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Pagos abre 2026 com debates sobre futuro financeiro

Pagos abre 2026 com debates sobre futuro financeiro
Pagos abre 2026 com debates sobre futuro financeiro

A Associação Pagos de Gestão de Pagamentos Eletrônicos realizou sua 42ª Reunião, abrindo oficialmente o calendário de 2026 com debates referenciados, em destaque a Operação Carbono Oculto, amplamente discutida pelo setor em 2025.

Após o painel principal, a Pagos conduziu mini-entrevistas com Heverton Peixoto, CEO da OMNI & Co., painelista da edição, e Fernando Tassin, CEO da BTTech, executivos que trouxeram reflexões sobre governança, inovação e sustentabilidade no ecossistema das fintechs brasileiras.

Operação Carbono Oculto

Heverton Peixoto destacou os sinais de transformação que a Operação Carbono Oculto reacendeu no relacionamento entre bancos e fintechs. "Toda essa turbulência, marcada por invasões e violações de segurança informacional, impôs ao Banco Central e ao mercado a necessidade de um verdadeiro freio de arrumação. A Operação Carbono deu mais luz a esse processo, evidenciando falhas em mecanismos de funding e reforçando a urgência de novas resoluções para garantir conformidade e compliance. Esse movimento traz peso para a indústria, mas também abre espaço para ajustes e amadurecimento", afirma o executivo.

De acordo com levantamento da ISH Tecnologia, mencionado em matéria para o portal Hardware, o setor financeiro segue como o principal alvo de cibercriminosos no Brasil. O relatório aponta que somente entre janeiro e março de 2025, foram registradas mais de 132 mil tentativas de invasão, o que equivale a mais de duas ocorrências por minuto, e afirma que 20,18% de todos os ataques tiveram como foco instituições financeiras, com destaque para fraudes e golpes de engenharia social.

Nesse contexto, o Banco Central do Brasil publicou normas específicas que obrigam instituições financeiras e fintechs a reforçarem seus protocolos de proteção informacional e segurança cibernética. A referência mais direta é a Resolução BCB nº 538, de 18 de dezembro de 2025, que altera a Resolução BCB nº 85/2021 e amplia as exigências de segurança digital, incluindo requisitos para contratação de serviços de processamento e armazenamento de dados e computação em nuvem.

Peixoto também ressaltou o papel das fintechs na inclusão financeira: "Nós nascemos para dar igualdade de oportunidade pelo acesso ao crédito. É o empreendedor brasileiro desassistido que precisa de velocidade, dinamismo e inovação. Os grandes bancos só vão conseguir perpetuar sua relevância se entenderem que precisam trazer fintechs para dentro de seus ecossistemas, criando soluções conjuntas e colaborativas".

Segundo levantamento da A&S Partners, divulgado pela revista VEJA, o Brasil já reúne mais de 2 mil fintechs ativas, número contabilizado em 2025, com um crescimento de 77% desde 2020. O país concentra quase 60% das startups financeiras da América Latina, consolidando-se como o maior ecossistema da região.

Desafios regulatórios

Fernando Tassin, CEO da BTTech, destacou os desafios regulatórios enfrentados pelas fintechs brasileiras. "Um dos principais entraves hoje é o alto volume regulatório. Só em 2025, o Banco Central publicou mais de 2 mil atos normativos entre resoluções e comunicados, o que exige das instituições não apenas conformidade, mas também capacidade de adaptação. Esse equilíbrio não freia a inovação, mas transforma sua dinâmica, promovendo soluções voltadas para segurança e transparência".

Segundo dados do Banco Central, em matéria para o InfoMoney, o Pix já movimenta valores próximos a duas vezes o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, com mais de 26 trilhões de reais transacionados em 2025, mais de 7 bilhões de operações apenas em outubro do último ano e cerca de 75% de brasileiros cadastrados no meio de pagamento. Tassin reforçou ainda o papel das associações e plataformas de apoio."Associações como a Pagos são fundamentais para dar voz às empresas de menor porte e criar pontes com o regulador. Já o RegulaBT, plataforma de inteligência regulatória criada pela BTTech, tem como missão transformar normativos em oportunidades, ajudando as fintechs a não enxergarem apenas obrigações, mas também novas formas de monetização e fortalecimento de marca", finaliza o executivo.

Papel das fintechs como agentes de inovação e sustentabilidade

Os executivos entrevistados destacaram que as mini-entrevistas realizadas após o painel da 42ª Reunião da Associação Pagos reforçaram o papel das fintechs como agentes de inovação e sustentabilidade, mesmo diante de um cenário regulatório mais rigoroso.

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