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Saúde mental LGBTQIA+ exige cuidado especializado

Saúde mental LGBTQIA+ exige cuidado especializado
Saúde mental LGBTQIA+ exige cuidado especializado

De acordo com um estudo realizado pela Unesp e pela USP, divulgado na revista científica Nature Scientific Reports, 12% dos adultos brasileiros se identificam como integrantes da comunidade LGBTQIA+. Segundo estimativas baseadas nos dados populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esse grupo reúne aproximadamente 19 milhões de pessoas no Brasil. As informações são do site ANDES.

Diante desse cenário, cresce também a demanda por serviços de saúde que atendam às necessidades específicas dessa população. Na área da saúde mental, a busca por terapias afirmativas tem se destacado como uma alternativa para pessoas que procuram acolhimento qualificado diante de desafios relacionados à autoestima, discriminação, relacionamentos e construção da própria identidade.

Inserida nesse contexto, a clínica Consulta LGBT surgiu com a proposta de oferecer atendimento especializado para a população LGBTQIA+, com foco em demandas relacionadas à autoestima, relacionamentos, ansiedade, homofobia e processos de autodescoberta. A clínica também reúne profissionais de outras áreas da saúde, buscando proporcionar um acompanhamento multidisciplinar aos pacientes.

Segundo Lucas de Vito, psicólogo e um dos responsáveis pela iniciativa, a criação da clínica foi motivada pela recorrência de relatos de pessoas LGBTQIA+ que, após anos buscando atendimento psicológico, encontravam profissionais despreparados para lidar com questões relacionadas à orientação sexual e à identidade de gênero.

"A lacuna não era só de profissionais preconceituosos. Era mais sutil: falta de preparo, falta de repertório, falta de contexto. A gente criou a clínica porque acredita que atendimento afirmativo não é um diferencial, é o mínimo", afirma.

A importância da terapia afirmativa

De acordo com o artigo "Uma Revisão Integrativa sobre a Terapia Afirmativa no Brasil: Atualizações desde 2009", a Terapia Afirmativa é um "conjunto especial de conhecimentos psicológicos que, aliado a uma abordagem psicoterapêutica, compreende questões complexas relacionadas ao preconceito contra a diversidade sexual e de gênero enfrentado por pessoas LGBTQIAP+".

Lucas De Vito reforça que o atendimento afirmativo busca oferecer um ambiente no qual a pessoa não precise justificar sua identidade, orientação sexual ou vivências antes de iniciar o processo terapêutico. 

Segundo ele, o acolhimento por profissionais preparados para compreender essas questões reduz barreiras históricas enfrentadas pela população LGBTQIAP+ e contribui para que o espaço terapêutico seja percebido como seguro desde o primeiro contato.

"Você não precisa chegar à sessão e primeiro explicar quem você é, justificar sua existência ou educar o profissional. Isso parece básico, mas, para uma população que passa a vida inteira se justificando em casa, no trabalho e na família, chegar a um espaço onde isso não é necessário já é terapêutico por si só", acentua o psicólogo.

Além disso, o profissional destaca que sentimentos como vergonha e insegurança ainda são comuns entre pacientes que precisam falar sobre aspectos de suas vivências em uma sociedade em que a diversidade sexual e de gênero ainda enfrenta preconceitos. De acordo com ele, questões como rejeição familiar, violência, solidão e luto identitário exigem profissionais capacitados e familiarizados com as especificidades dessa realidade.

Como funciona o acolhimento na prática

Dentro da Consulta LGBT, o cuidado com o paciente começa antes mesmo da primeira sessão. Desde a comunicação inicial até a linguagem utilizada nos atendimentos, todos os aspectos são pensados para que a pessoa se sinta acolhida em um ambiente que compreenda suas vivências e necessidades.

O psicólogo ressalta ainda que os profissionais da clínica passam por um processo de seleção e treinamento que vai além da análise curricular, levando em consideração o conhecimento sobre as especificidades da população LGBTQIA+ e a capacidade de oferecer um atendimento verdadeiramente afirmativo.

"A gente quer saber como essa pessoa se posiciona, como pensa e o que conhece sobre as especificidades da população LGBT. Acolhimento não é só simpatia, é competência", acrescenta Lucas De Vito.

O especialista também avalia que o fortalecimento de serviços especializados em saúde mental para a população LGBTQIA+ contribui para consolidar a área como um campo de atuação que exige conhecimento técnico e preparo específico.

Para ele, além de oferecer atendimento qualificado, iniciativas como a Consulta LGBT incentivam a capacitação de profissionais, fomentam discussões sobre a formação acadêmica em psicologia e reforçam a necessidade de um cuidado mais atento às particularidades dessa população.

Os desafios para ampliar o acesso à saúde mental

Na avaliação de Lucas De Vito, um dos principais obstáculos para ampliar o acesso à saúde mental especializada no Brasil é a percepção de que esse tipo de cuidado ainda é tratado como uma espécie de luxo, especialmente quando voltado à população LGBTQIA+.

Segundo ele, as dificuldades se tornam ainda mais evidentes fora dos grandes centros urbanos, onde há menor oferta de profissionais capacitados e menos possibilidades de atendimento com anonimato.

Nesse contexto, o atendimento online contribui para reduzir barreiras geográficas. Ainda assim, questões econômicas continuam limitando o acesso de parte da população aos cuidados em saúde mental.

"Além disso, percebemos uma certa resistência dentro da psicologia em relação ao nosso trabalho, especialmente por parte de profissionais mais tradicionais. É um desafio sistêmico, e a clínica opera com a consciência de que não o resolve sozinha, mas pode contribuir de forma concreta", conclui Lucas De Vito.

Para saber mais, basta acessar: https://consultalgbt.com.br/

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