Em um contexto marcado pelo avanço do burnout, da ansiedade crônica e da síndrome do impostor entre C-levels e profissionais de G&D (Gerência e Diretoria), o Plano B, programa criado por Lúcio Eroli, ex-CIO de empresas como Comgás e Centauro, surge como uma resposta estruturada para profissionais que buscam reinventar suas trajetórias sem necessariamente romper com a carreira principal.
Com mais de 25 anos de experiência em cargos de liderança nas áreas de tecnologia e inovação, Eroli alia sua vivência corporativa à formação em psicanálise, neurociência aplicada e análise comportamental para apoiar executivos, líderes e empreendedores que desejam alinhar trabalho, bem-estar emocional e novas fontes de renda com propósito e sustentabilidade.
Segundo Eroli, o que se observa diariamente é um número cada vez maior de profissionais altamente qualificados e reconhecidos pelo mercado, mas emocionalmente exaustos. Quadros de burnout, depressão, ansiedade e síndrome do impostor são frequentes, mesmo entre aqueles que acumulam anos de entregas consistentes e ocupam posições de destaque. Esse cenário é agravado pela pressão social por sucesso e pela influência de discursos superficiais sobre carreira, muitas vezes disseminados por influenciadores sem credenciais técnicas ou experiência corporativa.
A percepção clínica encontra respaldo em dados recentes. O relatório Women in the Workplace 2025, da McKinsey & Company, em parceria com a Lean In, mostra que 61% das mulheres em cargos sêniores afirmam estar frequentemente ou constantemente esgotadas, percentual superior ao observado entre os homens no mesmo nível hierárquico. Entre mulheres que recentemente ascenderam à liderança, esse índice chega a 70%. O estudo também aponta que mais de 81% das executivas sêniores relatam preocupação constante com a segurança no emprego, mesmo ocupando posições estratégicas, o que contribui para quadros de ansiedade, autossabotagem e síndrome do impostor.
Com base em uma meta-análise internacional, a síndrome do impostor apresenta prevalência global de 62%, segundo a revisão de 30 estudos que analisaram uma amostra total de 11.483 pessoas. O levantamento, conduzido a partir de bases como PubMed, Scopus, Web of Science e Google Scholar, identificou que esse fenômeno é especialmente recorrente entre indivíduos de alto desempenho e está fortemente associado à ansiedade, depressão, estresse, burnout e baixa autoestima. Os resultados indicam ainda que, à medida que o tamanho das amostras aumenta, a prevalência tende a diminuir, enquanto estudos mais recentes apontam um crescimento do fenômeno ao longo do tempo.
Nesse sentido, o Plano B se conecta a uma tendência global de reconfiguração das trajetórias profissionais. Conforme matéria publicada pela CNN, que cita dados de uma pesquisa do LinkedIn, mais de 60% dos profissionais cogitaram mudar de emprego em 2023, em busca de autossatisfação e bem-estar com o trabalho.
Já o site Signum cita uma pesquisa da Deloitte que aponta que 73% dos executivos C-level afirmam não conseguir dedicar o tempo necessário ao descanso, e 74% relatam enfrentar obstáculos para alcançar seus objetivos de bem-estar. O levantamento também revelou que quase 70% dos executivos C-level estão em risco de burnout e consideram seriamente deixar seus cargos em busca de uma posição que ofereça maior apoio ao seu bem-estar pessoal.
Origem e metodologia
Criado a partir da convergência entre dados globais e experiência prática, o Plano B adota uma abordagem integrativa que une a escuta clínica e a visão estratégica de negócios, tanto em encontros presenciais quanto online. A metodologia se estrutura em quatro pilares:
- Resgate de propósito, reconhecendo que motivações mudam ao longo da vida;
- Avaliação da vida pessoal e relacional, identificando impactos do trabalho excessivo sobre vínculos afetivos;
- Mapeamento de habilidades, dons e interesses ignorados, muitas vezes abafados pela síndrome do impostor;
- Construção e implementação de um plano de ação, o verdadeiro Plano B, que viabiliza um novo projeto profissional de forma gradual, segura e sustentável.
A metodologia já foi aplicada a executivos sêniores, líderes de grandes empresas e empreendedores. Para Eroli, em muitos casos, o Plano B vai além de uma alternativa financeira e se consolida como resposta direta ao burnout e à sensação de aprisionamento profissional. Nesse contexto, ele alerta para a importância de buscar apoio especializado ao longo dessa jornada. Além do atendimento individual, ele desenvolveu uma plataforma digital de diagnóstico inicial, idealizada para profissionais que desejam iniciar o processo de reflexão de forma reservada e acessível.
Ao longo de 2025, o Plano B já apoiou mais de 300 profissionais em processos de transição de carreira, reavaliação de propósito e construção de projetos paralelos sustentáveis. Para 2026, a meta é ampliar esse impacto em pelo menos 50%, alcançando um número ainda maior de líderes que enfrentam burnout, síndrome do impostor e insegurança em relação ao futuro profissional.
Eroli conclui que o mundo do trabalho passa por uma mudança estrutural e que, embora a digitalização de processos e o uso de inteligência artificial (IA) sejam fundamentais, nenhuma transformação se sustenta se as pessoas estiverem emocionalmente esgotadas e desconectadas do que fazem.
