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O Brasil é o quinto país que mais gera lixo eletrônico no mundo, produzindo anualmente mais de 2,4 milhões de toneladas de resíduos, e recicla apenas 3%, segundo análise da energytech especializada em soluções de energia limpa Descarbonize Soluções, que atribui o problema à desinformação e à escassez de pontos de coleta qualificados.

De acordo com levantamento da Organização Não Governamental (ONG) para o descarte de resíduos eletrônicos Ecobraz, de 2010 a 2025, 35% da demanda por coletas domiciliares e empresariais não pôde ser atendida por inviabilidade logística, o que corresponde a mais de 323 mil toneladas de resíduos eletroeletrônicos.

Marcio Villanova, CEO da Ecobraz, afirma que o principal gargalo é a logística do ‘last mile’ (ou última milha, em português). Segundo ele, atualmente, o custo para coletar e transportar um resíduo de uma residência até a planta de triagem muitas vezes supera o valor de mercado da matéria-prima recuperada.

"O déficit logístico é o ‘calcanhar de Aquiles’ da reciclagem de eletroeletrônicos no Brasil. Enquanto não houver um incentivo financeiro que cubra essa conta, o resíduo permanece parado nas gavetas ou, pior, é descartado incorretamente, reduzindo drasticamente nossos índices de reaproveitamento", esclarece o executivo.

Os dados da Ecobraz também revelam que, do potencial de 1,84 milhão de toneladas de CO₂, 646 mil toneladas não foram mitigadas. Em termos de reflorestamento equivalente, 43 milhões de árvores — que representam o impacto ambiental que poderia ter sido gerado — não produziram efeito, e 26,9 mil hectares de área florestal  deixaram de ser mitigados via logística reversa.

Para o CEO, enquanto o plantio de árvores é uma promessa para 20 anos — sujeita a queimadas, pragas e falta de manutenção —, a retirada de um monitor de tubo ou de uma bateria de uma residência hoje elimina um risco ambiental real e auditável instantaneamente. "É a diferença entre mitigar um dano futuro e resolver um problema presente e tangível. A logística reversa porta a porta é cirúrgica e de impacto imediato", enfatiza.

Cotas de Patrocínio ESG, Adote um Bairro e Ecobraz Carbon Token

A Ecobraz criou um modelo de patrocínio corporativo que substitui a transação de venda de serviço de descarte pelo patrocínio de impacto. As Cotas de Patrocínio ESG: Adote um Bairro invertem a lógica do descarte, tornando o resíduo de custo em ativo de impacto social e ambiental local para a empresa patrocinadora.

"Uma empresa financia a operação logística de coleta gratuita e recorrente em um bairro específico. Ela não está pagando para ‘se livrar do lixo’, mas sim patrocinando a limpeza e a conscientização de uma região, por isso deixa de ver o descarte como uma ‘taxa a ser paga’ e passa a vê-lo como um aporte em infraestrutura de governança", explica Villanova.

Conforme detalha o executivo, a questão financeira é viabilizada por meio do Ecobraz Carbon Token. Um utility token desenhado especificamente para subsidiar a operação logística em áreas onde o valor do resíduo não cobre o custo do diesel e da mão de obra. Ele destaca a possibilidade de conectar novas cidades e bairros rapidamente, criando uma rede de coleta nacional financiada pelo setor privado.

"O impacto gerado pelo patrocínio na Ecobraz pode ser imediato e auditável via blockchain. No momento em que o caminhão coleta o equipamento no bairro adotado, o carbono é evitado e a métrica é gerada. Os resultados podem ser imediatos, com a remoção de toneladas de metais pesados das ruas e uma conexão direta da marca patrocinadora com a comunidade local", comenta o CEO.

A pesquisa da Descarbonize Soluções indica que 43% dos entrevistados mantêm celulares antigos por não saberem onde descartá-los ou por causa da distância dos pontos de coleta. Ao serem questionados sobre as principais dificuldades no descarte de lixo eletrônico, 73% apontaram a falta de pontos de coleta especializados como o maior obstáculo.

Impacto corporativo, ROI e ESG

Para Villanova, o modelo de Cotas de Patrocínio ESG tem potencial de transformar o passivo ambiental em uma ferramenta de marketing e compliance, gerando dados reais para relatórios de sustentabilidade e um Return on Investment (ROI de Conformidade – Redução do Custo da Não-Conformidade) reputacional superior ao descarte convencional.

"Nosso programa busca entregar uma solução, saindo da teoria e indo para a prática na porta do consumidor. Muitas corporações sofrem para cumprir as metas da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) devido à complexidade de capilaridade da coleta. Dessa forma, a empresa cumpre sua meta legal de logística reversa de forma auditável, com rastreabilidade total, e ainda pode resolver o desafio de comunicação de suas metas ESG", argumenta o executivo.

O CEO da Ecobraz ressalta que, com o greenwashing como um risco real para as marcas, oferecer um processo totalmente auditável e local é o que separa as empresas que realmente fazem a diferença das que apenas compram certificados sem lastro real. "A tecnologia é a base de tudo. Para além de coletar dados, é fundamental transformar cada grama coletada em métrica", conclui.

Para mais informações, basta acessar: ecobraz.org/