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Cirurgia robótica transforma tratamento de câncer urológico

Cirurgia robótica transforma tratamento de câncer urológico
Cirurgia robótica transforma tratamento de câncer urológico

A cirurgia robótica vem se consolidando como uma das maiores transformações da urologia contemporânea, especialmente no tratamento dos cânceres urológicos. A tecnologia permite procedimentos mais precisos, menos invasivos e com maior controle cirúrgico, impactando diretamente a preservação de funções e a qualidade de vida dos pacientes.

Dados do Ministério da Saúde, divulgados pela CNN Brasil, mostram que o número de atendimentos por câncer de próstata em homens com até 49 anos cresceu 32% entre 2020 e 2024, passando de 2,5 mil para 3,3 mil procedimentos.

Já informações da Sociedade Brasileira de Urologia, noticiadas pelo portal G1, apontam que o Brasil registrou 17.587 mortes por câncer de próstata em 2024, o equivalente a 48 óbitos por dia. Esses números reforçam a relevância de avanços tecnológicos capazes de oferecer tratamentos mais eficazes e menos agressivos.

De acordo com o Dr. André Berger, urologista, cirurgião robótico e professor, a tecnologia revolucionou a prática da urologia oncológica. "Ela nos permitiu elevar o padrão de precisão cirúrgica, segurança e controle oncológico, ao mesmo tempo em que reduzimos o impacto do tratamento sobre a qualidade de vida do paciente", afirma.

"Em cânceres urológicos, como próstata, rim e bexiga, conseguimos realizar cirurgias extremamente complexas de forma minimamente invasiva, com menor trauma, menos sangramento, recuperação mais rápida e resultados funcionais muito superiores aos observados no passado. Trata-se de uma transformação estrutural da especialidade, que mudou definitivamente a forma como tratamos esses tumores", acrescenta.

O médico explica que a principal diferença em relação às técnicas tradicionais está no nível de controle e refinamento dos movimentos. "A plataforma robótica oferece visão tridimensional em alta definição, ampliação da imagem e instrumentos com articulação semelhante — e até superior — à da mão humana, eliminando o tremor fisiológico."

"Isso permite dissecações milimétricas em áreas anatômicas extremamente delicadas, algo que não é possível na cirurgia aberta tradicional nem mesmo na laparoscopia convencional. Na prática, isso se traduz em maior precisão oncológica, melhor preservação de estruturas nobres e maior segurança para o paciente", completa o Dr. André Berger.

No câncer de próstata, os ganhos funcionais são evidentes. "A cirurgia robótica permite uma preservação muito mais precisa dos nervos responsáveis pela ereção e dos mecanismos relacionados à continência urinária. Isso resulta em taxas mais altas de recuperação funcional, especialmente quando a cirurgia é realizada por equipes experientes", destaca.

Um estudo realizado pelo Dr. André Berger e outros médicos da especialidade, publicado na revista científica BJU International, apontaram que a retirada do cateter urinário já no primeiro dia após a prostatectomia radical assistida por robô pode ser uma alternativa segura para pacientes selecionados. A pesquisa observou que a remoção precoce não aumentou de forma significativa as complicações no período pós-operatório e ainda pode contribuir para mais conforto durante a recuperação. Os resultados também indicam que essa estratégia pode integrar protocolos de recuperação mais rápida após a cirurgia para câncer de próstata, desde que haja critérios clínicos adequados e acompanhamento médico especializado.

Dr. André Berger ressalta que, nos casos de câncer renal, a tecnologia tem se tornado valiosa especialmente em procedimentos de nefrectomia parcial. "A precisão da robótica permite uma ressecção tumoral extremamente controlada, com reconstrução renal segura e rápida, reduzindo o tempo de isquemia e preservando a função renal a longo prazo. Isso é fundamental, pois manter o máximo de tecido saudável impacta diretamente a saúde geral e a expectativa de vida do paciente."

O cirurgião afirma ainda que os avanços também têm gerado benefícios em casos de câncer de bexiga. "Hoje conseguimos realizar procedimentos complexos, como a retirada total da bexiga e a reconstrução do trato urinário, com menor perda sanguínea, menos complicações e recuperação mais rápida. Além disso, a precisão da técnica robótica melhora a dissecção linfonodal e a reconstrução urinária, fatores essenciais para bons resultados oncológicos e funcionais", afirma.

Outro ponto central é o planejamento cirúrgico detalhado. "Utilizamos exames de imagem avançados, reconstruções tridimensionais e, cada vez mais, ferramentas de inteligência artificial para entender detalhadamente a anatomia e a relação do tumor com estruturas críticas. Esse preparo permite antecipar dificuldades, definir estratégias personalizadas e executar cirurgias mais precisas, reduzindo complicações e aumentando a segurança do procedimento", ressalta o médico.

Apesar dos avanços tecnológicos, Dr. André Berger enfatiza que a avaliação individualizada continua sendo essencial. "A tecnologia, por si só, não substitui o julgamento médico. Cada paciente é único em termos de anatomia, biologia do tumor, expectativas e condições clínicas. A cirurgia robótica é uma ferramenta extraordinária, mas seus melhores resultados só são alcançados quando aplicada com critério, experiência e foco no paciente."

O cirurgião lembra que novas plataformas estão surgindo, ampliando o acesso e fomentando a inovação. A telecirurgia e a telementoria abrem possibilidades concretas de difusão do conhecimento, treinamento à distância e padronização de excelência cirúrgica, inclusive em regiões remotas.

"A inteligência artificial já começa a auxiliar no planejamento, na tomada de decisão e, futuramente, poderá atuar em tempo real durante os procedimentos. Tudo isso aponta para uma medicina cada vez mais precisa, personalizada e segura", conclui o Dr. André Berger.

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