursos estruturados para o atendimento. Isso impacta diretamente o progresso da criança”, afirma.

Da prática clínica à criação de uma solução estruturada

A ideia dos kits surgiu a partir da vivência prática da psicóloga à frente de uma equipe com cerca de 170 profissionais. Segundo ela, a demanda por materiais mais adequados era constante, mas as opções disponíveis no mercado eram genéricas e pouco direcionadas ao contexto terapêutico.

“Os profissionais improvisavam com massinhas e brinquedos comuns, mas isso não era suficiente. O que a gente precisava era de um material estruturado, pensado para o desenvolvimento da criança dentro da terapia”, explica.

Diante dessa lacuna, Angela passou a estruturar e organizar kits completos, definidos por objetivos terapêuticos. A proposta é oferecer não apenas itens isolados, mas um conjunto integrado de ferramentas que permita ao profissional conduzir sessões mais eficazes — e também ampliar o suporte no ambiente doméstico.

Desenvolvimento de habilidades e continuidade da terapia em casa

Os kits foram pensados para atender a diferentes faixas etárias (de 12 meses a 18 anos) e necessidades específicas, abrangendo desde o desenvolvimento motor e sensorial até funções executivas, memória e autorregulação. Entre os objetivos estão o fortalecimento da coordenação motora fina, a integração sensorial, a atenção e o raciocínio lógico.

“Não se trata de brinquedos. São recursos terapêuticos pensados para gerar resultado. Quando a criança se engaja com esse material, conseguimos aplicar a técnica ABA de forma mais efetiva”, pontua a psicóloga.

Além do uso clínico, os kits também foram idealizados para apoiar famílias no dia a dia, uma demanda recorrente observada nos atendimentos.

“Muitos pais perguntavam como continuar o trabalho em casa. Eles sentem dificuldade em lidar com situações simples, como sair com a criança para ambientes públicos. O kit também nasce para atender a essa necessidade”, ressalta.

Segundo ela, a ausência de alternativas adequadas leva muitas famílias a recorrerem ao uso excessivo de dispositivos eletrônicos, o que pode agravar quadros de ansiedade e desorganização comportamental.

“O celular nunca foi um recurso terapêutico. Ele pode até acalmar momentaneamente, mas depois a criança fica mais agitada e ansiosa”, alerta.

Iniciativa brasileira com potencial internacional

Atualmente baseada em São Bernardo do Campo (SP), Angela mantém atendimentos clínicos e concentra seus esforços no desenvolvimento do projeto Skill Builders World USA. A nomenclatura em inglês — que pode ser traduzida como "Construtores de Habilidades" — faz parte de uma estratégia alinhada ao plano de expansão internacional, com foco inicial no mercado norte-americano.

A escolha não é aleatória. Os Estados Unidos, além de apresentarem uma das maiores prevalências de autismo do mundo, também concentram uma demanda crescente por soluções que complementem o trabalho clínico e ofereçam continuidade fora das sessões terapêuticas.

“A minha proposta vai além da venda do kit. Quero estruturar protocolos e oferecer treinamento para profissionais, clínicas e famílias”, revela a brasileira, que está em fase de prospecção de parceiros e investidores no país.

Ao transformar uma demanda identificada na prática clínica em uma solução estruturada, a psicóloga aposta na combinação entre experiência profissional e inovação para ampliar o alcance do seu trabalho — e contribuir para a circulação de boas práticas em escala global.

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