O acesso ao crédito tem se tornado um desafio para as empresas brasileiras, especialmente entre os pequenos e médios negócios. Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicam que uma parcela significativa das empresas optou por não buscar financiamento ao longo de 2025.
Segundo a Sondagem Especial nº 98 – Condições de Acesso ao Crédito, realizada pela entidade em parceria com a Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), 49% das empresas não procuraram crédito de curto ou médio prazo entre fevereiro e julho de 2025. No caso do crédito de longo prazo, o percentual foi de 54%.
Entre os principais fatores apontados pelas empresas para a não contratação de crédito, 80% mencionaram os juros elevados como principal entrave nas operações de curto e médio prazo. Além disso, 32% destacou as exigências de garantias reais e 17% indicaram a falta de linhas de crédito adequadas às suas necessidades.
A dificuldade de acesso também se reflete nos casos em que as empresas efetivamente buscam financiamento. De acordo com o levantamento, cerca de um terço das empresas que tentaram contratar crédito de longo prazo não obtiveram sucesso, enquanto aproximadamente um quinto não conseguiu aprovação em operações de curto ou médio prazo.
Outro dado relevante da pesquisa mostra que as condições de acesso ao crédito foram percebidas como mais restritivas ao longo do período. Entre as empresas que renovaram linhas de crédito, 35% avaliaram piora nas condições de curto e médio prazo, enquanto 33% indicaram deterioração no crédito de longo prazo. Os fatores mencionados incluem taxas de juros elevadas, menor prazo de pagamento e exigências mais rígidas de garantias.
Nesse cenário, o levantamento também aponta mudanças no comportamento das empresas em relação ao uso do crédito. Parte das companhias passou a utilizar linhas de longo prazo para cobrir despesas correntes, como capital de giro, prática que foi identificada em 31% das empresas industriais analisadas.
"O desafio está em acessar crédito compatível com a necessidade operacional das empresas", afirma Lucas Rocha, CRO da PayPay.
A PayPay, plataforma de tecnologia financeira, permite que empresas utilizem o limite do cartão de crédito para realizar pagamentos como boletos, impostos e transferências via Pix, com possibilidade de parcelamento.
De acordo com a empresa, o modelo possibilita que o valor seja disponibilizado à vista para o destinatário, enquanto o pagamento é organizado de forma parcelada pela empresa pagadora. Esse tipo de operação pode ser utilizado em situações em que há necessidade de cumprir obrigações financeiras sem a contratação de novas linhas tradicionais de crédito.
Os dados da Confederação Nacional da Indústria indicam que o ambiente de crédito segue marcado por restrições e custos elevados, influenciando tanto o acesso quanto o comportamento das empresas na utilização de recursos financeiros.













