Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres dedicam quase o dobro do tempo aos cuidados de pessoas e tarefas domésticas em comparação aos homens. Já pesquisas relacionadas à parentalidade e ao puerpério mostram que muitas mães enfrentam dificuldades para retomar atividades sociais, profissionais e até tarefas simples da rotina após a chegada do bebê.
Mas uma mudança cultural importante vem acontecendo. O conceito de maternidade ativa vem ganhando força, com mães que buscam sair do modelo imposto, de uma maternidade passiva, centrada no cuidado doméstico e na criança, para uma maternidade mais questionadora: a mulher que continua sendo sujeito da própria vida, mesmo com filhos.
É claro que isso também envolve o questionamento da divisão do trabalho de cuidado, com maior participação dos homens, mas para além disso, o conceito de maternidade ativa está relacionado à participação da mulher em diferentes espaços da vida cotidiana e, agora, escolhendo o vínculo e o cuidado com o bebê. Entre os hábitos associados a esse movimento estão o estudo e pesquisa das melhores escolhas para a criação dos filhos, mas também a retomada gradual da vida social e profissional da mulher, viagens, participação em atividades culturais e o uso de soluções que favoreçam a mobilidade e praticidade durante os primeiros anos da infância.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o contato próximo entre pais e bebês favorece aspectos emocionais, cognitivos e físicos do desenvolvimento infantil. Nesse cenário, o uso de carregadores ergonômicos, slings e mochilas para bebês aparece como uma alternativa prática para famílias que desejam manter o bebê próximo ao corpo enquanto realizam atividades diversas.
Além da praticidade, especialistas em desenvolvimento infantil apontam que o contato corporal frequente contribui para a sensação de segurança do bebê. Estudos publicados pela American Academy of Pediatrics (AAP) também associam o contato físico e o acolhimento nos primeiros meses de vida à redução do estresse e ao fortalecimento do vínculo entre bebês e cuidadores.
Nos últimos anos, o crescimento do debate sobre saúde mental materna também ampliou discussões sobre autonomia no pós-parto. Dados divulgados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) durante a pandemia mostraram aumento significativo de sintomas de ansiedade e sobrecarga emocional entre mães de recém-nascidos. A partir desse cenário, diferentes iniciativas relacionadas à rede de apoio, bem-estar materno e parentalidade passaram a ganhar mais relevância.
Segundo Bruna Carvalho, fundadora da Dona Chica Slingueria, o aumento da procura por carregadores ergonômicos também acompanha uma mudança cultural sobre a forma como muitas famílias vivenciam a maternidade. "Hoje existe uma busca maior por mobilidade e autonomia no pós-parto. Muitas mães querem continuar frequentando espaços públicos, viajando, caminhando e mantendo parte da rotina com o bebê junto ao corpo", afirma.
O comportamento também acompanha uma tendência observada em outros países. Relatórios internacionais sobre parentalidade mostram crescimento do chamado "babywearing", prática de carregar o bebê junto ao corpo por meio de slings e carregadores ergonômicos. Além da praticidade, o hábito passou a ser associado à liberdade de movimento e ao fortalecimento da conexão entre pais e filhos.
Outro ponto observado por profissionais ligados à maternidade é a mudança na relação entre maternidade e produtividade. Se antes o pós-parto era frequentemente associado ao isolamento social da mulher, atualmente cresce o número de mães que buscam alternativas para equilibrar cuidado, mobilidade e participação em diferentes ambientes sociais.
A ergonomia também se tornou parte importante dessa discussão. Instituições como o International Hip Dysplasia Institute (IHDI) destacam a importância de posições adequadas para o desenvolvimento saudável dos quadris do bebê, principalmente nos primeiros meses de vida. Por isso, especialistas recomendam atenção ao formato e à estrutura dos carregadores utilizados pelas famílias.
Além do aspecto funcional, o uso de slings e carregadores também passou a integrar discussões sobre acolhimento e construção de redes de apoio entre mães. Grupos de maternidade, encontros sobre parentalidade e comunidades ligadas ao babywearing cresceram nos últimos anos, principalmente nas redes sociais, ampliando a troca de experiências e informações relacionadas ao cuidado infantil.
O avanço dessas conversas reforça uma mudança gradual no comportamento de parte das famílias brasileiras. Mais do que praticidade, a maternidade ativa passou a representar uma tentativa de conciliar presença, autonomia e qualidade de vida durante os primeiros anos da infância.
