O salário mínimo nacional terá um reajuste de 6,79% para 2026, passando dos atuais R$ 1.518 para R$ 1.621, segundo a Agência Brasil. Esse aumento influencia diretamente o teto do empréstimo consignado, modalidade de crédito em que as parcelas são descontadas automaticamente do salário, da aposentadoria ou da pensão da pessoa.
Pela regra vigente, o limite do consignado é de 35% da renda mensal: com o salário mínimo chegando a R$ 1.621, o teto da parcela sobe de R$ 531,30 para R$ 567,35. Ou seja, esse é o valor máximo que pode ser comprometido do salário ou da aposentadoria de quem recebe o piso.
"O reajuste funciona como um gatilho positivo para o bolso do beneficiário. Ao aumentar o salário mínimo, aumenta-se também a margem livre para empréstimos em valores reais. Isso permite que trabalhadores e aposentados não apenas peguem novos valores, mas também renegociem dívidas antigas, trocando juros altos por parcelas que continuem cabendo no novo orçamento", explica Robson Carrera, fundador e CEO da Carrera Carneiro, empresa que desenvolveu uma plataforma própria de análise de empréstimo em diversos bancos.
Na visão de Carrera, 2026 deve trazer um aumento na procura principalmente pelo empréstimo consignado CLT e empréstimo consignado INSS. Um fator que influencia é a tendência de muitas pessoas enxergarem essa opção como a mais acessível do mercado para organizar a vida financeira ou realizar projetos pessoais.
A expectativa, segundo ele, é que os tetos de juros continuem sendo revisados para acompanhar a taxa básica da economia, garantindo que o crédito permaneça barato. O governo tende a manter uma vigilância rigorosa para que as taxas cobradas sejam justas e, principalmente, para impedir abusos e assédio comercial na oferta de crédito aos idosos, pontua Carrera.
Ele lembra que, desde maio, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) implantou uma medida de segurança a mais para aposentados e pensionistas que desejam desbloquear a contratação de empréstimo consignado. Os beneficiários devem fazer o reconhecimento facial na plataforma Meu INSS para conseguir crédito.
"A tecnologia traz duas grandes vantagens: velocidade e proteção. Com o uso cada vez maior da biometria e da integração digital com o governo, o dinheiro cai na conta mais rápido e, o mais importante, torna-se muito mais difícil para golpistas fazerem empréstimos em nome de terceiros, trazendo paz de espírito para o aposentado", comenta o fundador da Carrera Carneiro.
O executivo analisa que, por outro lado, há um cenário maior de cautela e responsabilidade para quem recebe o Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS), pago pelo governo federal a pessoas em situação de vulnerabilidade social.
"Embora o aumento do salário mínimo amplie o poder de compra desse grupo, o rigor maior na concessão do benefício fará com que o mercado seja mais criterioso. O foco será garantir que o crédito ajude na subsistência e não se torne um problema de endividamento futuro para essas famílias vulneráveis", diz Carrera.
O CEO defende que algumas práticas de mercados sejam monitoradas e combatidas para evitar risco de superendividamento não só de quem recebe o BPC, mas também de aposentados. O ponto de atenção principal, segundo Carrera, é o refinanciamento excessivo.
Nessa prática, a pessoa faz um empréstimo e, pouco tempo depois, o banco ou empresa financeira oferece um refinanciamento (ou “troca de contrato”). Parte da dívida antiga é quitada e o restante é alongado novamente, gerando novo prazo longo, novos juros embutidos e sensação de “alívio imediato”, mas custo total maior.
"O refinanciamento excessivo mantém o aposentado pagando juros para sempre sem nunca quitar a dívida. É fundamental fiscalizar a venda casada de seguros não solicitados e garantir que o beneficiário entenda exatamente quanto vai pagar e por quanto tempo, evitando que o consignado comprometa sua qualidade de vida e alimentação", ressalta Carrera.
Para saber mais, basta acessar o site da Carrera Carneiro: https://www.carreracarneiro.com.br/















