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A cibersegurança enfrenta um aumento expressivo de riscos em 2026, com ameaças digitais cada vez mais sofisticadas impulsionadas por inteligência artificial (IA), ataques automatizados e vulnerabilidades estruturais da internet. Estudos indicam que malwares e ataques de phishing continuam em crescimento global, e ferramentas de proteção digital registram bloqueios massivos de ameaças diariamente — como mais de 5 bilhões de anúncios intrusivos, quase 40 bilhões de rastreadores e 60 milhões de tentativas de malware bloqueadas por uma solução de proteção online em um único mês.

Nesse cenário, cinco riscos emergentes despontam como elementos centrais de uma nova era de perigos digitais.

Risco da monocultura da internet

A crescente dependência de plataformas centralizadas tem gerado um fenômeno conhecido como monocultura da internet. A ampla adoção de provedores de nuvem, redes de distribuição de conteúdo e suítes de produtividade concentra grande parte da infraestrutura digital em poucos fornecedores, tornando a internet mais suscetível a falhas em larga escala.

“Quando um desses serviços é comprometido, milhões de usuários podem ser impactados simultaneamente. Essa concentração aumenta a atratividade dos ataques, uma vez que pequenos ganhos individuais podem resultar em grandes retornos financeiros para grupos criminosos”, explica Adrianus Warmenhoven, especialista em cibersegurança da NordVPN.

A monocultura digital reduz a resiliência proporcionada por sistemas heterogêneos, transformando praticamente qualquer dado em um ativo valioso e, consequentemente, em alvo para ataques. “Episódios recentes demonstraram como falhas ou ataques a grandes provedores podem provocar indisponibilidade generalizada de sites e serviços em escala global”, enfatiza Adrianus.

Aumento da desinformação em novos canais

Em 2026, a desinformação digital tende a alcançar níveis ainda mais elevados. Organizações criminosas estruturadas têm investido na disseminação de hábitos inseguros, utilizando influenciadores pagos para enfraquecer a confiança em boas práticas de segurança.

Plataformas de discussão, redes sociais e serviços de streaming tornaram-se ambientes propícios para essas campanhas. Ao promover produtos com padrões de segurança inferiores e ridicularizar medidas de proteção, tais ações contribuem para a fragilização da privacidade e perpetuam ciclos de vulnerabilidade digital.

“Esse cenário se agrava com a disseminação de imagens, áudios e vídeos gerados por inteligência artificial, amplamente distribuídos em redes sociais e aplicativos de mensagens. Esses conteúdos simulam credibilidade e autenticidade, aumentando a exposição dos usuários a golpes e fraudes”, comenta Marijus Briedis, CTO da NordVPN.

Vulnerabilidades impulsionadas por IA e ataques acelerados

A inteligência artificial desempenha um papel ambíguo no campo da cibersegurança. Ao mesmo tempo em que fortalece mecanismos de defesa, também amplia o alcance e a eficiência de ataques cibernéticos. Ferramentas baseadas em IA demonstram vulnerabilidades relacionadas ao armazenamento e ao uso de informações sensíveis.

A expectativa para 2026 é de uma intensificação significativa dos ataques alimentados por IA. A evolução tecnológica tem reduzido barreiras técnicas, permitindo que agentes com menor especialização realizem ações mais complexas. Há registros do uso experimental de sistemas autônomos capazes de identificar e explorar vulnerabilidades com mínima intervenção humana, inclusive por grupos criminosos.

Além disso, modelos avançados de IA voltados para atividades maliciosas circulam em mercados clandestinos, ampliando a escala, a velocidade e a eficácia das ofensivas digitais.

Erosão da confiança digital

Com a migração crescente de serviços para ambientes totalmente baseados em nuvem, a confiança digital passa a ocupar um papel central nos debates sobre segurança. Em 2026, a confiança tende a se consolidar como uma das principais barreiras à proteção de dados e identidades.

O avanço de deepfakes, da clonagem de voz e de identidades sintéticas geradas por inteligência artificial tem sido associado a ataques cada vez mais personalizados. No Brasil, esse tipo de fraude registrou crescimento de 126% em 2025, de acordo com o Identity Fraud Report da Sumsub. O país concentrou cerca de 39% dos deepfakes identificados na América Latina, mesmo em um cenário de redução geral das fraudes de identidade. As análises indicam o uso combinado de dados reais e informações fabricadas para acessar contas financeiras, abrir linhas de crédito e contornar sistemas de verificação, o que pode dificultar a identificação desses golpes.

A automação de fraudes e a criação de sites falsos que imitam plataformas legítimas tornam cada vez mais tênue a distinção entre o que é autêntico e o que é fraudulento, ampliando os riscos para indivíduos e organizações.

A viabilidade de ameaças quânticas à cibersegurança

O progresso da computação quântica tem potencial para redefinir o panorama da cibersegurança. Estimativas indicam que o mercado global dessa tecnologia deve ultrapassar a marca de US$ 5,2 bilhões até 2030, impulsionando investimentos e acelerando pesquisas sobre seus impactos em sistemas de proteção digital.

Embora ataques quânticos em larga escala ainda não sejam considerados iminentes, há registros de estratégias conhecidas como "colheita agora, decodificação depois", nas quais dados criptografados são capturados e armazenados com a expectativa de serem descriptografados futuramente por meio de computadores quânticos.

Essa abordagem pode expor décadas de informações confidenciais e tornar obsoletos métodos de criptografia atualmente utilizados, reforçando a necessidade de adoção antecipada de soluções resistentes a ameaças quânticas. Com o aumento da sofisticação e da automação dos ataques, a segurança digital deixa de ser apenas uma questão técnica e passa a assumir uma dimensão social.

“Historicamente, a educação digital concentrou-se no uso de dispositivos e ferramentas. No entanto, o foco desloca-se para a adoção de hábitos consistentes de segurança, frequentemente chamados de higiene digital. Em 2026, a consolidação desses hábitos torna-se um fator decisivo para a proteção de indivíduos, empresas e instituições diante de uma nova geração de riscos digitais”, conclui Briedis.