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CFOs ampliam investimentos em tecnologia, diz Grant Thornton

CFOs ampliam investimentos em tecnologia, diz Grant Thornton
CFOs ampliam investimentos em tecnologia, diz Grant Thornton

Em um ambiente de maior cautela econômica, a tecnologia segue ganhando espaço como prioridade estratégica para empresas e líderes financeiros. A nova edição da pesquisa americana CFO Survey Q1 2026, da Grant Thornton, mostra que 68% dos líderes financeiros esperam aumentar seus gastos com TI e transformação digital nos próximos 12 meses, o maior patamar já registrado em 21 trimestres da pesquisa.

Para Maikon Silva, sócio de IT Risk da Grant Thornton Brasil, o avanço dos investimentos em tecnologia mostra uma mudança importante na agenda das lideranças financeiras. "A discussão deixou de ser apenas sobre adoção de ferramentas digitais e passou a envolver governança, segurança, integração de dados e mensuração de valor. À medida que os investimentos em IA e transformação digital escalam, os CFOs assumem um papel central na definição de prioridades, no controle de riscos e na comprovação do retorno desses projetos", afirma. A conexão entre os dois estudos indica que a digitalização deixou de ser uma frente isolada de inovação para se consolidar como parte da infraestrutura essencial dos negócios. O CFO Survey também mostra que os líderes financeiros não estão tratando a tecnologia apenas como uma alavanca de eficiência operacional. A pesquisa aponta que os investimentos em IA são cada vez mais vistos como impulsionadores de crescimento, com 72% dos CFOs esperando aumento do lucro líquido nos próximos 12 meses. Ao mesmo tempo, a pressão por cortes de custos diminuiu: 28% dos respondentes afirmaram não planejar nenhum corte nos próximos seis meses, o maior percentual já registrado na série analisada.

Segundo Maikon, esse movimento exige mais maturidade na gestão dos projetos digitais. "Investir mais não significa, necessariamente, capturar mais valor. Para a tecnologia gerar impacto real, é preciso conectar os casos de uso a objetivos claros de negócio, estruturar indicadores de retorno, garantir qualidade dos dados e estabelecer controles compatíveis com os riscos envolvidos. Sem essa base, iniciativas de IA podem avançar rapidamente, mas sem entregar resultados sustentáveis", explica. Apesar do avanço dos investimentos, a pesquisa sinaliza desafios relevantes para a transformação digital. Apenas 62% dos líderes financeiros dizem estar confiantes de que conseguirão atingir seus objetivos de tecnologia. Entre os principais obstáculos estão restrições de tecnologia e dados, citadas por 53% dos respondentes, seguidas por prioridades concorrentes e lacunas de competências.

Na avaliação da Grant Thornton, esses desafios reforçam a necessidade de uma abordagem mais estruturada para a adoção de IA e tecnologias digitais. O IBR mostra que, no Brasil, os investimentos em tecnologia permanecem elevados mesmo com a queda em outros indicadores de confiança, o que sugere que as empresas reconhecem a digitalização como condição para competir em um ambiente de custos pressionados, instabilidade global e maior exigência por eficiência.

"Em um cenário de maior volatilidade, a tecnologia passa a ser uma agenda de gestão de risco e continuidade do negócio. Empresas que conseguirem combinar investimento consistente, governança adequada e visão de longo prazo estarão mais preparadas para transformar tecnologia em vantagem competitiva", conclui Maikon.

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