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Crescimento do setor de eventos expõe desafios da logística

Crescimento do setor de eventos expõe desafios da logística
Crescimento do setor de eventos expõe desafios da logística

O setor de eventos e entretenimento no Brasil encerrou 2025 com recorde histórico: movimentou mais de R$ 140 bilhões em consumo, segundo o Radar Econômico da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (ABRAPE). O segmento gerou 20.213 empregos formais, enquanto o chamado hub setorial, que abrange 52 atividades impactadas pelos eventos, somou 165.756 postos de trabalho. O núcleo do setor de entretenimento envolve organização, promoção e realização de eventos, espetáculos, recreação e lazer, além de atividades artísticas, culturais e esportivas. 

Para 2026, a ABRAPE projeta expansão de 7,8%, com consumo estimado em R$151,9 bilhões. Os eventos e atividades correlatas já representam cerca de 4% do PIB brasileiro. Relatório da PwC/Live Entertainment aponta ainda que o Brasil ocupa a segunda posição mundial no mercado de shows ao vivo, atrás apenas dos Estados Unidos.

Logística e gargalos – O crescimento do setor reforça a importância da logística ultraexpressa, responsável pelo transporte de cargas críticas em prazos reduzidos. "O cancelamento de um show ou o atraso de uma convenção corporativa pode gerar prejuízos milionários e arruinar a reputação de uma marca ou de um artista", afirma Marcelo Zeferino, especialista em logística e CCO da Prestex. Segundo ele, a eficiência operacional deixou de ser diferencial e passou a ser um requisito estratégico.

Casos recentes noticiados pela mídia no Brasil e no mundo todo ilustram o impacto da logística no setor, com cancelamento de shows e problemas tanto para os artistas, quanto para as empresas produtoras e para os fãs. "Por mais que se tenha o reembolso de ingressos, o público fica frustrado, há uma quebra de confiança. Para as bandas e empresas organizadoras, há multas contratuais, perdas de patrocínio, desperdício de estruturas já montadas, custos extras com desmontagem e transporte, enfim, uma série de transtornos", explica o especialista.

Segundo Zeferino, a urgência do ambiente corporativo migrou para o entretenimento. "Setores que antes pareciam distantes da velocidade máxima hoje dependem dela para viabilizar cronogramas apertados de montagem e desmontagem. No entretenimento não há margem para erro", afirma. São equipamentos de som, luz, cenografia, câmeras, notebooks, kits de filmagem, materiais promocionais e até mesmo contratos de artistas e documentos de aprovação de campanhas que já são transportados pela logística ultraexpressa, exemplifica o CCO da Prestex. 

Recomendações – Empresas do setor, como a Prestex, alertam que por se tratar de um transporte crítico, geralmente com itens de alto valor agregado e entregas com extrema urgência, é essencial contratar operadoras homologadas para situações emergenciais, com atendimento 24h, modais dedicados e aéreos e cobertura de seguro. Também são recomendados sistemas de rastreio e monitoramento em tempo real. Zeferino acrescenta que planos de contingência e mapeamento de riscos devem ser exigidos pelos contratantes, além da checagem de indicadores de desempenho, como OTD (On Time Delivery) e OTIF (On Time In Ful) que mensuram o prazo e a integridade da carga. 

Setores diversos – Eventos de grande porte devem demandar logística ultraexpressa no início de 2026, como a 36ª Abertura da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas (RS), um marco para o agronegócio nacional, que deve ocorrer na última semana de fevereiro; o Lollapalooza, um dos maiores festivais musicais do mundo; o HR4Results, um dos principais eventos de RH da América Latina; e o DWX Data World Xperience 26, focado em IA e tecnologia, todos agendados para o final de março deste ano.

Projeções –  De acordo com a Pesquisa Global de Entretenimento e Mídia 2025 – 2029 da PwC, o setor de entretenimento e mídia deve crescer, em média, 4,4% ao ano até 2029, alcançando US$ 64 bilhões, ritmo superior ao crescimento da economia brasileira como um todo. Para Marcelo Zeferino, CCO da Prestex, quanto maior o crescimento do setor, mais complexa se torna a movimentação de equipamentos, cenários, tecnologia e pessoas, o que faz com que a logística ultraexpressa B2B seja cada vez mais demandada para a competitividade no segmento.

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