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Centros especializados reduzem recidiva do cisto pilonidal

Centros especializados reduzem recidiva do cisto pilonidal
Centros especializados reduzem recidiva do cisto pilonidal

Formado por uma bolsa revestida por células epiteliais que contém pelos, fragmentos de pele e secreções de glândulas sebáceas e sudoríparas, o cisto pilonidal é uma condição inflamatória crônica que, na maioria dos casos, se desenvolve na região terminal da coluna vertebral, no início do sulco entre as nádegas. 

Embora esse seja o local mais frequente, a doença pode surgir também em áreas como axilas, couro cabeludo e umbigo, podendo evoluir para infecção e acúmulo de pus, originando abscessos dolorosos. Apesar de frequente, o cisto pilonidal ainda é subestimado como patologia. Muitos pacientes enfrentam recidivas após tratamentos convencionais, o que gera impacto significativo na qualidade de vida e nos custos para o sistema de saúde. Evidências científicas apontam que a especialização no tratamento é capaz de reduzir complicações e taxas de recidiva. Uma meta-análise publicada na Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões analisou 34 estudos com 8.698 pacientes e mostrou que técnicas cirúrgicas bem indicadas e conduzidas por equipes experientes apresentam melhores resultados e menor risco de recorrência. De acordo com o médico cirurgião e coloproctologista Dr. Rodrigo Barbosa, especialista em cisto pilonidal, fundador do Instituto Medicina em Foco, um centro especializado que concentra um grande volume de casos, experiência específica da equipe e protocolos próprios para a doença. 

"Isso inclui avaliação criteriosa da anatomia, escolha individualizada da técnica cirúrgica, padronização do cuidado pós-operatório e acompanhamento estruturado a médio e longo prazo.""Diferentemente do atendimento convencional, que muitas vezes trata a doença como um abscesso simples, o centro especializado entende como uma doença crônica, com comportamento próprio e alto risco de recidiva do cisto pilonidal quando mal conduzida", acrescenta. Segundo o médico, as recidivas costumam ocorrer porque o tratamento não especializado frequentemente aborda apenas a infecção aguda, sem tratar o trajeto pilonidal de forma definitiva. "Incisões simples, drenagens sem planejamento e cirurgias extensas mal indicadas aumentam inflamação local, comprometem a cicatrização e favorecem novas crises. Além disso, a ausência de orientação adequada no pós-operatório e de seguimento prolongado contribui para falhas no tratamento", afirma. A escolha da técnica cirúrgica é um dos principais determinantes do sucesso. Dr. Rodrigo Barbosa ressalta que procedimentos que respeitam a anatomia da região sacrococcígea ajudam a reduzir a tensão na ferida, preservar tecidos saudáveis e afastar a cicatriz da linha média, apresentando melhores resultados. "Técnicas minimamente invasivas, quando bem indicadas, reduzem dor, tempo de recuperação e impacto funcional. Já técnicas abertas extensas, ainda usadas de forma indiscriminada, estão associadas a maior morbidade e recidiva quando mal indicadas", observa o especialista. Uma revisão sistemática publicada na revista Techniques in Coloproctology analisou 31 estudos com mais de 8 mil pacientes submetidos a técnicas minimamente invasivas, como pit picking, laser, fenol e tratamento endoscópico. 

Os resultados mostraram taxas de cicatrização entre 67% e 100%, com retorno às atividades em poucos dias, mas também revelaram índices de reaparecimento que variaram de 0% a 29%, especialmente em procedimentos que utilizaram técnicas adicionais como laser, fenol ou endoscopia. Para o médico cirurgião do Instituto Medicina em Foco, o acompanhamento pós-operatório estruturado também é parte essencial do tratamento. "Um seguimento adequado permite identificar sinais precoces de complicações, orientar cuidados locais, manejo de pelos, higiene e retorno gradual às atividades. Sem esse acompanhamento, mesmo uma cirurgia tecnicamente correta pode evoluir mal." Dr. Rodrigo Barbosa explica que quando a doença é tratada de forma adequada, o paciente pode apresentar menor dor, recuperação mais rápida e retorno precoce às atividades. "Além disso, há redução significativa do impacto psicológico causado pelas recidivas frequentes, afastamentos repetidos do trabalho e insegurança em relação à doença." O encaminhamento para centros de especialistas em cisto pilonidal deve ser priorizado em casos de reincidência, doença extensa, múltiplos trajetos, histórico de cirurgias prévias malsucedidas ou quando o paciente apresenta impacto funcional importante. "Também é recomendável já no primeiro episódio, especialmente em pacientes jovens e ativos, para evitar ciclos repetidos de inflamação e procedimentos inadequados", acrescenta o cirurgião.Técnicas e recursos disponíveis em centros especializados

Centros dedicados ao tratamento da doença pilonidal costumam dispor de diferentes abordagens, selecionadas conforme extensão dos trajetos, anatomia local, presença de infecção e histórico de cirurgias prévias. Entre elas, estão:

  • Técnicas minimamente invasivas (como pit picking e abordagens endoscópicas);
  • Tratamento a laser em casos selecionados;
  • Aplicação de fenol em situações específicas;
  • Excisão com fechamento fora da linha média;
  • Retalhos para casos complexos ou recorrentes;

Além das técnicas cirúrgicas, os centros especializados também podem utilizar terapias adjuvantes em cenários selecionados, como:

  • Vacuoterapia (pressão negativa) para otimização da cicatrização em feridas extensas;
  • Plasma rico em plaquetas (PRP) como suporte à regeneração tecidual;
  • Terapias celulares em contextos específicos e sob protocolos adequados;

Diretrizes internacionais reforçam a necessidade de padronização e especialização. A Sociedade Holandesa de Cirurgia (Nederlandse Vereniging voor Heelkunde – NVvH) publicou recomendações específicas para o manejo do cisto pilonidal, destacando que a falta de uniformização no tratamento contribui para altas taxas de recidiva e resultados inconsistentes. O documento, disponível na Richtlijnendatabase, reúne orientações sobre técnicas cirúrgicas, cuidados pós-operatórios e acompanhamento prolongado. "A doença ainda é subestimada como patologia, mas os dados mostram que a especialização no tratamento reduz complicações, recidivas e custos indiretos para o paciente e para o sistema de saúde. Tratar bem desde o início é a estratégia mais eficiente e segura", conclui o Dr. Rodrigo. 

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