Toda instalação elétrica exige planejamento adequado, dimensionamento correto, uso de materiais certificados e, acima de tudo, segurança. Em construções com grande circulação de pessoas, é obrigatório, sob certas condições e instalação, que os profissionais responsáveis especifiquem cabos elétricos não halogenados, que aumentam a proteção de prédios, estabelecimentos comerciais e demais tipos de estruturas, reduzindo diversos riscos às pessoas e instalações em situações de incêndio.
Esses cabos se diferenciam por não liberarem gases tóxicos quando submetidos ao fogo, característica que os torna especialmente adequados para ambientes de grande circulação de pessoas. Em emergências, a baixa opacidade da fumaça e a menor agressividade dos gases contribuem para uma evacuação mais rápida e segura.
"Os cabos não halogenados são condutores elétricos cuja isolação e/ou cobertura são formuladas sem elementos químicos da família dos halogênios, como cloro, flúor e bromo, presentes normalmente em compostos à base de PVC, EPR, HEPR e XLPE, comumente utilizados nos cabos convencionais. Em termos práticos, são cabos projetados para, em caso de queima, emitir quantidade muito reduzida de fumaça, translúcida, e não liberar gases ácidos, tóxicos e altamente corrosivos, característica conhecida internacionalmente como LSZH (Low Smoke, Zero Halogen)", esclarece Hilton Moreno, que também é consultor técnico da COBRECOM.
Ele ainda afirma que, em comparação com cabos convencionais, os não halogenados oferecem maior segurança para as pessoas e o patrimônio em situação de incêndios, com menor agressividade aos equipamentos e à infraestrutura da edificação e melhor visibilidade para fuga e baixo risco de intoxicação.
"Por isso, os cabos não halogenados devem ser aplicados obrigatoriamente em locais com grande afluência de pessoas, quando instalados sob certas circunstâncias, como arenas esportivas, escolas, cinemas, teatro, shopping centers, hospitais, hotéis, centros de convenções, torres comerciais e residenciais de grande altura, conforme recomendado pelas normas NBR 5410 e 13570 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)", ressalta Hilton Moreno.
Cabos não halogenados x condutores antichama
Hilton Moreno explica que, ao contrário dos cabos não halogenados que oferecem baixa emissão de fumaça, o que melhora a visibilidade em rotas de fuga e facilita a evacuação, os cabos convencionais de baixa tensão, apesar de terem característica antichama, em casos de incêndios, podem liberar gases tóxicos que, somados a uma fumaça densa e escura, prejudicam a evacuação da edificação.
"Isso porque o material isolante mais utilizado nos cabos convencionais é o PVC (policloreto de vinila), que contém cloro em sua estrutura. Além disso, em alguns compostos são empregados retardantes de chama bromados ou clorados. Além disso, o fato de um cabo ser antichama significa que ele foi formulado para não propagar o fogo ou para que a chama seja autoextinguida após a retirada da fonte de calor. No entanto, como é fácil entender, isso não implica que a fumaça e os gases gerados na queima sejam pouco tóxicos ou pouco corrosivos", detalha.
Custo
De acordo com Hilton Moreno, o custo por metro dos cabos não halogenados continua, em geral, um pouco superior ao de cabos convencionais à base de PVC, devido à formulação especial dos compostos e aos ensaios adicionais exigidos.
"Contudo, essa diferença vem diminuindo com a maior escala de produção, a obrigatoriedade do uso desses cabos em muitos casos e com a disseminação da tecnologia. É importante considerar que o custo do cabeamento representa uma fração relativamente pequena do investimento total de grande parte das obras. Quando se leva em conta o potencial de redução de danos em incêndios, a preservação de vidas e do patrimônio, o uso de cabos não halogenados tende a ser vantajoso sob a ótica do custo global de propriedade e da gestão de riscos", enfatiza o consultor técnico da COBRECOM.
Pode usar cabos não halogenados em residências?
O professor Hilton Moreno revela que sim e, em muitos casos, é uma escolha bastante recomendável. Segundo ele, a norma específica que trata de instalações elétricas em locais de afluência de público é a ABNT NBR 13570, que tem foco em ambientes com grande concentração de pessoas, mas não restringe o uso desses cabos a esse tipo de edificação.
"Instalações residenciais, especialmente edifícios multifamiliares e condomínios verticais, também podem se beneficiar do maior nível de segurança proporcionado pelos cabos não halogenados, tanto em áreas comuns quanto em salões de festas, academia, entre outros. Além da segurança, uma residência que utiliza cabos não halogenados tende a ser valorizada no momento da venda, quando esse diferencial é devidamente destacado", completa.
COBRECOM possui livro sobre cabos não halogenados
Escrito pelo professor, engenheiro eletricista e consultor técnico da empresa, Hilton Moreno, o livro ‘Cabos elétricos de baixa tensão para locais de afluência de público’ possui 52 páginas e, além das explicações sobre o produto, também é possível ver exemplos, figuras, tabelas, informações de produtos, entre outros.
Para o download gratuito da obra basta acessar o site: https://cobrecom.com.br/pca/arquivos/5d4af0e62f6978e5dfc6bdba1cbfbf6e.pdf













