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Brasil avança em IA, mas enfrenta desafios estruturais

Brasil avança em IA, mas enfrenta desafios estruturais
Brasil avança em IA, mas enfrenta desafios estruturais

O Brasil vive um momento decisivo na corrida global por inteligência artificial, com avanço acelerado na adoção da tecnologia e desafios estruturais ainda presentes. É o que apontam os novos cadernos da série Panorama IA, produzida pelo Observatório Softex. Os conteúdos revelam que o uso de IA nas empresas brasileiras saltou de 16,9% para 41,9% entre 2023 e 2025, crescimento superior à média global, que passou de 8,7% para 20,2% no mesmo período.

Esse avanço na adoção se reflete também na infraestrutura tecnológica. O uso de computação em nuvem alcançou 66,1% das empresas brasileiras, acima dos 50,6% registrados internacionalmente, enquanto a base da cadeia global segue altamente concentrada, com poucos players dominando etapas críticas como design de chips e manufatura avançada. Nesse cenário, o Brasil se consolida como líder latino-americano em infraestrutura digital, com 198 data centers em 2026, atraindo investimentos internacionais impulsionados por energia renovável, mercado interno robusto e incentivos regulatórios.

O país registrou 38 modelos de linguagem entre 2020 e 2024, sendo 15 apenas no último ano, evidenciando o potencial estratégico do português como ativo de dados. No segmento de plataformas e serviços, o ecossistema de chatbots alcançou 820 mil bots em operação e cerca de 7 bilhões de mensagens mensais, se consolidando como vetor de crescimento.

Mas o principal gargalo permanece na formação de talentos: embora o número de profissionais de TI tenha crescido 47,4% no período, a taxa de conclusão em cursos da área segue em torno de 20%, indicando evasão elevada.

Para Rayanny Nunes, coordenadora de Inteligência e Design de Soluções da Softex, os resultados indicam um ponto de inflexão. "Os três cadernos mostram que o Brasil vive um ponto de inflexão. A inteligência artificial já não é apenas uma tecnologia emergente. Ela está redefinindo modelos de negócio, exigindo novas competências e abrindo oportunidades estratégicas em todas as regiões do país. Nosso papel é transformar essa adoção acelerada em capacidade própria de inovar, desenvolver e governar sistemas de IA alinhados às prioridades nacionais", afirma.

Examinados em conjunto, os cadernos mostram que o Brasil vive um momento decisivo na construção de suas capacidades em inteligência artificial. Há avanços concretos em pesquisa, inovação e adoção empresarial, além de iniciativas estratégicas como o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), o Brasil Semicon, o Chip Tech Brasil e o desenvolvimento de modelos fundacionais nacionais. No entanto, persistem desafios estruturais relacionados à formação de talentos, governança de dados, dependência tecnológica e desigualdades regionais.

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