Início Notícias Corporativas RAD muda rotina fiscal das empresas com automação tributária

RAD muda rotina fiscal das empresas com automação tributária

RAD muda rotina fiscal das empresas com automação tributária
RAD muda rotina fiscal das empresas com automação tributária

A Reforma Tributária trouxe ao debate o modelo de Split Payment, previsto para entrar em operação plena entre 2028 e 2029. A proposta consiste em automatizar o recolhimento dos tributos de Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), diretamente no momento da transação, reduzindo riscos de inadimplência e assegurando que o crédito tributário só seja liberado após o pagamento efetivo.

No entanto, até que a infraestrutura bancária esteja madura para suportar essa automação, o mercado terá de conviver com uma etapa intermediária: o Recolhimento pelo Adquirente (RAD), previsto na Lei Complementar 214/2025 (Art. 36) e que começa a valer já em janeiro de 2027.

Nesse contexto, o RAD surge como alternativa estratégica ao chamado "adiamento" do Split Payment. Na prática, ele antecipa parte dos benefícios do modelo automático ao permitir que o comprador assuma o pagamento do tributo e, com isso, tenha direito ao crédito financeiro imediato. O mecanismo elimina a dependência da conformidade do fornecedor, que, no sistema atual, pode comprometer o crédito do adquirente caso não recolha corretamente o imposto.

Para Yvon Gaillard, CEO e cofundador da Dootax, o modelo inaugura uma nova dinâmica no mercado. "Muitos interpretaram as notícias recentes como um ‘adiamento’ do Split Payment, mas o que temos é uma mudança de cronograma para a automação plena. Na prática, janeiro de 2027 marca o início de uma nova dinâmica com o RAD", explica.

"Diferente do Split Payment automático, que depende de uma infraestrutura bancária ainda em maturação, o RAD permite que o comprador assuma o controle do pagamento do IBS e da CBS. É o início da era do ‘crédito financeiro’, em que o direito ao crédito tributário passa a estar condicionado ao efetivo pagamento do tributo", acrescenta.

O modelo também não deve ser visto como uma solução temporária. Segundo Gaillard, o RAD continuará sendo estratégico mesmo após a implementação completa do Split Payment. "O modelo não é um ‘quebra-galho’, ele é uma ferramenta de proteção financeira. Mesmo quando o Split Payment estiver operacional, o RAD continuará sendo útil em situações de risco", detalha.

"Ele permite que a empresa antecipe benefícios de crédito financeiro e mantenha a regularidade da sua cadeia produtiva, evitando o acúmulo de passivos fiscais indiretos. É o caminho para quem deseja governança e não quer deixar seu fluxo de caixa nas mãos da conformidade de terceiros", completa.

Mudança traz desafios operacionais significativos

De acordo com Luis Pessoto, head de produto e cofundador da Dootax, o RAD inverte a lógica de confiança que hoje rege a rotina das empresas. "Com a reforma, o crédito dependerá do recolhimento feito pelo fornecedor; optando pelo RAD, o adquirente toma as rédeas desse processo. Na prática, isso exige uma integração absoluta: será necessário vincular pagamentos a operações específicas e garantir a rastreabilidade total entre nota, pagamento e crédito", orienta.

"O nível de complexidade operacional aumenta significativamente, exigindo que os sistemas lidem com volumes elevados de dados por transação, algo inviável sem automação", complementa.

Pessoto destaca ainda que o benefício imediato do modelo é a previsibilidade de caixa. "O RAD elimina o risco de o fornecedor não recolher o tributo e o comprador ficar sem o direito ao crédito. Quando o adquirente realiza o pagamento via RAD, o débito da operação é extinto automaticamente no sistema".

"Como o pagamento está vinculado diretamente à transação, o crédito é liberado de forma imediata. Isso traz uma previsibilidade de fluxo de caixa que o modelo tradicional, baseado na dependência do fornecedor, simplesmente não oferece", sintetiza o executivo.

A preparação para essa mudança começa antes de 2027. Em 2026, com a evolução de Notas Técnicas, como a NT 2026.001, os Documentos Fiscais Eletrônicos (DF-e) passam a incorporar campos que viabilizam o RAD e o Split Payment. Para Pessoto, o risco está em empresas que interpretam o novo cronograma como um adiamento e deixam de se preparar.

"Há um gap perigoso causado pelo alívio momentâneo do ‘adiamento’. As empresas que não estruturarem seus dados e não adaptarem seus sistemas agora terão um custo alto de adaptação e riscos de perda de crédito em 2027. Quem se antecipa com tecnologia garante vantagem competitiva", conclui.

Para saber mais, basta acessar: https://dootax.com.br/

Sair da versão mobile