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Técnicas narrativas reforçam engajamento do leitor

Técnicas narrativas reforçam engajamento do leitor
Técnicas narrativas reforçam engajamento do leitor

As narrativas contemporâneas têm recorrido cada vez mais a estratégias sofisticadas para manter o leitor engajado do início ao fim de uma obra. Esse nicho de leitura, de acordo com dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, conquista especialmente jovens entre 14 e 29 anos, com romances e poesias, o que indica a importância de narrativas que dialoguem com vivências, identidade e questões geracionais.

Mais do que oferecer explicações racionais ou estruturas lineares, os textos podem apostar na experiência sensível da leitura, criando camadas que operam no campo da expectativa, da identificação e do desconforto.

Uranio Bonoldi, escritor e autor da série literária A Contrapartida, afirma que as fraturas narrativas podem ser construídas de diversas formas. Para o especialista, uma das abordagens mais eficientes é a gestão da informação.

"A terceira pessoa não conta tudo o que sabe sobre determinados personagens ou situações. Assim, as lacunas vão sendo descobertas pelo próprio leitor (ou não), surpreendendo-o ao longo da leitura. É o ‘não dito’ que permite criar várias situações de tensão ao longo do livro", explica.

Segundo o autor, outra estratégia recorrente é o trabalho direto com o campo emocional do leitor. Em vez de apenas relatar um acidente, por exemplo, a narrativa passa a inseri-lo na cena, fazendo com que ele experimente a tensão do acontecimento em tempo real. Esse efeito, conforme enfatiza Bonoldi, é alcançado pelo uso do tempo presente e pela descrição sensorial de sons, cheiros, imagens e sensações de angústia.

A gestão do "não dito" como estratégia de tensão

Outro elemento destacado é a construção da cronologia dos fatos, como a escolha de apresentar fragmentos do futuro e, em seguida, retornar ao presente ou ao passado. De acordo com o autor, ao optar por não revelar integralmente os acontecimentos em nenhum dos planos temporais, a narrativa cria uma fratura deliberada.

Essa lacuna incentiva o leitor a permanecer em um estado de expectativa, na tentativa de compreender quais eventos conduziram ao futuro apresentado.

"Isso gera dissonância cognitiva no leitor, pois o narrador não explica tudo e o leitor precisa assumir a responsabilidade de tentar identificar o que se passou. Trabalhar também os traumas dos personagens é fundamental, pois ajuda a explicar suas reações diante de determinadas situações", analisa.

Personagens comuns e a força da identificação

Quando o assunto é a permanência do leitor na história, o autor da série enfatiza que a construção de personagens comuns é um dos principais recursos narrativos. Isso significa ancorar a trama em questões reais do cotidiano, que qualquer leitor pode vivenciar e enfrentar.

Ainda de acordo com Bonoldi, a identificação e o vínculo emocional nascem da vulnerabilidade compartilhada. "Outro ponto é procurar trazer alguma ferida anterior. Afinal, quem não tem algum trauma do passado e passa a se identificar imediatamente com o luto de um personagem, torcendo para que ele supere aquilo que o atormenta?", questiona.

Segundo o escritor, esse conjunto de elementos contribui para a criação de personagens mais verossímeis, que precisam resolver conflitos mesmo diante da insegurança. "Isso acaba gerando aversão a determinados personagens e, em contrapartida, respeito e torcida por outros", detalha.

Intuição, técnica e controle da linha do tempo

Ao comentar seu processo de escrita, Bonoldi compartilha que a construção de significados ao longo da narrativa parte da intuição. Segundo ele, o impulso inicial é intuitivo, e personagens bem desenvolvidos tendem a conduzir a própria trajetória.

O autor explica que, em geral, não parte de um final previamente definido. Embora considere hipóteses de desfecho, são os próprios personagens que acabam determinando grande parte dos acontecimentos e dos rumos da história.

Além disso, o escritor destaca a técnica como elemento fundamental tanto para entreter quanto para manter a coerência temporal da narrativa. Na série A Contrapartida, ele relembra que precisou planilhar o histórico dos personagens, registrando datas de nascimento, casamento, morte e outros eventos importantes.

Ao abordar a construção de narrativas pensadas para múltiplos volumes, como na série A Contrapartida, o autor avalia que a força individual de cada livro está na definição clara dos temas trabalhados dentro do universo da história.

"No caso da série, isso se manifesta ao invocar os poderes do ser humano, especialmente o poder das escolhas, que podem enveredar para o bem ou para o mal. Em cada volume, são apresentadas as consequências dessas decisões, levando o leitor à reflexão empática sobre o que pode ser o nosso ciclo de vida em função do meio, do contexto, do conhecimento e das experiências", ilustra.

Na sua avaliação, a consolidação da série em formato box representa um marco simbólico e criativo no projeto literário.

Leitura como investimento simbólico

Para Bonoldi, sustentar uma narrativa baseada na construção gradual de sentido, em um contexto de consumo acelerado de conteúdo, exige transformar a leitura em um investimento intelectual, e não em um ato de consumo imediato.

"Isso implica oferecer profundidade sem recorrer a uma linguagem densa ou didática, inserindo reflexões relevantes em histórias capazes de cativar desde as primeiras páginas", observa.

Ainda de acordo com os dados da pesquisa divulgada pelo blog do Clube de Autores, a falta de tempo segue como o principal obstáculo para que os brasileiros leiam mais. Diante desse cenário, especialistas apontam caminhos viáveis para reduzir essas barreiras, como incentivar a leitura em pequenos intervalos do cotidiano e investir na produção de textos mais curtos.

Segundo Uranio Bonoldi, a introdução de um mistério inicial que desafie a inteligência do leitor e crie lacunas de informação estimula a formulação de hipóteses próprias, fazendo com que o público atue quase como um coautor da trama.

"O desenvolvimento de personagens marcantes, capazes de funcionar como âncoras emocionais, fortalece esse vínculo e incentiva o leitor a acompanhar seus conflitos, medos e desejos, criando as condições para uma leitura contínua e envolvente", conclui.

Para saber mais, basta acessar: https://uraniobonoldi.com/a-contrapartida/

Estratégia e posicionamento editorial da obra: Eagle Mindstratt.

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