Em um dos setores historicamente mais masculinos da economia brasileira, a Vedacit, empresa brasileira que atua no desenvolvimento de soluções para impermeabilização na construção civil, vem estruturando uma política contínua de desenvolvimento feminino que conecta diversidade, retenção de talentos e competitividade. A iniciativa, consolidada no programa "Mulher em Foco", incorpora a pauta de equidade à estratégia de negócios da companhia, deixando de tratá-la como um tema sazonal.
Criado em 2022 e reformulado no ano passado, o programa combina desenvolvimento técnico e comportamental com ações voltadas ao fortalecimento da presença feminina em ambientes tradicionalmente dominados por homens.
O desafio não se limita à contratação. Estudos da McKinsey & Company apontam que ambientes percebidos como hostis ou pouco inclusivos elevam significativamente a intenção de desligamento entre mulheres, sobretudo em setores industriais e de infraestrutura. O fenômeno é conhecido como “broken rung”, ou "degrau quebrado", que dificulta a progressão feminina para cargos de liderança.
"A iniciativa busca preparar as profissionais não apenas para executar suas funções com excelência, mas também para ocupar espaço e permanecer nele", afirma Juliana Cordeiro, executiva de Gente e Gestão da Vedacit.
Segundo ela, o programa aborda temas como autoconfiança, comunicação assertiva, protagonismo e estabelecimento de limites, reconhecendo que o desenvolvimento feminino também depende da construção de ambientes de respeito e segurança.
Os resultados já começam a aparecer. No ciclo mais recente, 20% das participantes foram promovidas ao longo do período, incluindo uma colaboradora que passou de analista a supervisora. "Isso demonstra que, quando há estrutura e direcionamento, o pipeline de liderança feminina se fortalece de forma consistente", diz a executiva.
A empresa também estabeleceu como meta manter seu quadro funcional entre 45% e 55% de mulheres. Atualmente, o índice está em 43%. "Para acelerar esse movimento, adotamos medidas estruturais, como ampliar obrigatoriamente a presença feminina em processos seletivos e fortalecer a contratação de mulheres em diferentes áreas da organização", afirma Juliana.
A atuação, no entanto, não se limita ao ambiente interno. Em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), iniciativa idealizada pelo time de Marketing da companhia prevê a abertura de turmas voltadas exclusivamente à formação técnica de mulheres, ampliando o acesso feminino à base da cadeia produtiva da construção civil.
Ao estimular a qualificação profissional e ampliar oportunidades, o projeto busca contribuir para reduzir, no médio e longo prazo, a desigualdade estrutural que ainda marca o setor.
"A diversidade é um elemento central para a sustentabilidade do negócio. Em um cenário de alta competitividade e disputa por talentos, criar ambientes em que mulheres possam crescer e ser reconhecidas representa uma vantagem estratégica", conclui a executiva.















