O crescimento e a redistribuição geográfica das Organizações da Sociedade Civil (OSCs) no Brasil indicam mudanças no perfil de atuação do Terceiro Setor, com avanço para regiões fora dos grandes centros urbanos e ampliação da presença em áreas com demandas sociais específicas, segundo dados do Mapa das OSCs de 2024.
Um novo retrato da geografia do Terceiro Setor brasileiro está emergindo. O Mapa das Organizações da Sociedade Civil de 2024 registra 897.054 OSCs ativas em todo o país, mas a distribuição regional revela dinâmicas transformadoras que redefinirão as estratégias de filantropia e investimento social nos próximos anos.
Enquanto o Sudeste mantém concentração de 42% das organizações, o Centro-Oeste e o Norte lideraram o crescimento recente, com taxas de expansão de 2,62% e 2,52%, respectivamente, em 2024. O Nordeste segue como segunda região mais representada com 24%, enquanto o Sul concentra 18% das OSCs. Essa distribuição, longe de ser um simples dado estatístico, sinaliza uma transformação profunda: o Terceiro Setor está se interiorizando, expandindo sua atuação para além dos grandes centros urbanos.
A importância dessa interiorização vai além dos números. A presença crescente de OSCs em territórios de fronteira, na Amazônia e em cidades médias abre espaços para que demandas específicas dessas regiões sejam endereçadas por organizações locais, fortaleçam economias regionais e promovam autonomia nas agendas sociais. O advogado especialista em terceiro setor, promotor de Justiça aposentado e presidente da Confederação Brasileira de Fundações (CEBRAF), Tomáz Aquino de Rezende, observa que "quando o Terceiro Setor avança para territórios periféricos, não leva apenas recursos; leva protagonismo para comunidades historicamente marginalizadas".
Ele alerta que esse movimento de descentralização apresenta oportunidades e desafios. "Por um lado, amplia a capacidade de resposta a problemas locais. Por outro, exige maior articulação de redes, capacitação de lideranças regionais e adequação de modelos de financiamento e gestão. O fenômeno também abre espaço para estudos e reportagens especializadas sobre como as OSCs estão adaptando estratégias globais a contextos específicos de regiões com demandas sociais únicas", concluiu.
O advogado explica que a interiorização do Terceiro Setor é, portanto, mais do que uma tendência: é uma reconfiguração estrutural do mapa de impacto social no Brasil, com consequências profundas para políticas públicas, investimentos privados e agendas de desenvolvimento sustentável.









